Metallica: suicídio e redenção é o que eles precisavam
Resenha - Death Magnetic - Metallica
Por Pedro Zambarda de Araújo
Fonte: Bola da Foca
Postado em 08 de janeiro de 2009
Bandas conseguem morrer. Uma delas teve um ano de morte bem demarcado: 2003. O falecido: a banda histórica Metallica, no lançamento de "St. Anger", um álbum que conquistou Grammy Award de 2004 mas que matou a essência deles assim que começou a rodar em público. Você pode dizer que esse trabalho "não foi tão ruim assim", que "apesar da ausência dos solos de guitarra, ele ainda é rock". Não adianta. Soa e parece algum industrialmente produzido, não o trabalho conjunto de pessoas que tocam aquela guitarra, aquele baixo e aquela bateria.
Metallica - Mais Novidades
Muitos se vendem ao mercado fonográfico, é verdade. Mas você percebe nos sons e nas mixagem que a "venda" é consciente. Não é o caso de "St. Anger". Seus antecessor, "Load" e "Reload" eram tentativas da banda de rumar por trilhas diferentes de "Master of Puppets", o álbum que Ozzy Osbourne diz conter "a mais bela música do heavy metal". No entanto, o sucessor não parecia nem uma coisa e nem outra. Eram caras simplesmente posando de malvados e, literalmente, sustentados pela excelente carreira que tiveram anteriormente.
A repulsa de fãs, não da crítica, os obrigou a rever o dever de casa. "Death Magnetic" é o resultado dessa tarefa do lar: um álbum melhor produzido, com músicos com espírito para tocar e compor. Não traz novidades, é verdade, mas resgata o que há de melhor. "Um" Metallica morreu (ou suicidou-se?) em St. Anger. "Outro" está presente nesse, apesar dos clichês.
"That Was Just Your Life", instrumentalmente, traz um thrash metal rasgado e vigoroso com algumas pausas. O que marca a música é a letra que, invariavelmente, remete aos erros cometidos pela banda, como a exposição pública que fizeram no documentário "Some Kind of Monster". Essa verdadeira "revisão" dá a humanidade que a banda precisava, sem soar como "música de bichinha".
Com um refrão e uma letra inteira que grudam no cérebro, "The End of Line" fala sobre limites e consegue mostrar o potencial de riffs do vocalista e guitarrista base James Hetfield, acompanhado por um solo arrebatador de Kirk Hammet, memorável mesmo (apesar de torcer o nariz de guitarristas que odeiam efeitos no instrumento). "The slave becomes the master". Música sobre superação mesmo.
"Broken, Beat and Scarred" lembra metal numa velocidade mais regular, mas com todo o seu peso e rigor. É uma música com excelentes viradas de baterias de Lars Urich, muito criticado pela som "caixa de fósforo" no CD St. Anger.
Eu não gostei de "The Day That Never Comes". Não achava ela tão ruim quando saiu, porque achava que o trabalho deles iria ser ruim. A grande maioria das pessoas que comentaram comigo acharam a faixa com a "calma adequada" pro ritmo frenético do Metallica. Eu achei a faixa uma cópia muito mal-feita de "One" e com a cara que foi produzida para agradar a MTV. De fato, virou o clipe principal do álbum, para minha infelicidade.
"All Nightmare Long" consegue soar com a dose certa de malícia e sem parecer babaca, como muitas bandas posers soam. Guitarras e refrão pegajoso em perfeita sincronia, enquanto a letra transborda inspiração. A velocidade, no final, como muitas pessoas disseram, chega ao cúmulo de parecer uma "hélice de helicóptero" em pleno funcionamento. É empolgante a energia de todos empregada nessa música.
Abusando de efeitos na guitarra, "Cyanide" começa com distorção para chegar em uma pausa que destaca o contrabaixo vigoroso e melódico de Robert Trujillo. "Judas Kiss" aposta em uma música em formato mais clássico, que define bem cada instrumento e a voz maleável de James Hetfield.
