Neal Morse: metade prog, metade igrejinha, outra metade Portnoy

Resenha - Neal Morse Band (Carioca Club, São Paulo, 18/06/2017)

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Por Diego Camara
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Teve de tudo no último domingo no Carioca Club. Progressivo dos bons, rock clássico, heavy metal, pregação ao melhor estilo culto evangélico e muita bateria – deixando os fãs do Portnoy loucos. Foram quase 3 horas de show da Neal Morse Band no palco do Carioca, no padrão progressivo de qualidade e duração, com direito ao último álbum do grupo, "The Similitude of a Dream", tocado em sua íntegra, além de outros sucessos do seu frontman. Confira abaixo os principais detalhes do show, com as imagens de Fernando Yokota.

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O show começou praticamente no horário, para um Carioca Club com uma boa lotação. O público era um pouco menor do que aquele que viu o Transatlantic em 2014, com os mesmos Morse e Portnoy, mas nada que fosse além do normal. Havia muita gente na casa, e eles aplaudiram a introdução do show, além da entrada da banda – em especial do ídolo de muitos ali, Mike Portnoy. O espetáculo começou mesmo com "Overture", uma belíssima amostra de rock progressivo. O som estava perfeito, ao nível da banda e da equipe, e a performance dos músicos fechou a equação com perfeição. O público aplaudiu mais uma vez, com vontade.

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Das músicas pesadas, o público também passou pela emoção da puxada acústica que Morse colocou em algumas de suas músicas, como a seguinte "The Dream". O show se misturou nestes três estilos, das músicas progressivas mais focadas nos teclados para as músicas pesadas onde Portnoy mostrou toda sua performance na bateria, para as acústicas comandadas pela voz e o violão de Morse.

É difícil destacar pontos altos em um show que foi, no seu todo, extremamente técnico e emocionante ao mesmo tempo. A primeira a saltar aos olhos foi "City of Destruction", com um belo acompanhamento do público nas palmas, cantando com vontade o refrão junto a Morse, e a força das guitarras de Eric Gillette. Outra excelente do primeiro set foi "Makes no Sense", extremamente progressiva, cheia de reviravoltas e com um teclado bastante marcante, que animou o público.

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"The Ways of a Fool" foi outra extremamente marcante, com uma abertura ao som de piano, em um solo, a música se foca na melodia para trazer um clima completamente diferente do show. A música é seguida por "So Far Gone", que liga a banda ao rock clássico, com as guitarras extremamente potentes e uma atuação bastante cadenciada de Portnoy.

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Após uma pausa de em torno de 15 minutos, a banda retornou ao palco com boa animação para concluir "The Similitude of a Dream". Abrem a segunda parte com "Slave to your Mind", que serviu muito bem para devolver ao público o ânimo apresentado no primeiro set. Ela foi seguida pela cantante "Shortcut to Salvation" e por "The Man in the Iron Cage", uma das melhores da noite, um grande espetáculo de rock, com uma pitada de blues, um baixo marcante e um solo emocionante de Gillette e Morse.

Outra bastante diferente foi "Freedom Song", tocada em um estilo country, puxada pelo violão de Morse e a falta da presença da bateria, com Portnoy apenas no acompanhamento com a pandeirola, na frente do palco ao lado de Morse. Fechando o segundo set veio "Broken Sky", em uma música bastante emocionante que rememora bastante o final de "The Whirlwind" do Transatlantic, em sua força nas letras, o ritmo brilhante que remonta ao estilo gospel que também Morse é grande seguidor.

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Se já não bastante as mais de duas horas que o público obteve no show, ainda tinha espaço para mais coisa. A banda voltou para o bis com tudo, tocando duas músicas da carreira solo de Morse: "Momentum" e "Author of Confusion", com a participação do guitarrista gospel Adson Sodré, que tocou junto com Morse em gravações solo. Foi um show de virtuosidade dos músicos, Sodré arrasou nos solos junto com Gillette, além de contar com outro show de Portnoy nas baterias, em um curto, porém extremamente bem executado, solo.

Para ainda mais alegria do público, Morse ainda teve tempo de fechar o show com duas ótimas músicas do "The Grand Experiment": a rápida e bastante divertida "Agenda", e a mais longa e emocionante "The Call". Fez valer dos fãs os últimos momentos do show, levantando o público mais uma vez. A performance fantástica de Morse e companhia é marcante, e mostra que o progressivo da década de 90 continua mais vivo do que nunca, e ainda se aprimorando.

Vale tomar nota do excelente trabalho da Overload, que fez uma produção com o rigor que um show de progressivo merece. O som perfeito foi o trabalho da confluência do poder da banda, de sua equipe técnica e da produção, que levou um som perfeito para o Carioca Club.

Neal Morse Band é:
Neal Morse – Vocal, Teclados, Guitarra, Violão
Eric Gillette – Guitarra
Randy George – Baixo
Bill Hubauer – Teclado
Mike Portnoy – Bateria

Setlist:
Set 1 (The Similitude of a Dream, Part 1)
1. Long Day
2. Overture
3. The Dream
4. City of Destruction
5. We Have Got to Go
6. Makes No Sense
7. Draw the Line
8. The Slough
9. Back to the City
10. The Ways of a Fool
11. So Far Gone
12. Breath of Angels
Set 2 (The Similitude of a Dream, Part 2)
13. Slave to Your Mind
14. Shortcut to Salvation
15. The Man in the Iron Cage
16. The Road Called Home
17. Sloth
18. Freedom Song
19. I'm Running
20. The Mask
21. Confrontation
22. The Battle
23. Broken Sky / Long Day (Reprise)
Bis:
24. Momentum (música de Neal Morse, com Adson Sodré)
25. Author of Confusion (música de Neal Morse, com Adson Sodré)
26. Agenda
27. The Call

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Sobre Diego Camara

Nascido em São Paulo em 1987, Diego Camara é jornalista, radialista e blogueiro. Seu amor pelo metal e rock começou há 6 anos. Um amante da nova geração, é um grande fã de Arjen Lucassen, Andre Matos e bandas como Nightwish, Hammerfall, Sonata Arctica, Edguy e Kamelot. Também não deixa de ter amor pelos clássicos, como Helloween, Gamma Ray e Iron Maiden e do Rock de bandas como Oasis, Queen e Kings of Leon. Atualmente seus textos podem ser lidos no blog OCrepusculo.com sobre assuntos diversos, além de planos para criação de um projeto totalmente voltado aos blogs de Rock e Metal.

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