Lonn Friend: a ascensão do GN'R, Skid Row, Crüe, Metallica…

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Lonn Friend: a ascensão do GN'R, Skid Row, Crüe, Metallica…

Postado por Nacho Belgrande | Fonte: Playa Del Nacho

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Matéria publicada em 25/10/12. Quer matérias recentes sobre Rock e Heavy Metal?

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HOLLYWOOD – Uma figura chave na ascensão do hair metal foi Lonn Friend, o ex-editor da revista estadunidense especializada em hard rock e heavy metal RIP – a bíblia do gênero quando BON JOVI, MÖTLEY CRÜE, GUNS N’ ROSES e METALLICA eram as maiores bandas do mundo.

Lonn é autor de dois livros, ‘LIFE ON PLANET ROCK’ e ‘SWEET EMOTION’, e recentemente foi vítima de um incidente de violência urbana na Califórnia, quando foi roubado e agredido por uma gangue, episódio do qual ele se recuperou totalmente.

O jornalista Gerry Gittelson entrevistou Lonn na semana que passou e gentilmente cedeu os direitos de tradução para nosso site. A primeira parte segue abaixo [a segunda é ainda melhor]:

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Gerry: Porra, Lonn, como você tem passado desde o assalto? Eu fiquei muito chocado com aquilo.

Friend: Bem, eu aprendi que não é seguro para um homem de 56 anos usar short e um boné do KISS ARMY numa parada de ônibus em Long Beach às 11:30 da noite. Eu devo ter parecido com um pato esperando um tiro. O pedaço de pau ou o taco que me acertou no lado direito da cara – sim, tive lesões nos nervos, ainda estão meio dormentes, mas eu já estou quase de volta ao meu estado bonachão de visual meia-idade.

O roubo de identidade também me zoou, mas eu já tomei conta disso também.

Gerry: Isso foi uma loucura.

Friend: Eu nunca tinha sido vítima de um crime, nunca. Nunca me machuquei nem nos mosh pits do Metallica/Anthrax/Slayer que eu peitei naquela época. O que realmente me tocou foi a enorme reação de amigos e fãs que reagiram à notícia do meu assalto. Quando até o Blabbermouth e a KNAC publicaram meu status no Facebook, fiquei impressionado. Eu não queria que nenhum relato pessoal meu tivesse tamanha exposição pública. Eu queria ter esse tipo de tráfego viral quando eu estava tentando vender meu segundo disco [risos]. Mas falando sério, poderia ter sido muito pior. Eu tenho mais sorte do que uma groupie de bandas de glam metal que não tem nenhuma doença.

Gerry: Ah, vejo que você já entrou no espírito, gostei. Vamos entrar direto no lance de hair metal, porque você é de fato um conhecedor. Você era amigo chegado do Bon Jovi e de Gregg Giuffria naqueles tempos, jogava golfe com Giuffria. Vamos começar com ele – aquele cabelo bonito todo atrapalhava na tacada dele?

Friend: Boa pergunta, Gerry. Bem, golfistas com cabelos compridos geralmente o prendem atrás com um boné.

Gerry: É, acho que sim.

Friend: Gregg e eu nos divertimos muito nos campos. Foi Gregg quem me apresentou a Gene Simmons. 1987, House of Lords, o primeiro lançamento do breve selo de Simmons. Gregg me contou sobre Gene uma vez, “Ele fica puto com moedas de 5 centavos, só por não serem de 10 centavos”, mas eu acho que ele pode ter ficado meio com ciúmes. Gregg tinha a alma de um jogador de jogos de azar do Mississipi. Quando ele parou de tocar, eu ouvi dizer que ele fez uma grana nos cassinos do Sul. Eu assisti ao Angel abrir pro Be Bop DeLuxe e pro Blue Oyster Cult no final dos anos 70. Gente talentosa aprende a se reinventar. Eu estou fudido. Eu não sei fazer mais nada além de escrever. Claro que sinto falta de meus antigos programas de rádio. Mas não estou aqui pra reclamar.

