Peter Grant: o homem por trás do Led Zeppelin

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Peter Grant: o homem por trás do Led Zeppelin

Por Guilherme Camardella | Fonte: Led Zeppelin - Mick Wall

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Como fãs de Rock e leitores do Whiplash, ao ouvirmos as palavras LED ZEPPELIN diversos tipos de sentimentos passam pelas nossas cabeças; desde a técnica apurada de seus membros, as extravagâncias fora dos palcos, ou até mesmo o “suposto” envolvimento com o ocultismo de JIMMY PAGE. Enfim, fatos e curiosidades que os colocam no posto indiscutível de uma das maiores bandas de todos os tempos. O que muitos não sabem, é que um homem por trás desse Gigante do Rock foi (também) um dos responsáveis por este sucesso: Ele se chama PETER GRANT!!!

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Peter nasceu em 05 de abril de 1935, no sul de Londres em um subúrbio chamado South Norwood, filho de mãe solteira. Como em toda família de classe operária, Grant se viu obrigado a trabalhar em indústrias e servir ao exercito até se deparar com o sonho da indústria do entretenimento. Jovem e alto, porte físico avantajado, primeiro tentou ser ator e vinha obtendo relativos “êxitos”. Sempre com pontas ou papéis pequenos, é possível vê-lo por exemplo em Canhões de Navarone ou Cleópatra. Na TV a mesma coisa, porém com mais destaque em O Santo, aonde era um bar-man e até mesmo tinha algumas falas com Roger Moore.

A tentativa na carreira de ator não permaneceu por muito tempo e no começo da década de 60 ele começou a trabalhar com Don Arden (pai de Sharon Osbourne), um empresário que utilizava de meios não muito convencionais para obter os seus resultados, porém respeitado. Grant era o Road Manager das turnês britânicas de artistas como: LITTLE RICHARD, CHUCK BERRY, ANIMALS, etc. Ali, Grant aprendeu todos os meandros que a vida de um empresário do Rock poderia exigir.

Em 66, já gerindo os seus próprios atos – junto ao seu sócio Mickie Most – Grant foi convidado para cuidar da carreira dos YARDBIRDS. Banda de médio sucesso no Reino Unido e maior prestígio nos Estados Unidos cujo destaque ficava por conta dos guitarristas: JEFF BECK e JIMMY PAGE. Porém Grant já pegou a banda em uma decrescente e nada pode fazer. Em 68 já estava decretado o fim dos YARDBIRDS, após uma turnê americana.

Com o fim iminente da banda, o momento era de recomeço e é justamente nessa hora que Grant estaria dando o seu passo derradeiro. Impressionante como em alguns momentos sutis, chances de ouro podem passar despercebidas aos nossos olhos; não para os de Peter Grant. Em uma conversa com o então “jovem” JIMMY PAGE, Grant ouviu sobre os passos que aquele guitarrista pensava em dar após o término de sua banda e que pensava em seguir com o nome de New Yardbirds. Peter, que apesar de todo o seu tamanho e os seus quilos, teve a sensibilidade de notar que o talento daquele jovem guitarrista era algo diferente, e que de fato valeria a aposta. Acreditou tanto, que se reuniu com Mickie e ofereceu a sua parte do THE JEFF BECK GROUP – que naquele mesmo ano já obtinha sucesso internacional com o álbum “Truth” – para poder ter o controle total do New Yardbirds. Claro que Mickie concordou.

Após recrutarem os outros membros para o que eu considero como o quarteto de ouro da história do Rock, o New Yardbirds se viu obrigado a mudar de nome por problemas judiciais com um ex-membro da antiga banda e assim nasceu o LED ZEPPELIN. Grant estabeleceu uma relação muito forte com JIMMY PAGE e somado a isso, deu total liberdade criativa para o grupo; sem pressões, levando a risca o lema “meu artista em primeiro lugar”, ou como JOHN PAUL JONES disse a Mick Wall em Quando os Gigantes caminhavam sobre a Terra: “Peter confiava em nós para fazer a música, e então mantinha todo mundo a distância, garantindo-nos espaço para fazer o que quiséssemos sem a interferência de ninguém – imprensa, gravadora, promotores. Ele só tinha a nós como clientes e reconhecia que, se fôssemos bem, ele também iria. Sempre acreditou que seríamos muito famosos, e as pessoas tinham medo de não aceitar seus termos e perder algo. Mas todo esse negócio de renegociar contratos na base da intimidação é bobagem. Ele não pendurava as pessoas na janela e todas essas besteiras.” Com o financiamento independente de Page, ainda em 68, nasce o álbum Led Zeppelin 1.

