Ensiferum, Ex Deo, Wind Rose: show em Ludwigsburg, na Alemanha
Resenha - Ensiferum, Ex Deo, Wind Rose (Rockfabrik,Ludwigsburg, Alemanha, 15/04/2018)
Por A. Krampmann
Postado em 22 de abril de 2018
Se esse show tivesse acontecido há uns 5 anos, eu certamente não iria comparecer. Foi mais ou menos por aí que eu, por intermédio da banda canadense Kataklysm, conheci o trampo do Ex Deo, que é uma espécie de projeto paralelo do Kataklysm. Quando fiquei sabendo que eles tocariam por perto resolvi comprar o ingresso na hora e sinceramente não dei muita atenção às outras bandas que tocariam no mesmo dia. Apenas alguns dias antes do show que resolvi ouvir alguma coisa da banda Ensiferum, que na verdade era o headliner da noite. Eu já tinha visto o logotipo da banda inúmeras vezes e imaginava uma coisa meio Death Metal – um problema de se tirar conclusões sem uma informação concreta. A primeira música que ouvi tinha algumas passagens bem típicas das bandas de Folk Metal, um estilo do qual não sou muito fã, por isso fiquei um pouco desanimado. Na hora me deu até um certo arrependimento por ter comprado o ingresso por impulso, ainda mais o show sendo num Domingo à noite.
Bom, se a coisa já está feita vamos aproveitar. Eu já tinha ido ao Rockfabrik, uma casa tradicional dedicada ao Rock/Metal que fica na cidade de Ludwigsburg, vizinha à Stuttgart. Na ocasião assisti o Krisiun junto com o Dark Funeral e estava curioso, pois o palco em que eles haviam tocado era bem pequeno e baixo. Cheguei e logo vi que as coisas seriam diferentes. Havia uma outra entrada e a casa na verdade possui dois ambientes. O local era bem mais agradável do que o do show do Krisiun, com uma excelente estrutura, um bar bem aconchegante e diversos locais para sentar, inclusive bem próximos ao palco. Para meus joelhos que já estão meia vida uma chance dessas não passa batida. Peguei uma cerveja, sentei no banco e fiquei curtindo o som da casa que (ainda) estava muito bom. Prong, SOD, Iron Maiden foram algumas bandas que rolaram. Só pelo clima que estava no local eu já sentia que tinha valido a pena ter comparecido.
Eu estava tão desinformado que estava aguardando o Ex Deo começar o show, mas vi uns caras com umas roupas e fisionomias diferentes dos canadenses se arrumando no palco. Só então que eu reparei que havia uma faixa no fundo do palco, atrás das duas baterias que estavam no palco. Como não dava pra ler fiz o que a maioria de nós fazemos e pesquisei no Google para descobrir que havia uma terceira banda, "Wind Rose", que abriria a noite. Os italianos logo começaram seu set e apesar do visual da banda ser uma coisa meio medieval, o som dos caras é mais baseado em um Heavy Metal tradicional, com passagens que me lembraram um pouco Blind Guardian. A banda é bem carismática e era nítido que eles estavam se divertindo no palco. O vocalista tem uma excelente voz e apresenta algumas melodias que fogem ao pouco do que normalmente se ouve no estilo, e no final achei uma banda bem agradável de se ver. Uma coisa curiosa era ver os caras vestidos daquele jeito, como se estivessem num passado remoto, mas de repente o guitarrista apoiava o pé no retorno e um tênis vulcanizado ficava em destaque. Engraçado. Mas, de qualquer forma, se você é fã de um bom Heavy Metal, dê uma conferida nesta banda. A única coisa que me incomodou no show foi o infinito apelo do "Hey!!, Hey!!, Hey!!" nas partes cadenciadas. Eles abusaram da boa vontade do público e em todas as músicas o ritual era repetido. Eu sou da opinião de que está na hora das bandas inventarem algo novo.
