TesseracT: show digno dos deuses da música extrema
Resenha - TesseracT (Carioca Club, São Paulo, 14/09/2024)
Por Diego Camara
Postado em 26 de setembro de 2024
A apresentação em 2023, marcada pelos inúmeros adiamentos, foi realmente um dos melhores shows da cena extrema no ano passado. O TesseracT, que vai construindo sua reputação musical como um dos mestres do que hoje o povo chama de Djent, entregou tudo em uma apresentação memorável. Apesar de não ser a estreia do grupo, e não haver a mesma pressão e ansiedade para este show, novamente a banda entregou um espetáculo firme e consistente, como era esperado. Confira os principais detalhes do show, com as imagens de Fernando Yokota.
O show foi começar às 20h em ponto, em mais uma vez um horário amistoso para todos os fãs, que podem chegar cedo em casa ou aproveitar para alongar a noite em outro lugar. A banda dessa vez abriu o show com "Natural Disaster". Em um palco escuro com o clima soturno da banda, o som da música foi firme e portentoso, com a excelente qualidade conhecida tanto pelo TesseracT quanto da produção da LiberationMC. O público curtiu bastante, batendo cabeça desde o início do show e puxando junto o refrão da música.

O clima estava ótimo, e a banda manteve o alto nível do show com "Echoes", que veio na sequência. O público, bom mas ainda bastante distante de lotar a casa, pulou muito na introdução da música. O trabalho aqui dos instrumentos é magnífico, com destaque para as guitarras da dupla Kahney e Monteith, extremamente afiados do início ao fim.

A banda lançou apresentação impecável atrás de apresentação impecável, como é sempre esperado de uma banda que preza tanto pela capacidade técnica como o TesseracT. "Sacrifice", uma música mais leve com sua pegada eletrônica e ambiente, se encaixou bem no meio do show, como uma brisa no meio da violência das pancadas da banda. O público ouviu essa em silêncio quase que total, curtindo o momento, para explodir no ponto alto da música, em outro belo solo de guitarra.

Tompkins sai do palco por um instante e a banda inicia a performance estrondosa de "King", com um instrumental potente e arrastado no seu início. O trabalho da bateria aqui é impressionante, e chama os fãs para baterem cabeça, além de dividirem mais uma vez os vocais. Tompkins puxou uma lanterna no final da música, iluminando os rostos do público, chamando eles para cantar junto. Os fãs respondem, levantando seus celulares e iluminando de volta, enquanto cantaram a plenos pulmões os últimos versos. Belíssima cena.

Logo em seguida, veio outra do "Sonder": "Smile", outra muito amada pelos fãs, que mais uma vez cantaram junto de Tompkins com muita vontade. A sequência final, porém, era a mais esperada. Primeiro veio "War of Being", uma pancada forte da bateria concentrada de Postones com o trabalho das guitarras. A música sem dúvidas está sendo alçada já para uma das favoritas do público desde o lançamento do disco de mesmo nome.

"Legion" e "Juno" vieram logo em seguida. A primeira é uma amostra primorosa dos vocais de Tompkins, que dominam a música com sua magia e flutuações por sobre a bateria de Postones. A sequência incrível incendiou mais uma vez a plateia. "Juno", uma das favoritas do "Sonder", vem com aquela força comum no metal progressivo se misturando com a música industrial: um novo convite para os fãs cantarem junto.

No bis, a banda voltou aonde tudo começou, com as duas primeiras do "Concealing Fate", em uma amostra do que estaria por vir para aqueles que fossem ao show do domingo na Fabrique Club. Aqui foi interessante a inversão do setlist para a sequência do álbum, que apostou em "Acceptance" para o fechamento do show, música com segmentos mais arrastados do que a enigmática e épica "Deception", focada mais na bateria.

No final, o resultado do show foi excelente. Apostando em um setlist mais enxuto desta vez – com menos músicas, mas com o mesmo tempo de show – o TesseracT trouxe um resultado muito bom para o público brasileiro. Creio, porém, que o show pareceu levemente inferior desta vez do que o anterior, talvez até pela quebra de ansiedade de já ter visto a banda, o impacto tenha sido menor. Mas nada que possa, de maneira alguma, tirar o excelente resultado da apresentação: o TesseracT continua sendo uma figura firme no gênero, e bastante amada pelo público.

Setlist
Natural Disaster
Echoes
Of Mind - Nocturne
Tourniquet
Sacrifice
King
Smile
The Arrow
War of Being
Legion
Juno
Bis
Concealing Fate, Part 2: Deception
Concealing Fate, Part 1: Acceptance













Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



A música de guitarra mais bonita da história, segundo Brian May do Queen
"Deveríamos nos chamar o que, Iron Maiden?": Geddy Lee explica manutenção do nome Rush
A banda iniciante de heavy metal que tem como objetivo ser o novo Iron Maiden
O Monsters of Rock 2026 entregou o que se espera de um grande festival
Angela Gossow afirma que Kiko Loureiro solicitou indenização por violação de direitos autorais
Jon Oliva publica mensagem atualizando estado de saúde e celebrando o irmão
Produção do Bangers Open Air conta como festival se adaptou aos headbangers quarentões
O álbum do Testament onde os vocais melódicos de Chuck Billy não funcionaram
O primeiro disco que Max Cavalera comprou; "Ouvia todos os dias"
"Provavelmente demos um tiro no próprio pé" diz Rich Robinson, sobre o Black Crowes
As 11 bandas de rock progressivo cujo primeiro álbum é o melhor, segundo a Loudwire
Novo baterista do Foo Fighters, Ilan Rubin conta como conseguiu a vaga
5 discos obscuros de rock dos anos 80 que ganharam nota dez da Classic Rock
Os 5 álbuns que marcaram Nando Mello, do Hangar: "Sempre preferi Coverdale a Gillan"
Donn Landee, engenheiro que ajudou a moldar o som do Van Halen, morre aos 79 anos


Guns N' Roses - Resenha do show em Porto Alegre
365 celebrou os 472 anos de São Paulo com show memorável no CCSP
Inocentes em Sorocaba - Autenticidade em estado bruto - Uma noite nada inocente para se lembrar
Katatonia em SP - experiência tenazmente preservada com brasa quente na memória e no coração
Obituary - uma noite dedicada ao Death Metal sem rodeios
A primeira noite do Rock in Rio com AC/DC e Scorpions em 1985
Maximus Festival: Marilyn Manson, a idade é implacável!


