Esta matéria foi publicada em 09/01/12. Procura matérias recentes sobre Rock e Heavy Metal?
Seus fãs tiveram que esperar mais de uma década por uma entrevista televisiva com Axl Rose.
EDDIE TRUNK, o apresentador do ‘THAT METAL SHOW’ do canal VH1, conta sua espera de 15 horas para consegui-la e do prazer de encontrar Axl, ‘o cara normal’.

Um minuto depois, eu estou cara a cara com um dos astros de rock mais reclusos de todos os tempos: W. Axl Rose. Como é que isso aconteceu?
Eu tenho uma história interessante quando o assunto é Axl Rose. Um dos primeiros vazamentos de ‘Chinese Democracy’ do GN’R aconteceu em meu programa de rádio em 2005 quando o astro «estadunidense» do beisebol e fanático pelo Guns, Mike Piazza tocou a faixa ‘IRS’ no meu programa. Naquela noite nós não tínhamos certeza se o que tínhamos transmitido era sequer legítimo. Até que no dia seguinte uma ordem judicial tivesse sido emitida e entregue a mim.
Um ano depois, eu estava apresentando o mesmo programa na cidade de Nova Iorque e estava com o estúdio lotado de convidados, incluindo SEBASTIAN BACH. Ao longo daquela noite, Sebastian começou a receber torpedos de Axl Rose. Àquela altura haviam se passado 13 anos desde a última vez que os dois tinham se falado, então a empolgação de Bach era genuína. Uma coisa levou à outra e Axl juntou-se a nós no estúdio e ficou no ar até cerca de 03h30min da manhã. Aquela noite foi notícia em todo o mundo e acabou sendo a última entrevista de Axl Rose por muito tempo.
Voltando para Outubro desse ano, eu recebo uma ligação do chefe da divisão de talento musical da VH1, Rick Krim, que explica que o novo empresário de Axl, Peter Katsis, tinha entrado em contato para ver se podíamos ajudar a promover os shows do Guns N’ Roses nos EUA em novembro e dezembro. Rick ofereceu a eles um segmento com uma entrevista com Axl, e me disse que, caso isso acontecesse, seria no estilo ‘cara-a-cara’ no espírito do ‘That Metal Show’, diante de uma plateia com meus colaboradores comediantes, Jim Florentine e Don Jamieson. Eu não estava otimista que aconteceria de fato.
Ainda assim, as conversas continuaram entre Katsis e Krim. Eu fiquei bastante chocado quando fui comunicado que passagens de avião para Miami estavam sendo reservadas.
O Guns N’ Roses começou sua turnê em Orlando no dia 28 de Outubro. Estávamos programados para – caso tudo funcionasse – conversar com Axl na American Airlines Arena na noite seguinte. Nosso cenário fora construído em um dos vestiários do time e foi por volta das 8 da noite que eu vi Axl entrar no prédio e ele me acenou brevemente enquanto caminhava para seu camarim. Eu fiquei encorajado pelo fato de ele estar no recinto cedo, pelos padrões dele. Talvez essa coisa rolasse às 08h30min, nós assistiríamos ao Guns por volta das 109 horas, daí era voltar pro hotel. Até parece.
As novas horas seguintes se mostraram um processo exaustivo, repleto de informações conflitantes. Em um dado momento, fomos informados que Axl viria até nós antes de entrar no palco.
À meia-noite, as luzes da arena se apagaram e o Guns subiu ao palco com «a faixa» ‘Chinese Democracy’. Na minha cabeça, não havia chance de que Axl saísse do palco às 3 da manhã e quisesse se sentar para uma entrevista de televisão. Eu estava pronto para voltar pro meu hotel depois de algumas músicas, mas meu produtor, Jeff Baumgardner, não largava o osso. Katsis tinha dito a ele que Axl muito provavelmente juntaria-se a nós depois do show. E a assessora mais próxima de Axl, uma mulher chamada Beta Lebeis, havia me dito durante o show que ela ajudaria a trazer Axl para me ver.

O palco fora desmontado e a manhã de domingo já raiava. Mas Axl ainda estava, até onde se sabia, em seu camarim. Fernando Lebeis, filho de Beta, e agora ‘tour manager’ do GN’R, nos assegurou que Axl estava a caminho. Voltamos para o nosso estúdio improvisado. Daí, por volta das 05h30min da manhã, Axl chegou com Beta, Katsis e o guitarrista DJ Ashba a tiracolo.
Depois de quase 15 horas na arena, tínhamos uma entrevista com Axl Rose.
Axl parecia revigorado e pronto pra começar, sem mostrar nenhum cansaço pelo horário cedo/tardio. Ashba ficou a pedido de Axl. A única coisa que nos foi solicitada a NÃO abordar foi uma turnê de reunião. Afinal, a entrevista era para ajudar a promover a atual turnê. Tudo acertado, o próprio Axl, durante a entrevista, mencionou muitos ex-membros do GN’R.
Nós conversamos por cerca de 90 minutos. Ele parecia estar na defensiva no começo. Ele me conhecia, mas não a Don ou a Jim, e em várias ocasiões ele disse que não tinha conhecimento de que estávamos esperando a madrugada toda para fazer a entrevista. Uma vez que ele ficou à vontade, ele rapidamente tornou-se o mesmo cara com o qual eu tinha conversado cinco anos antes, contando causos, rindo, se depreciando às vezes e de novo sendo um cara normal. Uma vez que ele entrou no espírito da coisa, ele pareceu disposto a continuar por quanto tempo quiséssemos. Acabamos a entrevista porque estávamos ficando sem fita depois de gravar várias pessoas o dia todo.
Quando a entrevista foi ao ar, um dos melhores e mais elogiosos comentários que eu ouvi eram sobre como tinha sido bom ver Axl sendo um cara normal. Essa aura quase mítica que o cerca, sem contar os infindáveis boatos e histórias, todos meio que se dissiparam nos 40 minutos que ele ficou na TV.
Muito se especulou sobre o tempo que Axl demorou a aparecer para a entrevista, e a idéia de que ele nos fez esperar intencionalmente. Eu realmente não acredito que tenha sido o caso. Nós fomos sem a promessa de uma entrevista, muito menos do horário que ela aconteceria.
Eu posso dizer honestamente que achei Axl um bom sujeito que realmente ama música e também tem muita fé na banda que ele está liderando. Eu fico feliz pelo tempo que tivemos com ele, e pelas pessoas poderem conseguido enxergar um lado de Axl Rose que muitos não sabiam que ele tinha.”
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Nacho Belgrande, 33 anos, residente em Marilia - SP, é professor de inglês e francês, apesar de formado em Técnico de Engenharia de Estúdio pelo Recording Workshop de Los Angeles, nos EUA. Suas lembranças musicais mais remotas datam de 1983, com a fervilhante passagem do Kiss pelo Brasil e da alta popularidade do Queen no país. Fã(nático) por Mötley Crüe (de quem tem mais de 100 CDs), segue de perto também o trabalho de Slayer, Krisiun, Guns N´ Roses, Van Halen e Ozzy Osbourne, entre outros.
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