O guitarrista dos anos setenta que The Edge diz ter influenciado todo mundo
Por Bruce William
Postado em 05 de junho de 2026
The Edge ficou conhecido por uma forma de tocar guitarra bem diferente da tradição mais exibicionista do rock. No U2, ele construiu sua identidade com delay, ecos, texturas, repetições e frases que muitas vezes funcionam mais como arquitetura sonora do que como solo tradicional. Mesmo assim, antes de encontrar esse caminho, ele também teve seus heróis de guitarra.
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Um dos mais importantes foi Rory Gallagher. Para um jovem músico crescendo na Irlanda nos anos 70, Gallagher não era apenas um bom guitarrista de blues rock. Era uma prova local de que alguém dali podia subir ao palco, tocar com intensidade brutal e ser respeitado por músicos e fãs muito além do próprio país.
The Edge falou sobre Gallagher em termos bem fortes. "Rory Gallagher era o cara para qualquer fã de música da Irlanda em meados dos anos 1970. Especialmente para alguém como eu, que estava tentando na época dominar a guitarra elétrica. Ele era difícil de acompanhar. Tinha uma facilidade e um domínio invejáveis. Ele nos deixou cedo demais, mas seu legado é evidente no número de jovens guitarristas que são atraídos por sua música", afirmou, em fala resgatada pela Far Out.
Gallagher já vinha de uma trajetória importante antes de sua carreira solo, especialmente com o Taste, banda formada nos anos 60. Depois, nos anos 70, consolidou-se como um guitarrista de palco, ligado ao blues, mas sem soar preso a uma reprodução limpa demais do gênero. Seu jeito de tocar tinha suor, urgência e uma relação muito física com a guitarra.
A influência sobre The Edge não aparece em cópia direta. O guitarrista do U2 não seguiu o caminho dos longos solos de blues rock, nem tentou soar como Gallagher. Sua linguagem foi para outro lado, mais econômica e baseada em efeitos, atmosfera e repetição. Mas a influência pode estar em outro lugar: na percepção de que a guitarra podia carregar identidade própria, não apenas acompanhar a música.
Gallagher também teve esse papel para outros músicos. Brian May, do Queen, já citou o guitarrista irlandês como influência importante para seu som, especialmente pelo impacto de vê-lo tocando com uma Stratocaster surrada e tirando dela uma força que parecia difícil de explicar. Isso ajuda a entender por que Gallagher é lembrado tantas vezes por guitarristas, mesmo sem ter ocupado o mesmo espaço comercial de nomes como Jimmy Page, Eric Clapton ou Jeff Beck.
No caso de The Edge, a admiração por Rory Gallagher mostra uma camada anterior ao U2 mais conhecido. Antes das paisagens sonoras de The Joshua Tree, dos ecos de "Where the Streets Have No Name" e da guitarra quase percussiva de "I Will Follow", havia um adolescente irlandês tentando entender o instrumento e olhando para alguém que parecia dominar aquilo com naturalidade.
Gallagher morreu em 1995, aos 47 anos. Para The Edge, sua importância continuou visível justamente na quantidade de jovens guitarristas que ainda descobrem sua música. Talvez esse seja um bom resumo de sua posição na história do rock: ele não foi o maior astro de sua geração, mas foi um daqueles músicos que fazem outros músicos prestarem atenção. E, em guitarra, esse tipo de respeito costuma durar mais do que muita campanha promocional.
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