Scorpions: Maciwoda fala sobre o CD do Stirwater

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Scorpions: Maciwoda fala sobre o CD do Stirwater

Postado por Roberta Forster | Fonte: Scorpions Brazil

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Pawel Maciwoda, atual baixista do Scorpions, concedeu ao ScorpionsBrazil.net uma entrevista exclusiva na última quinta-feira. O músico falou sobre o lançamento do primeiro CD da sua banda STIRWATER, além de falar um pouco de Scorpions e sua vontade de voltar ao Brasil.

POR PATRÍCIA CAMARA E ROBERTA FORSTER

ScorpionsBrazil: Ok Paweł, você pode começar contando como surgiu a idéia para o Stirwater e como tudo começou?

Paweł Mąciwoda: Bom, tudo começou na cidade de Nova York, na década de 90, quando conheci Efrem Wilder no Green Point, Brooklyn. E um amigo meu, guitarrista, me falou sobre o Efrem. Ele disse “Cara eu conheci esse cantor/guitarrista”. Então fomos até o Brooklyn, num apartamento, e ele cantou um pouco para mim e no mesmo instante eu me viciei. A voz e o jeito que ele toca, as letras... Nós tocamos juntos algumas vezes durante o tempo que morei em Nova York e também fizemos algumas gravações. Então eu deixei os Estados Unidos para voltar para a Polônia e entrei no Scorpions. Aí tivemos um longo intervalo e cerca de dois anos atrás eu liguei para ele (Efrem Wilder) e disse “Vem pra Polônia!” e começamos a trabalhar num CD que deverá ser lançado em Setembro. E tivemos esse longo intervalo enquanto eu trabalhava com o Scorpions, então escrevemos algumas músicas, usamos algumas idéias antigas e o cd está basicamente pronto, só estamos esperando pela capa ficar pronta. Mal posso esperar!

SB: Você pode nos contar um pouco sobre os caras que tocam na banda?

PM: Sim. A banda foi criada muito rápido, não tivemos muito tempo de fazer testes com outros músicos. Eu procurei por músicos locais, pela cidade onde moro e achei Bartosz Szwed, que também é um baixista, pois eu também toco violão no Stirwater, então eu procurei por alguém que pudesse tocar baixo e violão também. Nós começamos a ensaiar e fizemos alguns shows com o Bartosz. Temos um ótimo percussionista, Thomas Sanchez. Ele tem descendência mexicana e tem uma boa personalidade. No disco tivemos músicos convidados, todos daqui, do sul da Polônia, com exceão do Efrem e do Sanchez.

SB: Como você definiria o som do Stirwater?

PM: Eu acho que é apenas rock com alguns elementos de folk, um pouco de country às vezes. Por agora estamos trabalhando com violões. Pode ser um pouco estranho, mas eu sinto que a música fica mais natural pois quando conheci Efrem ele tocava violão, então é como uma continuação deste ciclo. Já temos arranjos para guitarras elétricas e pode ser o próximo passo. Eu adoro o som do violão.

SB: Com certeza. E as gravações que vocês fizeram até agora são lindas. Agora nos conte quais são as influências para o Stirwater.

PM: Bom, da minha parte eu sempre amei o bom rock, como Bob Dylan, Johnny Cash, Led Zeppelin... os clássicos, classic rock. Lynyrd Skynyrd, The Allman Brothers Band... Estas são as minhas influências. Quando você falar com o Efrem ele vai te dizer uma variedade de músicas. Eu também adoro Jazz e um pouco de funk e reggae. Basicamente estamos misturando estilos diferentes e pode ser um pouco de tudo. Mas eu acho que com a voz do Efrem e seu violão e toda a energia é simplesmente rock americano. O que você acha?

SB: Você mencionou Lynyrd Skynyrd e The Allman Brothers Band e eu admiro muito essas bandas. Eles tem um som mais cru e simples mas com sentimento e quando você escuta é ótimo, não é como se fosse música simples, tem um grande sentimento ali.