Agora sim chegava a hora do Ex Deo. A montagem do palco foi relativamente rápida, com os caras do Wind Rose, mesmo visivelmente cansados, ajudando na montagem do equipamento. O Ex Deo tem como temática o Império Romano e conta com um clima todo épico, então a intro do show não poderia ser diferente. Com os integrantes vestidos como soldados romanos, o Ex Deo, que é formada por todos os músicos do Kataklysm, iniciou seu set com o som "The Rise Of Hannibal", que é do último disco, "The Immortal Wars", de 2017. E aí eu vi uma coisa que acho que foi inédita para mim. A banda tocou sem baixista. Eu estava do lado do guitarrista Jean-François „JF" Dagenais e como estava bem do lado do palco, achei que o baixista estava fora do meu campo de visão. Estiquei um pouco meu pescoço e percebi que realmente não havia mais ninguém no palco. O que ocorreu é que devido a um problema familiar o baixista Centurion Dano Apekian teve que abandonar a tour. Baixistas, não fiquem com raiva, mas tenho que admitir que não fez uma grande diferença. Uma das guitarras foi afinada mais grave e isso deu uma certa mascarada no som.
A segunda faixa da noite foi "I, Caligvla", que abre o segundo disco da banda. Essa música é bem pesada e agitou bastante a galera. Após o som "Pollice Verso", também do segundo álbum, o batera Oli Beaudoin executou um excelente solo, que durou não mais que 3 minutos (e por isso com muito menos chances de ficar chato) e confirmou que foi uma ótima escolha para a banda. O show continuou numa boa atmosfera e antes da música "Final War", o vocalista Maurizio Iacono organizou um "roman wall of death", acrescentando que no show do Einsiferum a galera podia dançar, mas o Ex Deo queria violência. O público respondeu à altura e fez sua parte, tornando o show ainda mais animado. Emendaram a música "The Roman" e fecharam o show com "Romulus", do primeiro álbum da banda e uma das músicas mais legais do grupo. Sem muitas firulas eles deixaram rapidamente o palco, que logo começou a ser preparado para os headliners.
A espera pro show do Eindiferum pareceu durar umas duas horas, e o responsável pela discotecagem da casa foi um dos maiores culpados. Se antes ele estava mandando muito bem, agora ele havia resolvido mudar completamente o direcionamento dos sons e começou a colocar dance music, pop. O pessoal estava meio que levando na boa, e uma tiazinha que estava na minha frente curtiu bastante. Estava meio embriagada e tudo o que rolava a fazia gingar a cabeça, e eu já estava esperando ela começar a dançar. Não tenho nada contra outros estilos musicais, mas naquele momento estava destoando demais. Além disso a Einsiferum embaçou um pouco para entrar, e deu a impressão de que quando finalmente o show começou o público estava meio murcho. Ainda bem que isso não durou muito, pois para minha surpresa, ao contrário do esteriótipo de que os finlandeses são extremamente fechados, os integrantes do Einsiferum são até que bem animados. Há uma excelente movimentação de palco e eles se comunicam bem com o público. A única exceção é o baterista, esse sim faz jus à fama dos finlandeses. Se pegássemos apenas o rosto dele, sem ver que ele estava martelando o kit com muita velocidade e precisão, acredito que ninguém falaria que ele estava tocando um instrumento musical. Parecia mais que ele estava operando uma retroescavadeira ou fazendo algum trabalho burocrático. Não havia expressão alguma no rosto dele. Independentemente disso, o show me surpreendeu positivamente.
Eu não gosto muito desta história de rótulos, pra mim no final é tudo Metal. A banda apresenta estas referências folclóricas nas vestimentas, em inúmeros arranjos e com certeza nas letras, mas a base de tudo é um Heavy / Power Metal com muita energia. Por não conhecer a discografia da banda não tenho como comentar o set list, porém se antes do show eu estava cético em relação à Einsiferum, depois de vê-los ao vivo mudei de opinião. Mas mesmo com um bom show rolando, as obrigações de segunda-feira (e uma pequena viagem até em casa) falaram mais alto e eu acabei indo embora antes do show terminar. Valeu a pena ter ido, e se eu cruzar com alguma das bandas que tocaram à noite em algum festival vou assistir com prazer.
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