Resenha - Death Magnetic - Metallica

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Resenha - Death Magnetic - Metallica


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Rapaz, missão complicada esta do Metallica. Cinco anos depois de “St.Anger” ser massacrado pela crítica e execrado pela maior parte dos fãs, os caras resolvem lançar um disco novo. Como eles conseguiriam contentar um grupo tão heterogêneo de fanáticos, trazendo novas faixas que agradassem ao mesmo tempo aqueles que sentem falta do peso do Metallica das antigas e aqueles que preferem a faceta mais pop pós-“Black Album”? Seria possível misturar “Master of Puppets” e as experimentações de “Load” e “Reload”? Esqueça. “Death Magnetic” não tira nenhuma destas dúvidas. O álbum está longe de ser genial. Mas que ele pode ser considerado um passo importante na trajetória do grupo ao tentar reencontrar sua identidade musical depois do escorregão de “St.Anger”, isso pode.

Nota: 8

O texto representa a opinião do autor, não do Whiplash.Net ou de seus editores.

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Dizer que o “Death Magnetic” é melhor do que “St.Anger” é pouco, até uma covardia, porque isso seria uma tarefa das mais fáceis. “Death Magnetic” é bem mais do que isso. Apenas para começar, para a alegria geral da nação, os solos estão de volta. Sim, Kirk Hammett está novamente sentando o braço, do jeito que o povo gosta. Mesmo no primeiro single, “The Day That Never Comes” – uma ótima canção que pode ter assustado os puristas com seu jeitão mais “acessível” mas que, convenhamos, não representa com justiça a totalidade de “Death Magnetic” - vemos um músico bem mais solto, à vontade com as seis cordas, diferente daquela postura travada e introvertida do disco anterior. Esta é a grande vitória do CD.

Aliás, desde os primeiros acordes de “That Was Just Your Life”, faixa que inicia o disco com uma força muito bem-vinda, já dá para sentir que a banda inteira está em casa novamente.

Mesmo Lars Ulrich, que é sem dúvida um músico limitado em suas baquetas, desempenha seu papel com segurança, diferente do sujeito que parecia espancar aleatoriamente um monte de latões de tinta em “St.Anger”.

Com “Death Magnetic”, o Metallica abandona a tentativa de soar new metal para a molecada e volta ao seu heavy metal cheio de melodias intrincadas e músicas com mais de 6 minutos, com o baixo encorpado de Robert Trujillo enfim provando a que veio – basta escutar, por exemplo, a levada quase hardcore de “Broken, Beat & Scarred”, herança de sua passagem pelo Suicidal Tendencies, para entender a força que ele imprime na cozinha de Ulrich.

O conjunto guitarra-baixo-bateria pode ser visto funcionando como uma engrenagem bem azeitada na primeira música instrumental dos sujeitos em muito tempo, “Suicide & Redemption”. Evidentemente, seria ridículo compará-la com “Orion”, mas o resultado é bastante interessante, com a devida dose de culhões para compensar a exibição de virtuosismo.

Ah, sim, preciso confessar uma coisa: juro que torci imediatamente o nariz quando vi o tracklist oficial de “Death Magnetic” e me deparei com “The Unforgiven III”. Pensei: “Catso, precisamos de mais uma Unforgiven? Já não chega?”. No fim das contas, a música tem personalidade e musicalidade próprias, mantendo-se próxima das outras duas apenas pelo introspectivo tema do pecado e do perdão - nem a abertura é aquela mesma tradicional, tendo sido substituída por um pianinho mezzo depressivo, mezzo macabro. Sinistro, até.

Por falar em continuações, pelo tema e pelos acordes iniciais, “All Nightmare Long” parece uma seqüência não-oficial de “Enter Sandman”. Mas que os fãs do “Black Album” esqueçam daquele refrãozinho grudento que a MTV adorava. Trata-se de um dos melhores trabalhos de guitarra da dupla Hammett/Hetfield no disco, em um solo enorme, complicado e impressionante.

Você me pergunta se “Death Magnetic” tem um ponto fraco? Sim, e ele se chama “Cyanide”. É uma música dispensável, achatada, sem altos e baixos, com um instrumental repetitivo e que não acrescenta em nada ao resultado final.

Para compensar este defeito, no entanto, fechando o álbum com chave de ouro, o Metallica dispara “My Apocalypse”, uma paulada agressiva, violenta e furiosa, repleta daquela testosterona que fez uma falta danada em “St.Anger”. A canção é 100% thrash metal, com James Hetfield em sua melhor performance nos últimos anos. Concordo com os colegas que dizem que “My Apocalypse” faz lembrar até os sons mais pesados dos colegas do Slayer. Fácil. O melhor momento destas 10 faixas, sem dúvida. Ouso dizer até que está na minha lista de “melhores músicas do ano”.

Quando Rick Rubin foi chamado pelo Metallica para assumir o papel de produtor no lugar do velho parceiro Bob Rock, teve gente com a pulga atrás da orelha. Afinal, Rubin é conhecido por sua reputação como salvador de bandas querendo retomar o brilho de outrora. Isso significaria um Metallica plenamente entregue ao passado para se redimir dos últimos anos? Não.

Em “Death Magnetic”, o que temos é um Metallica amadurecido e ao mesmo tempo revigorado, que foi buscar um pouco da energia de seus primeiros discos, mas sem se apoiar neles como uma muleta.

O resultado pode não ser ainda o ideal. Mas mostra toda a potência de uma banda que, diferente do que pode ser visto no documentário “Some Kind of Monster”, parece ter reencontrado o tesão de fazer música junta. Começando por aí, o Metallica só tem a acertar. Vejamos o que o futuro reserva para eles...e para nós.

Line-Up:
James Hetfield – Vocal e Guitarra
Kirk Hammett – Guitarra
Robert Trujillo – Baixo
Lars Ulrich – Bateria

Tracklist:
1. That Was Just Your Life
2. The End of the Line
3. Broken, Beat & Scarred
4. The Day That Never Comes
5. All Nightmare Long
6. Cyanide
7. The Unforgiven III
8. The Judas Kiss
9. Suicide & Redemption
10. My Apocalypse

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Sobre Thiago El Cid Cardim

Thiago Cardim é publicitário e jornalista. Nerd convicto, louco por cinema, séries de TV e histórias em quadrinhos. Vegetariano por opção, banger de coração, marvete de carteirinha. É apaixonado por Queen e Blind Guardian. Mas também adora Iron Maiden, Judas Priest, Aerosmith, Kiss, Anthrax, Stratovarius, Edguy, Kamelot, Manowar, Rhapsody, Mötley Crüe, Europe, Scorpions, Sebastian Bach, Michael Kiske, Jeff Scott Soto, System of a Down, The Darkness e mais uma porrada de coisas. Dentre os nacionais, curte Velhas Virgens, Ultraje a Rigor, Camisa de Vênus, Matanza, Sepultura, Tuatha de Danaan, Tubaína, Ira! e Premê. Escreve seus desatinos sobre música, cinema e quadrinhos no www.observatorionerd.com.br e no www.twitter.com/thiagocardim.

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