Resenha - And Lucifer Aeternam Gloriam - Crux Caelifera
Por Sílvio Costa
Postado em 10 de setembro de 2004
Nota: 8 ![]()
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Investindo num som cadenciado e que vem, de uma vez por todas, mostrar que black metal pode sim ser um estilo versátil e bem realizado, desde que estejam presentes talento e trabalho árduo, o Crux Caelifera lança seu primeiro CD. O resultado não poderia ser mais satisfatório. Aliando bases cadenciadas, teclados climáticos e vocais cheios de variações, o disco desta banda paulista surpreende justamente por mostrar que, apesar do crescimento que vem passando o estilo há já bastante tempo, o black metal ainda está distante da saturação.

O Crux Caelifera tem a vantagem de contar com a experiência e versatilidade do vocalista Vlad d´Hades (ex-Miasthenia), que consegue alternar diversos estilos de voz, indo do mais rasgado ao mais melódico sem maiores problemas. Além disso, a presença do talentoso tecladista Flagellum (que também toca no Mithological Cold Towers) só ajuda a enriquecer ainda mais o som do grupo. Quase não há espaço para blast beats, já que a banda optou por uma condução mais ligada ao doom metal. Em faixas como a incrível "Lord Morpheus, Máster of the Dreams" a alternância de vocais gritados, guturais e épicos cria um ambiente tão soturno que chega a assustar os incautos. É uma mistura muito bem sacada de Viking Metal, Heavy tradicional (como acontece na faixa título) e até alguma coisa de darkwave (de forma muito sutil) pode ajudar a caracterizar o som do grupo. Posso assegurar que o Crux Caelifera é o único de sua espécie, pelo menos aqui no Brasil, onde se tem feito muita cópia de bandas européias sem que isto resulte em trabalhos de qualidade.
A produção é bastante caprichada e foi realizada por Beto Martins. Embora a timbragem dos instrumentos ainda deixe a desejar em algumas passagens, isso não compromete o trabalho aqui apresentado. A gravação é excelente (realizada no Ancient Valley's Towers estúdio). O principal problema aqui acontece quando há abusos de vocais limpos. Eles soam meio deslocados, mas isto não chega a ser ruim. Apenas é algo que a banda precisa desenvolver melhor e, seguramente, nos próximos trabalhos, isto não será mais problema. Autenticas aulas de sofisticação sob forma de metal negro (ouça "Call of the Souls" e comprove) são constantes no disco. Mas o melhor mesmo fica para o final, quando Flagellum resolve criar uma pequena masterpiece com sintetizadores e teclados, numa espécie de trilha incidental satânica. "Horizon Eyes of Lucifer" é a melhor faixa deste CD que tem tudo para pavimentar o caminho do Crux Caelifera rumo ao altar dos gigantes do black metal nacional.
Banda:
Vlad d’ Hades: vocais e guitarras
Agnus Noctis – guitarras
Lord Morpheus – baixo
Prophanus – bateria
Flagellum – teclados
Contatos:
Caixa Postal 63542
São Paulo – SP
02138-960
[email protected]
Somber Music:
http://www.sombermusic.com
somber@sombermusic@com
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