Não se sabe até que ponto era lenda ou verdade sobre a fama de Peter Grant ser um pressionador/intimidador, porém foi com estas que ele conseguiu coisas nunca antes conseguidas a um artista com gravadoras e promotores de shows. Com uma obra-prima pronta embaixo dos braços, Grant rumou para os Estados Unidos afim de conseguir uma gravadora e não só assinou com a Atlantic Records por 5 anos, como voltou para o Reino Unido com o maior adiantamento da história para um artista não contratado: 143.000 dólares, sem que a Atlantic sequer tenha visto-os tocar!!! Em 1968 isso era uma quantia muito mais considerável do que hoje é, claro. A Atlantic fabricava, distribuía, promovia os discos e só; sem essas de “meter o bedelho” no trabalho do artista. A produção dos álbuns era com JIMMY PAGE e a Produção Executiva com Peter Grant, o contrato dos sonhos.

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É notável como ele sempre viu no mercado americano, o local aonde o som foi melhor recebido e PAGE gozava de certa fama pelo seu antigo grupo. Importante ressaltar que o foco nos Estados Unidos tem papel fundamental e ajudou (e muito) para que o LED tenha vendido tantos milhões de cópias e tenha tido tantos recordes de arrecadação em turnês. Outra jogada de mestre.

Como já é do conhecimento de todos nós, o LED permaneceu a sua ascendente carreira lançando grandes álbuns e fazendo cada vez mais sucesso nos EUA e ao redor do mundo, sempre tendo por trás um cara disposto a agarrar pela gola e por na parede quem tentasse atravessar o caminho deles. Não como Don Arden, que só visava benefício próprio, mas para o bem de todos. Peter Grant via os membros do LED ZEPPELIN como amigos, o que eram na realidade, e JIMMY PAGE em especial como um filho. Nessa época era de praxe que os promotores pagassem aos artistas 10, 20 por cento da bilheteria. Com os seus “métodos” Peter conseguiu que ficassem com 90 por cento do lucro de todas as turnês, o que futuramente faria com que todos os recordes – antes pertencentes aos BEATLES e aos STONES – de faturamento e popularidade fossem quebrados. Em 74 Peter Grant lança junto ao LED ZEPPELIN o selo próprio da banda, o Swan Song, com distribuição da Atlantic. Seguindo a tendência iniciada pelo Apple dos Beatles, Grant dá mais dinheiro e autonomia artística, sendo também responsável por artistas lucrativos como o BAD COMPANY de PAUL RODGERS.

Quando tudo parecia bem, a segunda metade da década de 70, trouxe o declínio do LED ZEPPELIN e Peter Grant consequentemente. Diversos contratempos fora dos palcos, muito atribuídos ao abuso de drogas, outros pelo [já citado] “suposto” envolvimento de JIMMY PAGE com o ocultismo, acidentes e a morte inexplicável do filho de ROBERT PLANT, fizeram o Led descer em queda livre e nesse momento e ele não tinha mais forças para “segurar” a barra. Após ter se separado de sua esposa, Peter Grant entrou de cabeça na cocaína e ficava horas trancado em seu escritório cheirando pó. Isso o tornou mais psicótico e a síndrome do pânico passou a assombrar sua vida. Como citei acima, para um cara com características um tanto rudes, essa chapação de coca e seus efeitos colaterais não poderiam ser piores. Em 77 ocorre um episódio fatídico no jeito “de ser” de Peter. Em um show em Oakland um segurança local é acusado de esbofetear o rosto do filho de Grant, o que o faz ser barbaramente espancado por ele, Richard Cole e JOHN BONHAM, fazendo com que uma equipe da SWAT entrasse no hotel em que eles estavam hospedados e os prendessem. Em 79 o episódio para a negociação dos 2 shows em Knebworth também foi envolvido de muita ameaça e paranóias. Com um acordo para 2 dias de 250 mil pessoas, ao ver que o número não havia nem chegado próximo, Grant exigiu o pagamento total dos valores emitindo fortes ameaças aos promotores do show e causando forte prejuízo aos mesmos. Peter Grant nunca foi santo, porém sempre esteve disposto a tudo pelo LED ZEPPELIN. Neste final, ele estava pior, bem pior nesse ponto.

A morte de JOHN BONHAM em 80 serviu como uma pá de cal não só para o grupo mas também para Peter Grant. Viciado em cocaína, imensamente gordo e abandonado pela esposa, Peter se blindou em seu império e raramente apareceu publicamente vindo a falecer de ataque cardíaco em 1995.

É inegável a contribuição dada por Grant tanto quanto acreditou no jovem JIMMY PAGE, saído de uma banda dilacerada, quanto quando o trabalho de verdade havia começado. Sempre deixando a banda a vontade para uma volta ou não – algo que sempre foi a vontade de Page – Peter Grant foi um personagem marcante em uma história tão rica como a do LED ZEPPELIN, tendo lutado sempre pelo bem estar de seus artistas antes do seu financeiro. E logicamente foi recompensado por isso. Mas de fato, um homem raro de se encontrar no showbizz, ontem, hoje e sempre.

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