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Gerry: E quanto ao Bon Jovi? Foi um excelente capítulo de seu último livro, ‘Sweet Emotion’, o lance de umas paradas com Jon em Paris naquela noite…

Friend: Eu fui muito próximo de Jon e da banda por 20 anos. Vi shows e escrevi sobre eles em três continentes, incluindo as matérias de capa da RIP, ““ Bon Jovi: Dead or Alive?” no Japão e “Keep The Faith” no Canadá, e a última, a menos conhecida de minhas aventuras transcontinentais com o BJ, os 10 dias na Europa no verão de 2001, quando eu produzi ‘Rock A Mile with Lonn Friend’, um piloto para a VH1. Eu escrevi sobre isso no [livro] ‘Life In Planet Rock’, assim como sobre a viagem até São José para apresentar o experimento da banda com o formato QVC DVD, e que também é conhecido como o ‘capítulo de mil dólares’ do meu primeiro livro de memórias. Apesar do crescimento deles e de meu azar na última década, eu ainda tenho os membros da banda em meu coração.

Eu visitei Richie no estúdio na última primavera, quando ele estava gravando seu novo disco solo. Vi a filha dele e de Heather pela primeira vez. Dave Bryan armou pra que eu e minha filha fôssemos assistir a seu premiado show na Broadway, “Memphis”, é uma produção fantástica e com muito espírito. Ele me contou a história do protagonista da peça – o primeiro DJ de rock n’ roll no sul – naquela viagem do ‘Rock A Mile’ 11 anos atrás. Eu, ele e Richie estávamos bebendo vinho na sacada deles no Dolder Grand Hotel em Zurique. Dave é visionário. Ele é um músico notavelmente talentoso. Todos os caras no Bon Jovi são.

Gerry: Você ainda sai muito?

Friend: O Cinderella acabou de tocar no Pacific Amphitheater. Eu fiquei bem amigo de Fred Coury e dei a ele uma cópia de “Sweet Emotion” na House of Blues ano passado. Ele olhou pra capa e disse, “Esse é seu ‘Long Cold Winter’, Lonn?”. Eu acenei a cabeça que sim. Eles ainda mandam muito bem ao vivo.

SEBASTIAN BACH abriu o show. Ele saiu do palco, encharcado de suor e mandando ‘Youth Gone Wild’, na adrenalina, e veio direto até mim e me abraçou. A RIP publicou a primeira matéria da história sobre o SKID ROW, graças a uma funcionária chamada Shari Sloane, que nos deu a dica. Nunca perdi contato com Bas. “Eu estou vivendo como se fosse 1989, cara!”, ele riu. Bas sempre teve uma aura e uma postura de indestrutibilidade. Eu também ainda sou muito amigo de Snake e entendo que a tal reunião tem a mesma chance de ocorrer que a paz no Oriente Médio. “Eu ouvi dizer que sua casa em Nova Jérsei foi alagada”, eu disse. “Eu me lembro da sua rua. Swimming River.” Ele começa a gritar, “Cara, minha casa já era! Virou um rio, não moro mais lá, eu sou um sem-teto da porra. Eu moro na estrada onde eu mando com o Cinderella e onde a vida é bela.”

Gerry: eu me lembro de quando havia honra no jornalismo de rock, no jornalismo de entretenimento. Nesse mundo de TMZ, é decepcionante. Quais suas impressões?

Friend: A devoção aos tablóides é um sintoma de nossa sociedade doente. Nós não idolatramos heróis, nós canonizamos o fracasso, derrapadas, a fraqueza humana. Nossas prioridades são fechadas e insensíveis. Quando a RIP era, na maior parte, um newsletter oficial do GUNS N’ ROSES, eu recebia ligações de programas como ‘A Current Affair’ o tempo todo, procurando por sujeira sobre Axl ou Slash, seus vícios e preferências. Eu nunca contei nada a eles. Nunca.

Gerry: Sim.

Friend: Quando Richie Sambora e Heather Locklear se separaram, eu fiquei realmente triste. Assim como fiquei quando ela e Tommy Lee romperam. A revista People me ligou pra que eu dissesse algo. “Você sabia que o casamento de Richie e Heather estava em dificuldade?”, eles perguntaram. “Não”, eu respondi, e articulei sobre o quanto deles e o quão é difícil para casais famosos ficarem juntos, estando sob o microscópio da pressão pública. Eu sempre ouvi boatos, e na maioria das vezes, eles surgem de bem perto da fonte. Mas nunca foi meu papel jogar areia no lance alheio, na importa o quão famoso ou quase famoso essa pessoa seja.

