Obskure: resenha e fotos do show no Cineteatro São Luiz, em Fortaleza

Resenha - Obskure (Cineteatro São Luiz, Fortaleza, 16/08/2019)

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Por Leonardo Daniel Tavares da Silva
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Estamos num cinema. É o mais luxuoso de Fortaleza, com seu teto decorado, seu magnífico hall de entrada com predominância de mármore de carrara, suas escadarias e toda a sua emblemática arquitetura, encimados por três lustres vindos da Tchecoslováquia (quando assim se chamava aquele país). Talvez o Cineteatro São Luiz não seja mais o maior da cidade, uma vez que dentro dos shoppings há os IMAX e suas telas colossais, mas é a mais antiga sala de cinema em atividade e também a mais importante. É também um local de muita pompa, justificada por toda a importância histórica e imponência plástica. Além das regras comuns a qualquer sala de cinema (não falar ao celular, evitar conversas com o vizinho, não levantar durante a sessão), há ainda outras mais rígidas, como não consumir alimentos. Mesmo assim, dois fãs da OBSKURE, que tem naquele final de tarde um dos dias mais importantes de sua vida como banda, se posicionam próximo ao palco, em pé, e balançam suas cabeças incessantemente.

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Sexta-feira, 16 de agosto de 2019. Esta foi a data escolhida para celebrar algo que aconteceu há muitos anos atrás. O ano, 1989. A data exata, nunca nos foi revelada. Até porque não faz sentido agora. Não é a data de aniversário de uma pessoa. É a data de nascimento de uma banda. E uma banda é como uma ideia. Não demora 9 meses para ser dada à luz. Pode vir num segundo. Pode demorar anos. Nunca se sabe a data exata em que uma ideia nasceu. E a banda de quem falamos é a OBSKURE, a mais longeva e respeitada banda de metal em atividade no Ceará. E se a data talvez não seja exatamente a data em que a ideia nasceu, o luxo de um dos locais mais importantes para a cultura no Ceará condiz com a importância da banda.

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Antes disso, um tributo aos pais do Heavy Metal. BLACK SABBATH, no filme "Gathered In Their Masses", não nos deixa esquecer que, afinal de contas, continuamos em um cinema. A obra, já lançada em DVD, contem excertos de dois shows gravados na Austrália no fim de abril e começo de maio de 2013, quando o icônico Ozzy Osbourne retornou a parceria com Tony Iommi e Geezer Butler. E, depois de um breve intervalo, uma produção local, o documentário "Mães de Metal". Mais informações (e o próprio filme) na matéria abaixo:

Mães de Metal: documentário da Associação Cearense do Rock

Mas é hora do show. É hora de "apagar as velas". No entanto, o que se vê não é isso. Mas uma iluminação belíssima, composta de sete linhas de canhões e mais algumas outras colunas. Os bravos chegam enquanto Herlon Braz, tecladista convidado especialmente para o show, dá início ao espetáculo. Germano Monteiro (voz), Daniel Boyadjian e Amaudson Ximenes (guitarras), Jolson Ximenes (baixo), Mardônio Malheiros (bateria) e Fábio Barros (teclados) estavam finalmente ali para o que seria o melhor show de suas carreiras. "Christian sovereign", a canção que foi o carro-chefe do álbum "Dense Shades of Mankind", lançado em 2012. A ela se junta "Aton's Servant", uma das melhores do primeiro full-length, "Overcasting".

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Ainda do "Overcasting", "Fury and Motion" retorna ao repertório, mas agora com a participação especial de Claudine Albuquerque. Nela, Daniel Boyadjian põe em prática tudo o que aprendera com o mestre Iommi.

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É uma comemoração. Um show especial. Logo, era mesmo esperado que Germano fizesse muitos agradecimentos. E foi mesmo o que ele fez, além de falar da satisfação em comemorar 30 anos de história. E convidou para voltar a 1989. Esse ano foi o ano Um da OBSKURE. E foi Daniel Boyadjian, que por muitos anos acumulou a função de guitarrista e vocalista (é dele a voz no álbum "Overcasting" e outros EPs) que cantou "Uterus and Grave", canção que dá nome à primeiríssima demo. Nesse instante, a banda vira quarteto. E o som ainda mais pesado, fortemente grindcore.

