Cabeça Motora MC: Alagoinhas no píncaro do Metal da Bahia

Resenha - Viscerall, Malefactor e Reunion X (Cabeça Motora MC, Alagoinhas, 09/03/2019)

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Por Cris Figueiredo
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

No segundo sábado de março (09), na Sede do Cabeça Motora Moto Clube, em Alagoinhas-BA, o Heavy Metal tomou conta do espaço e atraiu centenas de headbangers para assistir aos shows das bandas Viscerall, Malefactor e Reunion X.

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Havia uma grande expectativa pela volta da banda Malefactor, após 25 anos da sua ultima apresentação, à cidade - agora com uma longa estrada e experiência de sobra pra se apresentar aos fãs, e alguns curiosos, presentes no evento - o que ficaria claro diante do show avassalador que estava por vir e que subjugaria o mais transgressor dos malfeitores nesta noite.

A noite teve início com um show surpreendente e competente da Viscerall, banda local formada por Alexandre Humildes (vocal), André Fiscina (Baixo), Davi Carvalho (teclados), Gleuber Machado (guitarrista), Igor Tavares (guitarrista) e Leandro Araújo (bateria), músicos experientes na cena baiana, abrindo seu set com a canção, tema do Lyric Vídeo lançado em 2018 - através das redes sociais, e muito bem recebido pelo público - uma pancada nos ouvidos mais sensíveis, Death Machine. Na sequência, sem deixar o público respirar, Keeping the Flame Alive, um Power Metal convidando a nação metalhead a manter a chama acesa e o sonho sempre vivo, uma canção forte, rápida, com elementos de música clássica e com melodias bem agradáveis.

Em seguida e sem tréguas, um convite a bater cabeça com a, não menos pesada, porém, mais cadenciada, Between the Cross and the Sword, simplesmente um soco na cara da inércia frente a vida passando. Continuando com um setlist bem diversificado, nos brindaram com um hard/heavy qualificado, a magnífica Into the Darkness (essa, a minha preferida), que prova como a música pesada não possui limites e pode ultrapassar barreiras, que muitas vezes, nós mesmos criamos. Excelente canção.

Ainda teríamos mais novidades na apresentação da Viscerall, a instrumental Krusaders, demonstração do que verdadeiros Cavaleiros do Metal podem fazer com seus equipamentos em punho, esbanjando talento e criatividade, preparando o terreno para a próxima surpresa, logo ali, que prenderia a atenção dos bangers que amam o precioso Metal, um teste aos corações mais resistentes, um tributo ao Accept, com a emblemática e consagrada pelos alemães, Metal Heart, momento alto do show destes caras, que justificaram o porquê do nome.

Para encerrar, veio a paulada final, Age of Steel, essa, só para os fortes e os que restaram de pé, até esse momento da apresentação, o que exigiu muita resistência dos nossos soldados.
Um show, verdadeiramente, VISCERALL, em caixa alta mesmo, deixando um gostinho de quero mais naqueles que sobreviveram ao massacre.

Um tempo pra respirar e logo em seguida, por volta das 20h, o show principal da noite, a consagrada Malefactor sobe ao palco, banda emblemática baiana que ultrapassou as fronteiras tupiniquins, chegando ao maior festival de Heavy Metal do mundo, o Wacken Open Air - dividindo palco com grandes nomes do Heavy Metal mundial - com 6 discos gravados, em sua Sixth Legions Tour, trouxe um resumo desta trajetória de 27 anos fazendo Metal, sob a liderança de Lord Vlad (vocal e baixo); Jafet Amoedo (guitarrista), Danilo Coimbra (Guitarrista) e Daniel Falcão (bateria), fizeram um show destruidor, detonando um petardo atrás do outro, contando uma história de quase 3 décadas fazendo cabeças rolarem, com o seu, auto denominado, Unholy Metal, agressivo e com passagens melódicas fantásticas, fazendo destes malfeitores algo fora da caixinha.

