Resenha - Man Of Yesterday (The Anthology) - David Byron

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Resenha - Man Of Yesterday (The Anthology) - David Byron


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David Byron viveu apenas até os seus 38 anos, quando foi encontrado de forma melancólica pelo cunhado, morto em sua casa em virtude do consumo abusivo de álcool. Mesmo assim, o lendário vocalista do Uriah Heep deixou um legado que é até hoje reverenciado por legiões de fãs, e em homenagem pelos 20 anos de sua morte, a Sanctuary lançou esta antologia bastante representativa.

Nota: 9

O texto representa a opinião do autor, não do Whiplash.Net ou de seus editores.

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Ainda nos anos 60, David Byron (cujo sobrenome era na realidade Garrick), fez parte de algumas bandas na Inglaterra, sendo as mais notáveis o The Stalkers e o Spice. Em ambas, seu parceiro principal era o guitarrista Mick Box. Com ele, participou inclusive de várias sessões de gravações isoladas, como forma de ganhar uma grana extra enquanto alguma de suas bandas não decolava. O quarteto Spice eventualmente viria a mudar o seu nome para Uriah Heep com a entrada do tecladista/guitarrista/vocalista Ken Hensley, mas isso já é outra história.

Entre as referidas sessões estavam gravações de covers para discos lançados pela Avenue Records, como por exemplo “Sugar Sugar”, do Archies. Nessas sessões, Byron acabou conhecendo Elton John, ainda um ilustre desconhecido (e que havia sido cogitado para integrar o King Crimson inicial, pasmem!), que o indicou ao produtor John Schroeder, notável por gravar discos com músicos de rock e pop, e adicionando arranjos orquestrais. Com ele, Byron cantou três músicas no disco “You've Made Me So Very Happy” e quatro no disco “Witchi Tai To”. Deste último estão presentes 3 faixas na compilação ora resenhada, justamente as primeiras do disco 1. Uma boa amostra da versatilidade da voz tão característica de Byron, que pode variar de um quase tenor a um falsete, e agudos dignos de um Ian Gillan.

Seguindo, estão presentes duas músicas do Spice, logo antes da entrada de Hensley, mas já tentativamente como um quinteto contando com o tecladista Colin Wood, que deu uma pitada jazzística ao grupo. Mas esse não era o som que a banda buscava, que era na verdade inspirado pelo hard rock com toques progressivos do Vanilla Fudge (o Deep Purple bebeu exatamente na mesma fonte, por sinal, quando alterou seu som e substituiu Rod Evans e Nick Simper por Gillan e Glover, respectivamente). Daí a entrada de Hensley, oriundo do The Gods, banda na qual tocou com Greg Lake (ELP, King Crimson) e Mick Taylor (John Mayall’s Bluesbreakers, Rolling Stones). Desenvolvendo o hard rock melodioso tão característico que pontuou boa parte da carreira do Heep, os 5 músicos (completavam a formação inicial o baixista Paul Newton e o baterista Alex Napier) rapidamente decolaram para o sucesso. Da fase do Heep com Byron pilotando os vocais (1970-1976) estão presentes aqui vários hits, tais como “Gypsy”, “The Wizard”, “Easy Livin’”, e um indefectível registro ao vivo, onde a banda é imbatível até os dias de hoje: o seu famoso “Rock’n’Roll Medley” (contando já com o sensacional baixista Gary Thain e o baterista Lee Kerslake). As várias facetas de Byron estão claras na dinâmica música do Uriah Heep: desde baladas densas como “Rain” e “The Easy Road”, passando por faixas mais progressivas como “Sweet Freedom”, “Wonderworld” e “Beautiful Dream”, até chegar a músicas mais pesadas como a já citada “Gypsy”. Byron alcançou o topo como desejava, e em alguns países (como o Japão e a Alemanha), o Uriah Heep chegou em alguns momentos a ser mais popular que outras bandas inglesas de grande sucesso, como o Led Zeppelin.

