Black Sabbath: os vocalistas misteriosos da banda
Por João Renato Alves
Fonte: Blog Van do Halen
Postado em 10 de dezembro de 2010
Ozzy Osbourne, Ronnie James Dio, Ian Gillan, Glenn Hughes e Tony Martin. Quem conhece a história do todo-poderoso Black Sabbath, sabe muito bem que todos estes grandes vocalistas deixaram seus trabalhos registrados em lançamentos da banda. Mas eles não foram os únicos a comandar o microfone. Cinco outros fizeram parte do grupo – embora alguns não sejam oficialmente considerados como integrantes por Tony Iommi. A época de maior rotatividade aconteceu durante os anos 1980, quando a formação mudava com a mesma freqüência que qualquer um de nós troca de roupa (sim, foi um exagero, mas faz parte da idéia). Ainda bem que vamos nos limitar aos cantores. Caso contrário, seria necessário um livro para conseguirmos estabelecer um dossiê completo.
Black Sabbath - Mais Novidades
Dave Walker
Em 1977, após a morna turnê de divulgação para o disco Technical Ecstasy, Ozzy Osbourne decidiu sair da banda pela primeira vez. A depressão, somada aos excessos químicos que cobram seu preço até hoje, fizeram com que o lendário Madman pedisse as contas, deixando seus colegas com um misto de tristeza e alívio, já que a situação havia se tornado insustentável. Na hora, Tony Iommi lembrou o nome de um velho conhecido dos tempos de Birmingham, que já tinha certa experiência no meio musical. Era Dave Walker, que contava em seu currículo com passagens por Savoy Brown e Fleetwood Mac, para citar apenas os mais conhecidos.
Foram apenas três semanas de união, com algumas músicas compostas e uma aparição na televisão, para o programa ‘Look Hear’, da BBC Midlands. Na ocasião, o quarteto tocou "Junior’s Eyes", que teve sua letra modificada para entrar no álbum Never Say Die, já com Ozzy de volta ao seu posto. Esse talvez seja um dos momentos mais obscuros da carreira do grupo em se tratando de participações televisivas. Quem assistiu à época, sabe como foi. Quem não conferiu, sonha com essa possibilidade até hoje, pois o vídeo desse momento segue como um dos grandes mistérios do Rock. Ao menos, o áudio está aí para quem quiser conferir.
David Donato
O retorno de Ian Gillan ao Deep Purple, em 1984, colocou ponto final na era Born Again. Mais uma vez, o Sabbath se encontrava em um momento difícil, sem grandes perspectivas em um futuro imediato. A primeira medida de Tony Iommi e Geezer Butler foi promover o terceiro retorno de Bill Ward. Mas ainda faltava solucionar a ausência de um vocalista, então apostaram no desconhecido David Donato. Para causar impacto, chamaram o mega-produtor Bob Ezrin (Alice Cooper, KISS, Pink Floyd, etc...), que os ajudou nos ensaios e novas composições. Uma entrevista e sessão de fotos foi feita para a conceituada revista britânica Kerrang. Mas a ideia não passou disso mesmo, com o grupo se dissolvendo na sequência.
Para Donato, sobrou o consolo de suas gravações terem chamado a atenção de Mark St. John, recém saído do KISS, que o convidou para integrar o seu novo projeto, o White Tiger. A banda lançou apenas um disco, fez alguns shows em território norte-americano e terminou, graças à baixa repercussão. Pouca coisa da época do vocalista, ao lado de Iommi e companhia, foi mostrada ao público, embora seja dito por quem esteve próximo que muito se foi trabalhado. O momento mais famoso é "No Way Out", música que acabou originando "The Shining", faixa de abertura do álbum The Eternal Idol, lançado em 1987, estreia de Tony Martin.
Jeff Fenholt
Eis o nome mais polêmico da lista. O astro principal da produção de Jesus Christ Superstar para a Broadway jura que integrou o grupo por um rápido período em 1985. Já Tony Iommi nega, dizendo que Jeff apenas participou de testes quando o Black Sabbath sequer estava realmente ativo. Aliás, a ideia inicial era que o projeto, para o qual ele estaria sendo listado, era o álbum-solo do guitarrista, que acabou transformando-se em um trabalho da banda por questões contratuais. Os outros músicos que participaram da empreitada haviam sido ‘emprestados’ a Iommi por sua então noiva, Lita Ford. Entre eles estava o hoje famoso baterista Eric Singer, atualmente no KISS.
Mesmo que fontes oficiais não considerem Fenholt como ex-integrante, acho que é interessante incluí-lo na lista, já que várias ideias dos ensaios que fez com o grupo, acabaram entrando em Seventh Star, disco de 1986 com Glenn Hughes nos vocais. Inclusive, o próprio reivindica co-autoria em algumas canções aproveitadas para o álbum, sem os devidos créditos lhe terem sido concedidos. As demos dessa época são encontradas facilmente no bootleg Star Of India. Esta é "Dark Side Of Love", que se tornaria o sucesso "No Stranger To Love".