PM: E ouvi algumas pessoas nos comparando a bandas de grunge, pois eu acho que a voz do Efrem soa um pouco parecida com a do Eddie Vedder. Na época que estávamos em Nova York, o grunge era muito popular, foram os músicos da nossa geração que criaram o estilo. Então nos sentimos próximo ao estilo, mas não somos uma banda grunge. O Efrem é um cara sensível e escreve sobre assuntos sensíveis, sabe.

SB: Eu vi algumas fotos e vídeos dos shows que vocês fizeram na Polônia e acho que a energia que havia ali lembra um pouco algumas bandas de grunge. O Stone Temple Pilots fez um acústico na MTV que tinha mais ou menos a mesma energia. Talvez por isso as pessoas façam essa relação.

PM: Exatamente. Não tocamos em lugares grandes por agora, estamos tocando em clubes pequenos e eu acho que a energia dos violões com os lugares menores funciona bem. Quando formos mais populares também faremos mais barulho em palcos maiores, sem problemas. (risos)

SB: Vocês irão lançar o CD do Stirwater em Setembro, certo?
PM: Se tudo sair de acordo com os planos, devemos ter o CD pronto antes do 11 de Setembro. Esse ano fará 10 anos do desastre do World Trade Center.

SB: E vocês tem uma música sobre isso.

PM: A música 7000 Angels fala sobre isso. O Efrem estava próximo ao World Trade Center naquela época e foi um grande impacto para ele, e essa música descreve aquele momento. Acho que seria legal lançar o disco até lá. É um aniversário terrível, mas você sabe, no mundo de hoje o terrorismo continua, veja o aconteceu na Noruega.

SB: O CD será lançado nos Estados Unidos também, por causa do 11 de Setembro?

PM: Nós adoraríamos lançar o CD nos Estados Unidos, mas agora essa será a primeira edição e assim que houver mais interesse do resto do mundo... Porque agora temos um grande ponto de interrogação, se as pessoas vão gostar da música ou não. Se houver interesse dos Estados Unidos, Brasil ou qualquer outro lugar, nós vamos lançar esse disco internacionalmente.

SB: Mas ainda não existem planos concretos para isso.

PM: Espero que algo apareça, mas estamos lançando o CD de forma independente. Será possível comprá-lo pela internet.

SB: E como foi o processo de gravação do CD?

PM: A maioria das faixas foram gravadas ao vivo de um show que vivemos em um clube aqui, e algumas foram gravadas em estúdio. Então é uma mistura de gravações ao vivo e em estúdio. No CD haverá doze músicas.

SB: E qual é o nome do CD?

PM: Estamos em dúvida entre “Live in Krakow” ou “Living in Krakow”... algo assim... Pois foi todo feito na Cracóvia, onde eu moro.

SB: Como foi o processo de criação? Quem escreveu as letras, quem fez as melodias?

PM: Basicamente foi junto ao Efrem. Eu escrevi algumas letras também, a gente coopera um com o outro. Escrevemos a maioria das letras juntos.

SB: Então ambos fazem as letras e compõem as melodias.

PM: Bom, se o Efrem tem uma idéia, e ele já termina a música, a gente faz os arranjos e muda algumas coisas.. Às vezes eu escrevo uma música toda sozinho e então mudamos algumas coisas. Fazemos tudo juntos mas o Efrem tem escrito a maioria das letras pois o Inglês é a sua primeira língua e ele é muito bom nisso (risos).

SB: Vamos falar sobre a música “Water Water”. Ela já está tocando numa rádio polonesa, certo?

PM: Sim, ela está numa lista de votação de uma rádio. Obrigado a todos os fãs ao redor do mundo que estão votando. Em quatro semanas a música foi da 45º posição para a 20º. O que é muito bom e, por favor, continuem votando, é muito importante. Essa música pode estar pelo menos no top 5 (risos).