O segundo CD desta compilação mostra a carreira pós-Heep de Byron. Na realidade, as primeiras faixas são do seu primeiro disco solo “Take No Prisoners”, que ele gravou em 1975, quando ainda estava na banda. As músicas escolhidas são as melhores do disco, na minha opinião, com destaque para “Man Full Of Yesterdays”, quase autobiográfica e que, talvez por isso, deu a idéia para o título desta coletânea, e “Midnight Flyer”, um rockão juntando guitarras pesadas a um Mellotron pungente, mais o vocal idiossincrático de Byron, é claro. Aqui aparece a verdadeira raridade deste CD duplo: a inclusão da música “What’s Goin’ On”, que foi gravada nas mesmas sessões, mas que acabou ficando de fora do disco solo mencionado. Se tivessem incluído também a faixa “Prince Of Darkness” (ainda inédita, portanto), e algumas outras raridades originalmente elencadas, esse compilação mereceria nota 10. Mas a Sanctuary sempre guarda algumas pérolas para futuros lançamentos, sabe como são essas coisas...

Seguem-se faixas do Rough Diamond, banda que Byron montou em 1977 juntamente ao baterista Geoff Britton (ex-Wings), e que contava com o grande Dave “Clem” Clempson na guitarra (Colosseum, Humble Pie, Jack Bruce, etc.). Novamente, músicas muito bem selecionadas pelo produtor Rob Corich, entre elas o clássico “Seasong”, contendo uma interpretação inspirada de Byron e um solo sensacional de Clempson.

Em 1978, Byron gravou seu segundo disco solo, “Baby Faced Killer”, e dele foram mais uma vez selecionadas as faixas mais fortes, com destaque para “Heaven Or Hell” e “I Remember”, esta incluindo um magnífico solo de guitarra de Mick Box (creditado no disco original como “a guest lead guitarist”, por questões contratuais). Por fim, algumas músicas da última banda de Byron, The Byron Band, que contava com o guitarrista Robin George e o saxofonista Mel Collins (ex-King Crimson). Uma curiosidade mórbida: George ironicamente viria também a tocar com o baixista/vocalista Phil Lynott pouco antes de sua morte, que ocorreu um ano após a de Byron. Do único disco da Byron Band, “On The Rocks” (1981), mais uma vez boas escolhas foram feitas para inserção aqui, entre elas a excelente “How Do You Sleep?”, e algumas faixas de singles.

Como comentei acima, se algumas inclusões houvessem sido feitas (e chegaram a ser cogitadas!), como por exemplo as oriundas das últimas sessões de Byron com o tecladista John “Rabbit” Bundrick (Free, Crawler, The Who) em 1984, e outras raridades já mencionadas, esta seria a coletânea definitiva cobrindo a carreira deste excepcional vocalista. Uma justa homenagem de qualquer forma a David Byron, que nos deixou muito cedo, no dia 28 de fevereiro de 1985, por não conseguir conviver com o sucesso e principalmente com a eventual falta deste.

Tracklist:

CD 1

John Schroeder

- Wanna Thank You Girl (edit)
- The Bird Has Flown (edit)
- Witchi Tai To

Spice

- Magic Lantern (alternative version)
- Born In A Trunk (previously unreleased version)

Uriah Heep

- Come Away Melinda (previously unreleased version)
- Wake Up, Set Your Sight (previously unreleased version)
- Gypsy
- The Wizard
- Easy Livin'
- Rain
- Stealin'
- Sweet Freedom
- Wonderworld
- The Easy Road (out-take, previously unreleased)
- Beautiful Dream (alternative version)
- Rock 'N' Roll Medley (live)

CD 2

David Byron

- Man Full Of Yesterdays
- Love Song
- Steamin' Along (single edit)
- Midnight Flyer
- What's Goin' On (previously unreleased)
- Silver White Man (previously unreleased version)

Rough Diamond

- Rock 'N' Roll
- Hobo
- Seasong

David Byron

- Baby Faced Killer
- Heaven Or Hell
- I Remember

The Byron Band

- Every Inch Of The Way (single A-side)
- Routine (single B-side)
- Tired Eyes (single B-side)
- How Do You Sleep?
- Piece Of My Love
- Rebecca

Site: www.david-byron.com

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Sobre Rodrigo Werneck

Carioca nascido em 1969, engenheiro por formação e empresário do ramo musical por opção, sendo sócio da D’Alegria Custom Made (www.dalegria.com). Foi co-editor da extinta revista Musical Box e atualmente é co-editor do site Just About Music (JAM), além de colaborar eventualmente com as revistas Rock Brigade e Poeira Zine (Brasil), Times! (Alemanha) e InRock (Rússia), além dos sites Whiplash! e Rock Progressivo Brasil (RPB). Webmaster dos sites oficiais do Uriah Heep e Ken Hensley, o que lhe garante um bocado de trabalho sem remuneração, mais a possibilidade de receber alguns CDs por mês e a certeza de receber toneladas de e-mails por dia.

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