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Cosmo's Factory - Creedence Clearwater Revival

Por Raul Branco | Em 26/05/02
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Um dos grupos mais respeitados dos anos 60, o Creedence Clearwater Revival teve apenas duas formações: com e sem John C. Fogerty. Sua importância como compositor, guitarrista, arranjador e cantor era tão grande que a banda praticamente desmoronou com sua saída, caindo de produção e passando a viver de shows, apresentando canções da fase em que John Fogerty conduzia as rédeas do grupo que trouxe o bluegrass para o rock.

"Cosmos Factory" é um dos mais brilhantes filhos de uma prole gerada por John, seu irmão Tom (guitarra), Doug Clifford (baixo) e Stu Cook (bateria), seqüência de outros três discos fantásticos, "Bayou Country", "Green River" e "Willy And The Poor Boys", além de ser uma prévia do bem sucedido álbum "Pendulum", o último disco do quarteto.

"Cosmos Factory" traz regravações de clássicos como "Ooby Dooby" (gravado anteriormente por Roy Orbison), "Before You Accuse Me", "My Baby Left Me" e a mais que antológica "I Heard It Through The Grapevine", um dos maiores sucessos de Marvin Gaye, que se tornaria presença obrigatória em qualquer coletânea sobre o grupo. A idéia de se gravar músicas de outros intérpretes nunca soou estranha para o Creedence, sendo que muitos hits retomaram a parada de sucessos graças aos arranjos renovadores e, digamos, revitalizadores de John Fogerty. Esse caminho foi trilhado por clássicos como "I Put A Spell On You", "Suzie Q" e "Good Golly Miss Molly".

O álbum se completava com as composições originais de John: "Ramble Tamble", "Travellin' Band", "Lookin' Out My Back Door", "Run Through The Jungle", "Up Around The Bend", "Long As I Can See The Light" e a música que se tornaria uma das assinaturas do CCR, "Who'll Stop The Rain".

Ao contrário de outras bandas contemporâneas, o Creedence não era formado por músicos extremamente talentosos e respeitados dos grandes centros, como New York, Los Angeles ou San Francisco. Eles vieram de San Jose, embebidos nas suas raízes originadas no bluegrass e eram, tecnicamente falando, bem limitados. Se Doug e Stu seguravam a barra apenas decentemente, não se podia esperar mais que isso deles, da mesma maneira que a guitarra de Tom era tímida e contida. A força do Creedence estava centrada nas idéias, vocais, solos e arranjos de John e, acima de tudo isso, no conceito de grupo. O Creedence foi uma daquelas bandas em que a química do conjunto rendia muito mais que a contribuição individual de seus membros.

"Cosmo's Factory" foi produzido por John Fogerty e gravado sem muitos canais ou efeitos, com os instrumentos clássicos do rock, sem vocais elaborados, sem participações especiais, mas com uma sinceridade que atraía público e crítica. É um disco que não envelhece e digno de estar em qualquer coletânea dos maiores momentos do rock, como poderiam estar quase todos os trabalhos do Creedence Clearwater Revival.

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