Black Sabbath: Como foi o show de despedida no Rio de Janeiro

Resenha - Black Sabbath (Praça da Apoteose, Rio de Janeiro, 02/12/2016)

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Por Guilherme Guerra
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Uma noite de sexta feira que não era comum. Era nessa noite que o BLACK SABBATH voltava ao Rio de Janeiro com sua formação quase completa. A banda para a turnê "The End" contava com Ozzy Osbourne, Tony Iommi e Geezer Butler. O baterista Bill Ward decidiu não participar das apresentações e Tommy Clufetos, que herdou as baquetas já há 4 anos, não deixa a desejar.

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O local escolhido foi a Praça da Apoteose aqui no Rio e que escolha. Sem dúvidas, a pior infraestrutura que vi nos últimos tempos. Tudo meio improvisado, muito sujo, poucos banheiros, poucos bares para pegar cerveja (inclusive os copos da turnê acabaram e fiquei sem o meu), a pista tinha um lado baixo e outro alto, o local mal sinalizado, sem falar do som. Isso é assunto pra daqui a pouco. Quero registrar aqui o que achei da produção: que bela merda! Um show como esses não merecia essa porcaria.

Seguimos. A noite teve abertura da banda norte-americana de Long Beach, RIVAL SONS. Os caras tocaram 6 ou 7 músicas para dar aquela aquecida na galera. Bom som, nunca tinha visto ao vivo, um Rock Clássico e que tenta pintar e bordar de Led Zeppelin. Vale ouvir. O vocalista Jay Buchanan dá umas exageradas, e fiquei com a sensação que ele acha que é o Robert Plant nos anos 70, mas nada que comprometa muito. "Pressure and Time" e "Eletric Man", são as minha indicações. Mesmo os que curtem metal pesado, darão um espaço para RIVAL SONS.

Seguimos para o show principal.

Um pouco depois das 21h30, Madman e cia. entravam nos palcos cariocas possivelmente pela última vez juntos. Começaram o show com "Black Sabbath" e a galera já foi ao delírio. Na virada do meio dessa música, se você foi ao show e ficou parado ou não esboçou um sorriso, pode ir se tratar, amigão. Simplesmente animal. Continuaram com a minha música favorita: "Fairies Wear Boots" é um musicão e colocou todo mundo pro alto de novo.

Depois dessa abertura sensacional, deu a baixada de adrenalina e comecei a analisar os aspectos técnicos do show. Veja bem, o local escolhido já não era dos melhores: um lugar aberto e sem nenhum tipo de tratamento ou cobertura acústica. Nessas condições, a produção tem que trazer paredes e mais paredes de amplificadores e etc, o que não aconteceu. O resultado era um som muito bom e claro, porém baixo. Teve gente até reclamando do volume da guitarra de Iommi.

Pois bem, continuamos. Ozzy já tinha avisado que o show não teria músicas do último álbum, o 13, seriam clássicos atrás de clássicos. Dito e feito. Seguiram com "After Forever", "Into the Void" e "Snowblind". O ponto alto da noite veio com "War Pigs", o público que vinha meio morno nas últimas músicas passou a pular e interagir mais com a banda.

Depois tivemos, "Behind the Wall of Sleep", "N.I.B" e "Rat Salad" que veio acompanhada de um solo de cair o queixo de Tommy Clufetos. Mostrou muita personalidade e trouxe o público para o seu lado. A banda vinha apresentando muita técnica, Tony Iommi mostrava muita desenvoltura e solava como se tivesse 30 anos e alguns problemas de saúde a menos. Geezer fez seu trabalho e se destacou em alguns momentos também. Mas, todos querem sempre ver Ozzy. Não importa. Ele é sempre o mais procurado e observado, seja em seus trabalhos solos, com o BLACK SABBATH ou se ele for comprar uma coca-cola no supermercado. Ele sempre é e será o centro das atenções. Sua voz estava surpreendentemente boa, não atravessou nenhuma melodia como fez em Porto Alegre, e a todo momento pedia o apoio do público. Sem contar o tradicional "We love you all" repetido 356 vezes durante a apresentação. Li críticas falando que ele não estava enérgico e etc. Bom, eu desafio qualquer um a tomar a quantidade de drogas e álcool que esse cara tomou e continuar vivo aos 67 anos. Sim, é só continuar vivo. Ele fez isso tudo e ainda faz turnê 40 anos depois e cantando bem. Sem mais.

Terminaram o show colocando o Rio de Janeiro a baixo com "Iron Man", "Dirty Women", "Children of the Grave" e o bis teve "Paranoid". Um apresentação que arrancou lágrimas de todos ao verem a frase "The End" no telão e saberem que esse era o momento de virarem as costas e rumarem para casa sabendo que o BLACK SABBATH nunca mais tocará junto novamente na cidade.

"Black Sabbath"
"Fairies Wear Boots"
"After Forever"
"Into the Void"
"Snowblind"
"War Pigs"
"Behind the Wall of Sleep"
"N.I.B."
"Rat Salad"
"Iron Man"
"Dirty Women"
"Children of the Grave"

BIS
"Paranoid"

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