Iniciaram a decapitação com a matadora Counting The Corpses e, em seguida, contando os mortos, seguiu sem tréguas com Sodom And Gomorrah, nos submetendo ao fogo e ao enxofre em nossas cabeças, assim, apontaram as suas armas em nossa direção com Behold The Evil, destilando maldade sobre os presentes, mas, o comando seguiu com Centurian, colocando o exército metálico de pé e imponente, mais uma vez, avançando, devastadoramente, sobre corpos exalando cheiro de morte e sexo com Necrolust In Thulsa Abbey. Promovendo a barbárie, seguem com a ira de sempre em Barbarian Wrath, preparando, talvez, o momento mais esperado da noite, a música título do videoclipe lançado em 2016, Elizabathory, simplesmente trazendo vida eterna ao Metal e seus seguidores, e conquistando em definitivo Alagohell, esse pequeno reino no interior. Eis que eles surgem com Anvil of Crom, escrevendo mais um capítulo profano da sua história no Metal da Bahia.

E quando todos já haviam se rendido, surgem os acordes de um dos maiores clássicos da lendária banda inglesa, Motorhead, No Class, um chute na porta de saída, e daí em diante, um belo tributo ao grande líder Lemmy Kilmister, com a execução de outras perolas como; Shoot You In The Back, The Chase Is Better Than The Catch e finalizando essa homenagem em grande estilo, com outro dos maiores clássicos da banda, Orgasmatron...uffa! Foi isso, faltou folego pra acompanhar essa passagem devastadora da Malefactor por Alagoinhas, depois de longos 25 anos, que isso não se repita, portanto, nosso até breve.

Próximo às 22h, eis que sobe ao palco a banda Reunion X (tribute band), formada por dois membros da Viscerall, Alexandre Humildes no vocal e Gleuber Machado na Guitarra, acompanhados de Fabrício Cruz (bateria) e Matheus Ganem (baixo), fazendo um tributo a grandes clássicos do Heavy Metal Mundial, de bandas como: Iron Maiden, Metallica, Black Sabbath, Judas Priest, Omen, King Diamond, Helloween e Manowar, revigorando o público, que, para a surpresa de todos, ainda se fazia presente, em grande número.

Com muita qualidade e respeito aos clássicos originais, os caras executaram, de forma bastante competente, musicas como: Aces High, For Whom the Bell Tolls, Paranoid, The Ripper, Sabbath Bloddy Sabbath, Don't Fear the Night, Abigail e na sequência, o momento épico da noite, sobe ao palco Lord Vlad (Malefactor), para nos brindar cantando Children of the Damned e Breaking the Law, colocando mais lenha nessa fogueira, que já ardia, quando, pra nossa surpresa e do público, ao iniciarmos os primeiros acordes da canção seguinte, sobe ao palco um grande parceiro e figura conhecidíssima na cena da Bahia, pelo seu talento e estilo de vida dedicado ao Metal, Marcos Jr., cantando, nada mais nada menos que; A Tale That Wasn't Right (Helloween), da fase com Michael Kiske, putz! Foi algo próximo da apoteose, não essa apoteose gourmet global, mas sim, da divindade Metal.

Já se aproximava das 23h, e os caras ainda tinham mais um gás pra gastar e finalizaram com uma sequencia avassaladora com: Kings of Metal, The Trooper e uffa...March of Time! A essa altura já estávamos cantando em uníssono, com os bangers presentes e a banda, que resistia bem até o acorde final dessa noite memorável, que ficará pra história da cena underground da cidade e do Estado.

Parabéns aos envolvidos e ao Cabeça Motora Moto Clube, pela iniciativa e qualidade do evento, em todos os aspectos, desde o excelente espaço, os equipamentos de som, a recepção das bandas e o suporte até o final da ultima apresentação!

Vida longa ao Cabeça Motora MC e ao Metal da Bahia!




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