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Aerosmith: Tudo que esconderam de você - Parte III

“Depois do lance com Jimmy Page, Brendan, que estava esperando por nós nos reunirmos, ficou sem tempo e foi produzir o Pearl Jam e o disco chegou ao #1 das paradas,” Perry diz com um sorriso amarelo. “Steven não queria trabalhar com ele – essa foi a impressão que eu tive, era tipo, ‘Vamos entrar no estúdio e nós podemos terminar o disco em um mês com Marti Friederiksen, daí podemos romper com a Sony e tirar uns dois anos de folga. Eu queria que o último disco com a Sony fosse pelo menos tão com quanto pudesse ser, então por que você não iria querer trabalhar com um Brendan O’Brien ou um Rick Rubin? Nós não fazíamos um disco de estúdio havia quase oito anos e eu senti que era a hora de fazer um disco do Aerosmith de verdade. Steven só queria sair da Sony para poder fazer um disco solo.”

Apesar do fato do Aerosmith ter completado seus shows reagendados, essa seria a última vez que os Toxic Twins se falariam em muito tempo, à exceção de uma breve ligação e a estranha aparição de Tyler num show do Joe Perry Project em Nova Iorque no fim daquele mês de novembro. Surgindo do nada «e sumindo tão logo a música tinha acabado», ele disse, macabramente, de cima do palco, ‘Joe Perry, você é um homem de muitas cores, mas eu, filho da puta, sou o arco-íris «‘eu me pergunto se Steven sabe que o arco-íris é o símbolo do orgulho gay’, diz Perry hoje». Depois daquilo, os dois, por muito tempo, só se comunicariam por intermédio de seus diferentes empresários e Joe não sabia quais as intenções de sua cara-metade musical.

Perry: “Eu acho que Steven quer sair e fazer outros projetos e isso é triste. Eu tive que deixar coisas de lado por muitas vezes. Eu quis dizer, ‘caras. Eu preciso de três meses para fazer isso ou aquilo. ’ Mas pra ser viável, o Aerosmith precisa gravar um novo disco de estúdio e excursionar para divulga-lo. Precisamos suprir os fãs. Eu sei que Steven quer fazer um disco, escrever um livro e ir pro Fantasy Camp. Ele nunca me disse na cara que é isso que ele quer fazer. Ele nunca veio até mim e disse, ‘Olha eu quero fazer isso, então se fizermos isso, podemos estar em tal situação. ’ Eu sou sempre o último, a saber. Eu sei que ele ama tocar com o Aerosmith, ou pelo menos eu sei que é isso que ele amava fazer. Mas agora eu acho que ele quer fazer outras coisas e por mim, tudo bem, desde que seja planejado, de modo que o resto da banda possa tocar sua vida em torno disso.”

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Com o novo disco solo e excursionando, Perry conseguiu priorizar suas ambições pessoais. “Eu esperei anos para achar alguns caras com os quais eu pudesse trabalhar porque eu percebi que há muito tempo que eu posso fazer outras coisas além do Aerosmith. Quando a banda se reuniu pela primeira vez, era o Aerosmith 24 horas por dia, reconstruindo a banda, porque tínhamos fechado muitas portas. Eu não tinha tempo pra fazer nada mais. No passado eu tive que recusar muitas coisas que teriam sido divertidas de se fazer. Agora que o Aerosmith está em pausa indefinida, eu estou recebendo convites todo dia, e é ótimo,” disse ele à época.

A tour de 2009 foi a primeira que o Joe Perry Project fez desde o começo dos anos 80 e à exceção do guitarrista e baixista David Hull, a formação é totalmente nova: Marty Richards «bateria», Paul Santo «teclado/guitarras» e Hagen Grohe. Assim como Hull, tanto Richards como Santo são veteranos grisalhos da cena local de Boston, com currículos que incluem trabalhos com J. GEILS e RINGO STARR. Grohe «oriundo de uma cidadela alemã» é o novato, tendo sido descoberto por Billie Perry, depois de saber que o Journey tinha achado o novo vocalista, Arnel Pineda, pela internet. Billie decidiu vasculhar sites em busca de novos talentos. “Eu vi esse grupo chamado Hagen e decidi assisti-los por alguns dias,” ela explica. “Ele estava tocando covers e tinha algo mais. Eu disse a Joe e ele ficou relutante. Eu disse, “Joe, o que você tem a perder? Uma passagem de avião?” Ele está no ramo há dez anos e é o cara mais legal que você poderia encontrar. Então depois de Steven empatar a porra do disco, nós subimos num ônibus e fomos pro sul «dos EUA» para tocar o novo material para Brendan e ele disse, “Sim, o moleque manda bem”. Então nós pensamos, ‘Foda-se, vamos gravar nosso disco. Não podemos mais contar com Tyler, ele é uma porra dum acabado.”

Segue…

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Sobre Nacho Belgrande

Nacho Belgrande, 33 anos, residente em Marilia - SP, é professor de inglês e francês, apesar de formado em Técnico de Engenharia de Estúdio pelo Recording Workshop de Los Angeles, nos EUA. Suas lembranças musicais mais remotas datam de 1983, com a fervilhante passagem do Kiss pelo Brasil e da alta popularidade do Queen no país. Fã(nático) por Mötley Crüe (de quem tem mais de 100 CDs), segue de perto também o trabalho de Slayer, Krisiun, Guns N´ Roses, Van Halen e Ozzy Osbourne, entre outros.

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