Slayer: Em São Paulo, uma despedida tão grandiosa quanto o legado da banda
Resenha - Slayer (Espaço das Américas, São Paulo, 02/10/2019)
Por Mateus Ribeiro
Postado em 03 de outubro de 2019
Fotos: Fernando Yokota
No ano de 2018, o Slayer anunciou que iniciaria a sua última turnê, após mais de três décadas de shows e discos matadores. Os fãs ficaram tristes com a notícia, mas como um bom número de shows seria feito, ainda havia a oportunidade para um adeus. Pois bem, a cidade de São Paulo, que já havia recebido o quarteto tão bem outras vezes, foi uma das que a banda passou para se despedir.
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A banda brasileira Claustrofobia foi a escolhida para iniciar a destruição. O trio mostrou a habitual energia de seus shows, sempre carregados de muita fúria, velocidade, peso e personalidade. Apesar do set relativamente curto, foi possível saber a razão da banda ser tão respeitada não só no Brasil, como no exterior. Destaque para as emblemáticas "Thrasher", "Metal Maloka" e "Peste". Marcus D'angelo, Rafael Yamada e Caio D'angelo estão de parabéns pela ótima performance.









Pontualmente, no horário marcado, os astros principais do espetáculo anunciam que estão chegando através do magnífico jogo de luzes, a casa veio abaixo. Obviamente, gritos com o nome da banda ecoaram pela casa, mas logo foram abafados pelo peso da violenta "Repentless", faixa título do último disco da banda. Aliás, se tem uma palavra que resume os shows do Slayer é violência. Desde a primeira até a última nota, o clima de destruição é intenso e constante.


Para continuar, a maravilhosa "Evil Has No Boundaries", do excelente "Show No Mercy". Desnecessário falar que com menos de dez minutos, a banda já estava com o público nas mãos. E assim continuou até o fim da primeira sequência do show, que mesclou novidades e músicas mais antigas: "World Painted Blood", "Postmortem", "Hate Worldwide", a pesadíssima "War Ensemble", "Gemini" (que talvez foi o momento menos empolgante do show) e "Disciple". Vale lembrar a simpatia de Tom Araya, que soltou um "E aí, porraaaaa" cheio de sotaque.


Dali em diante, foi só velharia, com exceção de "Payback", do disco "God Hates Us All". A clássica "Mandatory Suicide" abriu os caminhos para "Chemical Warfare", uma das músicas mais rápidas e pesadas da carreira do Slayer. Depois da já citada "Payback", veio uma sequência de três músicas do perfeito "Seasons In The Abyss": "Temptation", "Born On Fire" e a faixa título.


O show poderia ter acabado ali, mas ainda havia tempo para a sequência mais matadora do show: as infernais "Hell Awaits" e "South Of Heaven" pavimentaram o caminho para o maior clássico da história do thrash metal, a caótica "Raining Blood". Momento único, que infelizmente, não se repetirá mais após o último show da banda, dia 30 de novembro.


O clima já era de despedida quando começaram os acordes da icônica "Black Magic", que já apontava que o ato estava no fim. De fato, terminou com as maravilhosas "Dead Skin Mask" e com "Angel Of Death", que é ao lado de "Raining Blood", a música mais conhecida da banda.


Apesar da voz de Tom Araya já não ser mais a mesma há tempos (e nem seria possível exigir isso), poucas bandas no mundo funcionam tão bem quanto o Slayer. A dupla de guitarristas faz um trabalho magnífico, tanto na execução quanto na postura. Paul Bostaph é a mistura de um cavalo com um relógio suíço, tamanha a força e precisão com que o baterista agride seu kit. Ah, e Tom Araya, mesmo sem agitar, ainda é um puta de um frontman.


Depois dos últimos acordes, uma despedida emocionante marcou o final de um encontro que já aconteceu muitas vezes, mas que não ocorrerá de novo. Lágrimas rolavam de um lado e de outro, já que não será mais possível assistir a banda ao vivo.


Um show grandioso para fechar uma trajetória grandiosa. Uma banda gigantesca que deixa um legado gigantesco. Quem viu, viu. Quem não viu, não verá nunca mais.

Obrigado, Slayer!
Setlist:
"Repentless"
"Evil Has No Boundaries"
"World Painted Blood"
"Postmortem"
"Hate Worldwide"
"War Ensemble"
"Gemini"
"Disciple"
"Mandatory Suicide"
"Chemical Warfare"
"Payback"
"Temptation"
"Born On Fire"
"Seasons In The Abyss"
"Hell Awaits"
"South Of Heaven"
"Raining Blood"
"Black Magic"
"Dead Skin Mask"
"Angel Of Death"
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