O poderoso riff do Led escrito por John Paul Jones e que mudou a vida de Charles Gavin
Por Bruce William
Postado em 04 de abril de 2024
Quando se pensa em riffs no Led Zeppelin, o primeiro nome que surge é o de Jimmy Page, por razões mais que óbvias, pois além de ser o executor ele é co-autor de grande parte das composições, e certamente quem criou a maioria absoluta dos riffs que conhecemos.
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Mas há uma determinada música - e que música! - que traz um riff fabuloso criado pelo baixista e tecladista John Paul Jones: nada menos que "Black Dog", a arrebatadora canção que abre o quarto álbum de estúdio da banda, que não tem um nome oficial e é conhecido como "Led Zeppelin IV", o disco mais vendido do quarteto, e na verdade um dos mais vendidos da história da música. "Led Zeppelin IV" traz ainda outros clássicos como "Rock and Roll", "Going to California" e, claro, "Stairway to Heaven", considerada por alguns uma das maiores canções de rock da história.
Em 2012, Page foi perguntado para a Rolling Stone sobre o riff de "Black Dog", e o guitarrista respondeu: "Esse é um dos riffs que eu não criei. John Paul Jones fez esse riff. Não foi fácil de tocar, a bateria teve que seguir o compasso 4/4 o tempo todo para não se perder, mas 'Black Dog' é mais do que um riff. Você tem o chamado e resposta do vocal e do riff, depois a ponte e outras partes para levar a música adiante".
"Eu escrevi 'Black Dog' em um trem", contou Jones para a Bass Player. "Meu pai me ensinou a escrever notação musical sem usar papel pautado - apenas com números e valores de notas - e escrevi aquele riff no verso de um bilhete de trem voltando de um ensaio na casa de Jimmy Page". E ele reiterou a coisa do andamento da bateria. "Originalmente a ideia é que tudo seria em compasso 3/16, mas ninguém conseguia manter o ritmo. Então eu disse pro Bonzo que ele tinha que continuar tocando 4/4 o tempo todo".
No Led Zeppelin, Jones frequentemente dobrava riffs de guitarra no baixo. Isso preenchia o som, algo que ele estava acostumado a fazer. "Acho que você tem que se decidir a dar apoio à guitarra. Às vezes você pode tocar de forma sutil e isso deixará em destaque o que a guitarra está fazendo. Ou você pode adotar um padrão repetido e ir aumentando a intensidade. Em 'Black Dog' eu deixei um bocado de espaço que Page veio preenchendo, então é preciso que você observe a música como um todo".
De acordo com o biógrafo Dave Lewis, o elemento de chamada e resposta do vocal de Plant foi emprestado de "Oh Well" do Fleetwood Mac, que seria tocada por Page & Plant décadas mais tarde, quando os dois músicos do Led se reuniram. Jones creditou ainda outra fonte de inspiração: "Havia uma música de Muddy Waters que me atraiu, era um blues cadenciado com um riff que nunca terminava. Eu quis escrever algo que fizesse a mesma coisa. Justo quando você pensa que o riff vai acabar, ele vai para outro lugar".
A arrebatadora música do Led Zeppelin que mudou a vida de Charles Gavin, do Titãs
.Em 2022, Charles Gavin do Titãs revelou a Clemente Magalhães, do podcast Corredor 5, a importância do Led Zeppelin em sua carreira: "Eu fui capturado pela música em uma situação muito sui generis. Isso aconteceu num parque de diversões no balneário de São Paulo em uma cidade chamada Caraguatatuba, onde minha família sempre alugava uma casa pra gente passar as férias, e em 1975, se não me engano, estávamos num parque de diversões, era durante a semana, não tinha quase ninguém por lá".
Charles explica que no tal parque existia um serviço de alto falantes onde um DJ colocou para tocar uma música que o tocou profundamente. "Eu estava até ali seguro no meu centro gravitacional. Quando ouvi essa gravação eu me senti totalmente desequilibrado, no bom sentido, aquilo me tirou do meu centro, me desorientou, e eu procurei o serviço de alto-falantes pra saber quem era, não consegui, não consegui achar, e fiquei com aquele trecho de música na minha cabeça".
Ele voltou para São Paulo com a missão de descobrir o que era aquilo que ele tinha ouvido, até que um dia ele constatou que era a música que abre o quarto disco do Led de 1971, "Black Dog": "Eu acho que essa faixa, o jeito que ela foi arranjada pelo Led Zeppelin, as pausas - isso é interessante na música, a banda toca e para de tocar, o Led sai tocando e para de tocar, depois tem um momento de música contínua, mas basicamente a parada da bateria, a parada da banda, só fica a voz falando, de alguma forma isso me chamou a atenção, eu não tinha equipamento artístico para avaliar o extraordinário baterista que estava lá, o extraordinário guitarrista que estava lá, enfim, eu acho que essa sonoridade, de alguma forma, provocou um desequilíbrio aqui dentro deste cérebro".
O texto com mais detalhes e o vídeo onde Charles faz seu relato pode ser visto neste link.
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