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Gerry: Falando de GUNS N’ ROSES, conte-nos a história original sobre a festa da RIP no Park Plaza Hotel, o último show do Guns N’ Roses original em uma casa noturna na história.

Friend: Era mais ou menos depois da meia-noite e estávamos muito mais lotados do que a casa permitia. Daí o corpo de bombeiros retirou 1000 convidados do primeiro andar.

Gerry: Eu sei, eu estava escondido no banheiro até eles irem embora.

Friend: eu acredito nisso. Enfim, eu logo fiquei sabendo que Alice Cooper e Steve Vai estavam entre os convidados que tinham sido retirados. Enquanto isso, eu estou no andar de cima no salão de show onde os outros 1000 fãs estão esperando ansiosamente para que o GN’R suba ao palco. Já passa da 1 da manhã, e eu estou nervoso pra caralho. Essa é uma situação difícil, se a banda não tocar, e é minha culpa, porque a festa é minha.

Eu nunca vou me esquecer de sentar nas escadas de acesso ao palco, encolhido feito um monge com a cabeça no meio das mãos, uma dúzia de homens em casacos e capacetes amarelos tagarelando sobre mim. Quando do nada, um dedo me cutuca no ombro. Eu olho pra cima, e é Axl. “Relaxa, cara”, ele manda. “Vamos tocar.” Foi como e ele magicamente aparecesse da coxia como o Fantasma da Ópera. Instantes depois, o GN’R pôs aquela porra abaixo – Mike Monroe nos vocais de “Heartbreak Hotel” e fazendo stage diving com Axl e Duff. O show deles acabou era umas 3:15 da manhã ou por aí. E alguns dias depois, o GN’R abriu quatro épicos shows para o Rolling Stones no Coliseum.

Gerry: Era muito barulho em torno do Guns…

Friend: e isso é deixar barato. Pensa nisso, a maior banda na história do rock, os ROLLING STONES, tendo seu show roubado por uma banda de abertura. Mas era surreal desse jeito. O GN’R pegou o livro de regras, e eles o rasgaram inteiro.

No ano seguinte, nós mudamos a festa pra um lugar maior, o Hollywood Palladium e eu ajudei a montar a Jam session da década. Foram os caras que armaram aquilo. Sempre é a comunidade de músicos que faz a mágica de fato acontecer. GN’R , METALLICA e Sebastian – a Jam GAAK, como ficou conhecida. Daí depois disso, Ozzy mandou “War Pigs” com o FAITH NO MORE, e James Hetfield acompanhou Jim Martin na guitarra. Motorhead estava no programa, e do nada aparece o MEGADETH estava na porta dos fundos, com o empresário deles, Ron Laffitte. “Acabamos de sair do palco do Santa Monica Civic, e ouvimos que vocês estavam dando uma festa.”, diz Mustaine. “Você se importa se tocarmos umas 3 ou 4 músicas?” Eu puxei o gerente de palco, Kevin Lyman [o criador da turnê Warped anos depois], e ele manda, “Vamo cair pra dentro!”. O GAAK tocou “Hair of The Dog” do NAZARETH, com Axl e Bas dividindo os vocais. Lars na bateria. Duff no baixo, Slash na guitarra. Hetfield e Hammett sobem ao palco e tocam “Whiplash” pela segunda vez porque quando Baz a cantara pela primeira vez, tal como James descreveu em sua clássica introdução, “Vamos tocar agora porque aquele outro cara estragou a música.” (...)

Entrevista na íntegra:
http://playadelnacho.wordpress.com/2012/10/20/lonn-friend-te...

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Sobre Nacho Belgrande

Nacho Belgrande, 33 anos, residente em Marilia - SP, é professor de inglês e francês, apesar de formado em Técnico de Engenharia de Estúdio pelo Recording Workshop de Los Angeles, nos EUA. Suas lembranças musicais mais remotas datam de 1983, com a fervilhante passagem do Kiss pelo Brasil e da alta popularidade do Queen no país. Fã(nático) por Mötley Crüe (de quem tem mais de 100 CDs), segue de perto também o trabalho de Slayer, Krisiun, Guns N´ Roses, Van Halen e Ozzy Osbourne, entre outros.

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