SB: Eu vejo muitos fãs se unindo para votar nesta música e fazer com que ela chegue pelo menos no top 10 nesta semana!
PM: Eu sei, é mágico! Todas as bandas famosas funcionam assim, com a votação dos fãs.

SB: E como essa gravação que estamos fazendo será publicada, queremos avisar que os fãs que quiserem ajudar, nós temos os links para a votação e as instruções também. Basta nos pedir que mandaremos os links.

PM: Fantástico!

SB: Claro, podemos pedir ao fãs que continuem votando.

PM: Um dos meus maiores sonhos já se tornou real com o Scorpions há mais de 7 anos. O meu próximo sonho é ir ao Brasil com a minha banda e tocar para vocês aí! Mal posso esperar!

SB: Nós também mal podemos esperar! (risos)

PM: Eu gostaria que os Scorpions tocassem para sempre, mas estamos na nossa última turnê. Quem sabe o que acontecerá no futuro? Acho que posso continuar trabalhando simultaneamente com o Stirwater, isso não deve ser um problema. É tudo música e está aí, se conseguirmos ser tocados bastante nas rádios e fazer alguns vídeos no futuro também, isso deve ser o suficiente, sabe. Com o apoio dos fãs tenho certeza de que poderemos ir longe.

SB: Nos conte um pouco sobre a cena musical na Polônia. O rock e o hard rock tem seu espaço aí?

PM: Absolutamente. A Polônia é um bom mercado para o rock. Tivemos algumas bandas vindo do Oeste, ou dos Estados Unidos e agora todos os anos temos um festival chamado Woodstock, com cerca de 300.000 pessoas. A música na Polônia é bem melhor agora também porque temos mais artistas internacionais tocando por aqui como, por exemplo, Brian Adams. Temos tido shows muito bons por aqui. Sobre a música polonesa, bom, não é um país muito grande, mas existem artistas novos graças a independência da internet. Aqui melhorou nos últimos anos, mas é meio limitado.

SB: Essa próxima pergunta é sobre um cover de Scorpions que vocês fizeram. Vocês gravaram Yellow Raven.

PM: Sim, e já está disponível. O Efrem sempre adorou o Scorpions, e nós temos duas músicas do Scorpions que estarão no disco, In Your Park e Yellow Raven como faixa bônus. Nós amamos essas músicas e acho que fizemos um bom trabalho com elas.

SB: Eu escutei Yellow Raven e é simplesmente linda. Ouvi algumas pessoas comentando que é até mais bonita que a original.

PM: A original é linda, mas é diferente. A voz do Efrem é diferente da voz do Klaus, o Klaus tem uma voz mais alta, eles tem registros diferentes com relação à emoção e à musica. Acho que é uma versão tão forte quanto a do Klaus, é apenas diferente. Essa é a beleza de músicas assim, elas podem ser apresentadas com arranjos levemente diferentes e o poder da música estará sempre no topo.

SB: Vocês planejam fazer mais covers? De outras bandas?

PM: No futuro tenho certeza de que faremos mais. Talvez algo do Johnny Cash, Bob Dylan. Tenho certeza que faremos algo, adoramos fazer covers. Mas temos tantas músicas próprias, temos o suficiente para dois ou três discos. Mal posso esperar para continuar! (risos) Precisamos de tempo.

SB: Você comentou que vocês estão trabalhando com uma agência para agendar shows. Vocês tem planos para uma turnê?

PM: Estamos em processo de contatos de propostas. Ainda não temos um empresário, mas teremos um logo e teremos que trabalhar com agências internacionais. E como eu disse, mal posso esperar para voltar ao Brasil e seria muito legal com o Stirwater. Eu amo o Brasil. Tenho certeza de que poderíamos trabalhar com músicos brasileiros. Uma vez que escutarem nossa música, acho que poderíamos trabalhar com músicos brasileiros, de percussão, guitarristas. Eu sempre vou deixar essa porta aberta para músicos convidados no Stirwater pois é uma bela experiência poder trabalhar com pessoas de diferentes partes do mundo e a música é basicamente um idioma internacional. E às vezes você não precisa falar, você apenas toca e essa é a magia.

