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Resenha - Enlighten Me (Maxi-Single) - Masterplan

Nota: 8

O texto representa a opinião do autor e não a opinião do Whiplash.Net ou de seus editores.

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Fazer a prova em doze minutos, aguardar a minha mina terminar a dela, sair às pressas para deixá-la perto de casa, levar multa e tudo isso para quê? Para ver uma apresentação deselegante de uma banda que nunca viera ao Brasil dar um show completo e decente? No sábado anterior eu não pudera comparecer, e, por conseguinte, me alegrei ao tomar conhecimento da oportunidade extra para vê-los. Fui levado a crer que a quantidade de público naquela terça-feira em relação à casa lotada de outrora seria o motivo para tamanha displicência, algo envolvendo estrelismo, mas mal eu supunha que este era o começo do “fim”. Fiquei me indagando se aquilo que sentira era cansaço ou desaprovação ao ‘setlist’, ao som embolado, contudo, dias depois a razão do clima brabo veio a se esclarecer: o guitarrista Roland Grapow e o baterista Uli Kusch estavam prestes a ser dispensados, um desfalque incomensurável para o Helloween, alegados os motivos dúbios de que estes vinham se dedicando em demasia a seus projetos paralelos (incluindo um em especial com o vocalista do Symphony X, Russel Allen), não focando sua atenção única e exclusivamente à empreitada principal de que tomavam parte. Se isso serve de desculpa, o que fazer com o baixista Markus Großkopf, um dos fundadores (portanto não pode ser despedido), que no ensejo participara do aclamado Tobias Sammet’s Avantasia? (não compôs, mas tocou!) Bem, ele é quem animava as coisas no palco, seguido do primeiro dos nomes supracitados. E agora? Nem a gloriosa Mãe Dinah pode por em clarividência o futuro dos ali remanescentes... Mark Cross? Sasha Gerntz? e agora Mickey Dee quebrando um galho? Deus queira que a despeito de tal recém-chegada eles possam dar suas opiniões e trazer boas influências... nem precisam ser exímios músicos, apenas criativos, simpáticos, e dotados de gana, OK? Claro, mas essa já é uma outra história a se discutir...

Assim, ao passo que a equipe acima decretava seu estado de inércia, os dois egressos se mantiveram atados, e, longe do hiato, incendiaram o estopim da separação que se convencionou chamar de Masterplan (sugestão de um fã mexicano), solidificado com um ‘line-up’ bem diferente do originalmente previsto, já que este deixara de ser um passatempo. Devido à impossibilidade de clonar o frontman idealizado, o norueguês Jorn Lande (Jorn, Beyond Twilight, ex-ARK, The Snakes e dezenas de outros) ocupou as vozes do grupo, Axel Mackenrott entrou no lugar do (também ocupado) tecladista do Children of Bodom, e Jan-S.Eckert (Iron Savior) chegou em substituição ao baixista Jürgen Attig.

O primeiro fruto desta união a ser prensado foi a cover “Black Dog” do Led Zeppelin no tributo The Metal Zeppelin - The Music Remains The Same, que aqui aparece como faixa-bônus. Boa, como era de se esperar, mas que cuja simulação sexual perpetrada por Robert Plant no original, se mostrou difícil de reproduzir e pode não agradar. Não obstante, Jorn Lande é um profissional espetacular (posso me considerar o seguidor número 1 dele) e prova o porquê disso nas composições próprias do conjunto, das quais é um dos três responsáveis em potencial. A que dá título a este maxi-single, “Enlighten Me”, é uma peça atmosférica, voltada ao progressivo, que aparece em duas versões, uma editada e outra com solo, que estará no álbum auto-intitulado, a ser lançado no dia 20 de janeiro. Seu refrão pujante é a marca registrada, assim como qualquer linha vocal de “Kind Hearted Light”, bem mais ‘up-tempo’, que começa com teclas a lá Stratovarius, algo que se desvanece em seu desenrolar, ratificando a posição anticopiativa fronte às abóboras germânicas, até mesmo pelo distanciamento interpretativo que Lande traz, mais puxado à agressividade setentista de um Dio ou um Coverdale. A vida expelida por ele pôde até transformar em simpática a simplória balada “Through Thick and Thin”, que servirá de brinde para o mercado japonês e pode ou não figurar o ‘tracklist’ definitivo do lançamento europeu. O fato é que a licenciada nipônica Marquee Avalon anunciou ela e “The Kid Rocks On” como sendo mais apropriadas a seus preceitos comerciais do que as excluídas “Enlighten Me” (?!?!?) e a pesada/cadenciada “Bleeding Eyes” (reminiscência da “Escalation 666” do The Dark Ride), justificando uma variação quantitativa entre continentes.

Confusões à parte, taí mais um exemplo de mal que veio para o bem, cisão esta que traz preciosidades recentes como o Shaman e quiçá o Circle II Circle do ex-Savatage Zak Stevens. Para não estragar a surpresa, prepare-se, pois em breve verás aqui no Whiplash! a resenha deste que vem sendo votado como “álbum do mês” em diversas publicações da mídia especializada (espere até ouvir uma tal de “Crawling from Hell” e o dueto em “Heroes” com o também ex-Helloween Michael Kiske – inicialmente, queriam-no como membro fixo). Torcemos por eles, mesmo tendo o ‘Sansão’ Uli Kusch cortado suas lindas tranças de Rapunzel... e que é aquilo? Luzes nos cabelos? Podes crê, farei o mesmo nos meus...

Duração - 21:26 (5 faixas)

Com produção do renomado Andy Sneap, escorado por ninguém menos que Roy Z.

Website oficial: www.master-plan.net

OBS: Realmente uma pena Jorn Lande ter se desligado do ARK para se dedicar tão somente ao Masterplan, afinal, após uma estréia estonteante, o que se seguiu foi uma obra-prima chamada “Burn the Sun”, facilmente o melhor opus do ano 2001. E logo agora que eles estavam gravando o terceiro ‘play’... snif!

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