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Quando Germano e Fábio voltam, se preparam para receber Claudine novamente. É hora de "Tension eve massacre", faixa que também contou com a voz dela no CD, mas que, aqui, soa até um tanto mais agressiva que na versão original. É germano também que declama a parte final.

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Com muitos aplausos ao final, Claudine disse ser uma honra fazer parte dessa história de 30 anos.

Jolson, então, assume o microfone para lembrar que em 1993 o Brasil lutava pra sair do mapa da fome. Foi o que inspirou, naquele ano, a banda a compor a canção "The Singing of Hungry". Hoje, com um retrocesso político e ideológico, o Brasil está voltando para este dito mapa. Enquanto Isso, seu irmão, Amaudson, exibia o banner da bota anti-fascista (veja em uma das fotos abaixo), reforçando claramente o posicionamento da banda. Daniel e germano dividem os vocais na mencionada canção, que antecede "Pieces from the Old Life" num roteiro que parece querer contar uma história.

E nessa história, contada por um Germano muitas vezes bangeando como um George Corpsegrinder, outras, conversando com o público. "Essa retrata os perversos do passado e do presente. Mussolini...
Hitler... Bolsonaro...." A canção é "Sacrifice of the wicked".

Outro momento especial é a participação de Bruno Gabai, representando todos os outros ex-membros da banda, assumindo as baquetas em "Impure Awareness". Ele continua na bateria enquanto a OBSKURE recebe mais uma convidada, Haru Cage, do CORJA!, para cantar "Factoring Sarcasm", canção da qual ela também participa no álbum "Não é Que Eu Vou Fazer Igual, Eu Vou Fazer Pior", da banda punk THRUNDA. A saber, este ano a THRUNDA homenageou diversas bandas cearenses em um disco de tributos e, apesar do estilo diferente, também rendeu suas homenagens à OBSKURE.

Com mais de uma hora de show, algo incomum no metal extremo, o fim se aproxima. "Nós só estamos aqui por causa de vocês. Vocês são os nossos combustível. Queremos mãos 30 anos pra infernizar vocês", despede-se Germano antes de "The Wizard", canção que se conecta com o início da festividade, com o BLACK SABBATH, seus criadores, numa versão belíssima (como o resto do show) em dois teclados. Só não digo que foi melhor que a original pra não ir pro inferno. Nem pro céu.

Com a melodia de "Christian Sovereign" tocada breve e suavemente no piano, Herlon encerra o mais belo show da OBSKURE. E que vivamos todos para ver o show de 2049.

Agradecimentos:
OBSKURE, especialmente Daniel Boyadjian, pela atenção e credenciamento.
Chris Machado, pelas belas imagens que ilustram esta matéria.

Setlist

Christian Sovereign
Aton's Servant
Fury and Motion
Uterus and Grave
Hidden Essence Rescue
Tension Eve Massacre
The Singing of Hungry
Pieces from The Old Life
Sacrifice of The Wicked
Impure Awareness
Factoring Sarcasm
The Wizard




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Sobre Leonardo Daniel Tavares da Silva

Daniel Tavares nasceu quando as melhores bandas estavam sobre a Terra (os anos 70), não sabe tocar nenhum instrumento (com exceção de batucar os dedos na mesa do computador ou os pés no chão) e nem sabe que a próxima nota depois do Dó é o Ré, mas é consumidor voraz de música desde quando o cão era menino. Quando adolescente, voltava a pé da escola, economizando o dinheiro para comprar fitas e gravar nelas os seus discos favoritos de metal. Aprendeu a falar inglês pra saber o que o Axl Rose dizia quando sua banda era boa. Gosta de falar dos discos que escuta e procura em seus textos apoiar a cena musical de Fortaleza, cidade onde mora. É apaixonado pela Sílvia Amora (com quem casou após levar fora dela por 13 anos) e pai do João Daniel, de 1 ano (que gosta de dormir ouvindo Iron Maiden).

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