Ray Gillen
De todos aqui citados, foi aquele que teve maior participação efetiva na história do Black Sabbath. Entrou na banda durante a tour de Seventh Star, substituindo Glenn Hughes, que não estava dando conta do recado, graças aos seus abusos químicos e o nariz quebrado, fruto de uma briga com um Road manager, fazendo com que coágulos se formassem em seu rosto. Com esse cenário, Ray Gillen deixou o Rondinelli, com quem havia gravado o álbum Wardance, e imediatamente juntou-se a Tony Iommi, Dave Spitz, Eric Singer e Geoff Nicholls. Importante salientar que Glenn ficou muito magoado, pois ele e Gillen eram amigos. Mas o tempo fez com que tudo se resolvesse e eles reataram relações antes da morte de Ray, em 1993, decorrência da AIDS.
O recém-chegado cantor injetou ânimo renovado ao trabalho, com suas ótimas performances que podem ser conferidas em bootlegs de shows da época. Logo após o fim da excursão, a banda entraria em estúdio para começar a gravar um novo disco. Mas dificuldades no processo de composição, desacertos financeiros e falta de comunicação interna, Ray Gillen acabaria saindo para se juntar ao Phenomena, prestes a registrar seu segundo álbum e estourar mundialmente com o hit "Did It All For Love". Iommi recrutou Tony Martin, que regravou as vozes para que The Eternal Idol finalmente fosse lançado. Ray ainda apareceria em um pequeno trecho – a risada maléfica na faixa "Nightmare". Recentemente, após muitos anos disponível como bootleg, o álbum foi relançado trazendo a versão gravada por Gillen como bônus.
Rob Halford
Todo time que se preze tem o seu talismã. É aquele jogador que fica a maior parte do tempo no banco de reservas, mas sempre aparece para salvar a equipe em situações difíceis. Esse é Rob Halford para o Black Sabbath. Duas vezes o Metal God surgiu em momentos que a banda precisava de um substituto. A primeira em 1992, durante os shows de despedida (fakes, é claro) de Ozzy Osbourne. A ideia era que o Sabbath se apresentasse primeiro, Ozzy na sequência e a formação original (Ozzy, Iommi, Butler, Ward) encerrasse a noite. Mas Ronnie James Dio, em sua segunda passagem pela banda, se recusou terminantemente, o que resultou em mais um rompimento do baixinho com seus colegas de grupo. Coube a Rob salvar o barco.
A segunda ocasião rolou em 2004, durante o Ozzfest. Com uma séria bronquite, Ozzy ficou impossibilitado de cantar no show em Camden, New Jersey. Como o Judas Priest estava participando do festival, nada mais conveniente que Halford comparecer mais uma vez e dar aquela força aos amigos. Dessa vez, o setlist era totalmente baseado na formação original, o que facilitou o trabalho do cantor, que não precisou aprender músicas recentes na última hora. Alguns debilóides que achavam que "Black Sabbath é a banda do cara que aparece naquele seriado de TV" ficaram descontentes, vaiaram um pouco e foram embora. Quem era fã de verdade ficou, pois sabia que estava presenciando um momento histórico.
Até onde sabemos, foram só esses. Mas será que não há algum outro perdido na história? Seria algo tipicamente Sabbath descobrir.
Comente: Qual o seu vocalista favorito do Black Sabbath?
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Ex-baterista do Black Sabbath considera Tony Iommi um dos músicos mais fáceis de lidar
Qual banda do Big Four do thrash metal possui a discografia de estúdio mais extensa?
O principal problema do novo documentário dos Raimundos, segundo Digão
Angra - como foi assistir a um show da banda em Campinas
A insana rotina matinal de Lemmy revelada pelo baterista do The Clash
Mortiis cita o Sarcófago entre as poucas referências do black metal no início dos anos 90
Metallica contribuiu para a ascensão do grunge e do Nirvana, segundo Kirk Hammett
Vivian Campbell relembra teste para entrar na banda de Dio; "Eles estavam chapados"
Joe Lynn Turner explica diferenças entre trabalhar com Ritchie Blackmore e Yngwie Malmsteen
A estrela de Hollywood que ajudou a transformar uma canção em clássico do Guns N' Roses
Skid Row anuncia versão remasterizada de coletânea, que será lançada em novembro
O dia que Caetano Veloso gravou sozinho para que músicos vissem show histórico de rock
Mark Knopfler e os três guitarristas que moldaram seu estilo inconfundível de tocar
Anthrax lança "Cursum Perficio", seu primeiro disco de estúdio em 10 anos

James Hetfield explica o que faz de Tony Iommi a sua maior referência
O lendário vocalista que teve o dedão amputado por um anão de jardim no quintal
As 7 maravilhas do mundo do heavy metal e como conhecê-las
As bandas que mais inspiraram o lado pesado do Queen, segundo Brian May
"Back to the Beginning", adeus de Ozzy e do Black Sabbath, nos cinemas em outubro
A coisa inacreditável que fãs achavam que o Black Sabbath podia fazer com eles
A arma branca que Cozy Powell foi buscar no carro após crítica de produtor
A formação do Black Sabbath que não funcionou, na opinião de Geezer Butler
A curiosa trajetória de Wagner "Antichrist" Lamounier um dos fundadores da lendária Sarcófago
AC/DC: os últimos dias do vocalista Bon Scott