Essa faixa é a mais odiada antes mesmo de ser ouvida, justamente porque remete aos álbuns "Load" e "Reload" que criaram o rejeitado "St. Anger". "The Unforgiven III", no entanto, tem uma abertura belíssima em um piano não tão técnico, mas apenas sensível. Não é a "música de bichinha" que mencionei acima, mas bate em seus antecessores (especialmente "Unforgiven II", que eu acho uma droga). A letra em si não tem atrativos e repete uma história que eu não sei se as pessoas ainda têm saco pra ouvir, mas capricharam nos instrumentos. Meus honestos parabéns.
"Façam Slayer" comentou um internauta do orkut, ao comentar a música "My Apocalypse". Ela tem exatamente esse fator: tem toda a fúria e os graves da banda que acompanhou, inclusive, as crises do Metallica. É verdade que essa música falta com originalidade na criação, mas, sem dúvida nenhuma, é bem-vinda em uma banda que praticamente esqueceu que fez história pela energia que transmitia em suas guitarras elétricas. É pra ouvir e bater a cabeça que nem maluco, sem parar.
Pulei uma música antes dessa última. É uma faixa que considero mística no contexto atual do Metallica: chama-se "Suicide and Redemption". Não há vozes, há um instrumental agressivo, constante e... PROGRESSIVO! Sim, senhoras e senhores: o Metallica é mais uma banda vendida às técnicas musicais. Mas isso é bom em um grupo que recebeu críticas de todos os tipos. O guitarrista solo, Kirk Hammet, por exemplo, já foi aconselhado por seu professor (ninguém menos do que o conceituado Joe Satriani) a "se despedir" do instrumento, por falhas motoras ao tocar. Kirk dá um baile nessa música, mesmo não sendo o melhor dos melhores. O título em si é uma chuva de água fria pra quem estava desacreditado no Metallica.
Suicídio e redenção é o que eles precisavam. Agora, resta esperar o próximo trabalho, para saber se, finalmente, o "filho desse nascimento" tão conturbado dará frutos.
Outras resenhas de Death Magnetic - Metallica
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



O megastar maior que o Pink Floyd cujo show David Gilmour achou apenas "mediano"
A insana rotina matinal de Lemmy revelada pelo baterista do The Clash
Skid Row anuncia versão remasterizada de coletânea, que será lançada em novembro
Metallica contribuiu para a ascensão do grunge e do Nirvana, segundo Kirk Hammett
A estrela de Hollywood que ajudou a transformar uma canção em clássico do Guns N' Roses
Quanto do Angra pertence a Felipe Andreoli, Rafael Bittencourt e Kiko Loureiro
Usina da capa de "Animals", do Pink Floyd, se tornará espaço para shows
O grupo pop que Ian Gillan considera muito bom em fazer música comercial
Mark Knopfler e os três guitarristas que moldaram seu estilo inconfundível de tocar
Vivian Campbell relembra teste para entrar na banda de Dio; "Eles estavam chapados"
Paulo Ricardo e Seu Jorge ganham aval da família de Marvin Gaye para versão de clássico
O principal problema do novo documentário dos Raimundos, segundo Digão
As melhores músicas do rock progressivo com mais de 30 minutos, segundo a Loudwire
King Diamond relança "Halloween" para o Halloween
Devin Townsend cuida de um jardim para pagar o seu aluguel
A obscura e "desafiadora" música do Rush que Neil Peart adorava "tanto ouvir quanto tocar"
A triste constatação de Erasmo Carlos sobre o rock brasileiro
Discos e Histórias: a ressurreição do Metallica em Death Magnetic
John Carpenter, diretor do filme "Halloween" gostaria de dirigir um clipe do Metallica
Em 1996, revista provou que James Hetfield e Lars Ulrich não se conheciam
A reação empolgada do público ao ouvir "Enter Sandman" ao vivo pela primeira vez
A reação de Jason Newsted ao ouvir uma música de "St. Anger" no rádio
Dave Mustaine revela o gesto de James Hetfield em seu momento mais difícil
Existe uma banda de metal para cada tipo de chefe e você vai reconhecer o seu
Matt Heafy (Trivium) cita os 3 álbuns que mais o influenciaram
Os 10 covers mais tocados pelo Metallica ao vivo, segundo a Noise Creep
Metallica: And Justice For All é um álbum injustiçado?