SB: Não existe fronteiras.

PM: E eu admiro muito a música brasileira. Existem tantos músicos brasileiros que são ótimos, musicalmente, ritmicamente... Quem sabe a gente pode até ficar um pouco mais no Brasil e fazer um disco aí.

SB: Isso seria maravilhoso!

PM: Quem sabe... Eu não me importaria. Por exemplo, ficar no Rio de Janeiro e fazer um disco lá com a cooperação de alguns músicos brasileiros e talentosos... Por que não?

SB: Eu lembro que você tocou com músicos brasileiros há uns anos e foi fantástico. A combinação do rock com a percussão e aquele ritmo de capoeira, foi uma ótima fusão!

PM: Absolutamente. Como eu disse, a música é um idioma internacional. A música brasileira tem tanta intensidade com o ritmo e a melodia. Poderia ser uma combinação muito bonita. Tenho uma sensação muito boa sobre isso. Vamos ir ao Brasil um dia, ficaremos um tempo aí e faremos um cd!

SB: Maravilhoso. Eu estarei lá para testemunhar isso!

PM: Ótimo.

SB: Bom, alguns fãs ainda tem essa dúvida sobre o que o Stirwater realmente é. Você diria que é um projeto paralelo ao Scorpions ou uma banda na qual você planeja continuar a sua carreira?

PM: Definitivamente uma continuação. E por agora não é nem um bebê ainda, porque não lançamos nosso CD ainda, mas uma vez que tivermos, será como um bebê recém nascido, e aí você tem que dar conta, fazê-lo crescer. É um longo processo e temos que trabalhar, dar uma chance e esperar os efeitos. Mas nenhuma banda famosa ficou famosa em cerca de um ano. Pode demorar dois anos, cinco anos ou o quanto for necessário, não é um processo fácil.

SB: Esta última pergunta eu faço em nome de todos os fãs brasileiros. Todos precisam saber a resposta. Você não precisa ser específico, mas quem sabe pode nos dar alguma esperança. Você volta logo ao Brasil? (risos)

PM: Bom, pelo que sei, iremos (n.d.e: os Scorpions) fazer uma turnê nos Estados Unidos. Então uma vez que estivermos na América do Norte, deve ficar mais fácil dar um pulo na América do Sul. E eu espero que sim! Claro que existe a chance de voltarmos ao Brasil. Os fãs não se importariam, certo?

SB: De jeito algum! (risos)

PM: (risos)

SB: Eles estão enlouquecidos, precisam saber!

PM: Bom, ainda não há nenhuma informação oficial, mas ei, se você tiver esperanças, terá resultados. Ter esperança é bom e eu também tenho (risos).

SB: Estamos todos ansiosos para o Scorpions voltar aqui. E se você puder vir com o Stirwater será maravilhoso. Com certeza você terá o apoio dos fãs brasileiros.

PM: Muito obrigado.

SB: Obrigado a você por esta entrevista, por ter nos cedido esse tempo.

PM: Obrigado pelo apoio. Continuem tocando a nossa música. Tenho certeza de que vamos nos ver no Brasil no próximo ano. Tenho certeza de que vamos passar por aí (risos).

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Sobre Roberta Forster

Sou paulista, apaixonada por rock'n'roll, fotografia e literatura, nascida nos maravilhosos anos 80, funcionária pública, graduada em Artes Visuais pela Universidade Belas Artes de São Paulo. Especializei-me em fotografia pela Escola Focus em 2008 e, atualmente, estudo Letras na Universidade de São Paulo - USP e atuo como fotógrafa de Rock e Heavy Metal para o Whiplash! quando Chronos permite. Prazer!

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