BMU 2016: Após dez anos festival voltou com força e muito peso

Resenha - Brasil Metal Union 2016 (Tropical Butantã, São Paulo, 13/11/2016)

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Por Nelson de Souza Lima, Tradução
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A espera acabou. Dez anos depois o Brasil Metal Union está de volta e pela empolgação dos headbangers que compareceram ao Tropical Butantã não vai ter mais interrupções. Pelo menos esse é o desejo de todos os que amam o metal nacional, eu incluso. A iniciativa do produtor Richard Navarro é louvável e deve ser apoiada, apesar de todas as dificuldades que o gênero enfrenta em nosso país. Embora a chuva fina e fria tenha castigado a cidade isso não impediu que um número considerável de fãs comparecesse à casa de shows da zona oeste da cidade, bem próximo à estação Butantã da Linha Amarela. Fui de moto e mesmo todo paramentado cheguei um pouco molhado, mas nada que desanimasse, pois o BMU é um dos mais emblemáticos festivais de música pesada do país merecendo todas as honras. E assim como as edições anteriores esta trouxe representantes, com o perdão do trocadilho, de peso do Metal brasuca, de várias gerações. Cheguei ao Tropical por volta das 12h30, pois tinha muito trabalho pela frente. Eu e o mano Fernando Yokota que fez cliques sensacionais (confiram as imagens). Logo na entrada o gente fina Richard recebia todos cordialmente e presenteando-os com o CD comemorativo do festival. Claro que a bolachinha traz singles de todas as dez bandas da edição 2016 de estados e estilos diversos. E como diz o encarte é "a seleção brasileira de Heavy Metal". Ao entrar na casa, que tem capacidade para umas 2.500 pessoas, pista ampla e camarotes confortáveis, fui logo tratando de me localizar para aproveitar o máximo do evento. Cada banda montou uma "lojinha" para vendas de CDs e camisetas comercializando os produtos, além de trocar ideia com o público e fazer selfies. Colei na banca do Bruno Sutter, tirei foto com o cara e comprei o CD, que foi eleito o segundo melhor de Heavy Metal em 2016, de acordo com enquete do Whiplash. Sutter fazia questão de ressaltar a importância do site para o som pesado nacional. Como sempre o tom predominante foi o preto. Ironicamente os presentes, na maioria, vestiam camisetas de grupos gringos, ao invés de, brasileiros. Mas tudo bem, vamos ao show.

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Antes de começar tocaram o Hino Nacional que não empolgou muito, acredito que pela situação calamitosa que o Brasil enfrenta no momento.

Logo em seguida Richard Navarro discursou agradecendo a presença de todos e anunciou a primeira atração: Soulspell. De Lençóis Paulista, interior de São Paulo, é um dos nossos grandes representantes do Melodic Power Metal.

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A "Metal Ópera" da banda é espetacular, com perfeita sintonia dos seis vocalistas que cantam de maneira harmoniosa. Os vocais vão do gutural ao melódico facilmente, demonstrando o alto nível da banda. No set list dos lençoienses as porradas "Troy", "Labyrinth" e "A Secret Compartment". Após 40 minutos o Soulspell encerrou a competente apresentação. Começo sensacional. Pena que para um público ainda pequeno. Afinal ainda era hora do almoço.

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Aliás, o horário foi motivo de brincadeiras de China Lee, vocalista do Salário Mínimo, que iniciou sua apresentação às 14 horas. Uma das maiores bandas do Brasil com mais de trinta anos de trajetória o Salário fez uma homenagem ao documentário "Brasil Heavy Metal". O grupo paulistano detonou uma porrada atrás da outra, entre elas, "Beijo Fatal", "Anjo da Escuridão" e "Noite de Rock". Para encerrar o show o vocalista chamou Paul "X" e Carlinhos Anhaia, do Monster. Numa celebração metálica tocaram "Cabeça Metal". Grande apresentação também.

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Importante frisar que entre uma banda e outra o telão gigante descia na frente do palco só passando clipes nacionais.

Na sequência veio a banda recifense Cangaço e sua empolgante mistura de ritmos nordestinos e Death Metal. O trio é bastante entrosado, sendo ótimos instrumentistas. Muito legal a atitude do baixista/vocalista Magno Barbosa lembrando os atentados cometidos em Paris, pelo Estado Islâmico, exatamente um ano antes. O ato terrorista deixou dezenas de mortos na capital francesa, sobretudo na casa de espetáculos Bataclan. Com músicas bastante interessantes e letras inteligentes os recifenses tocaram, entre outras, "Arretado", "Bombardeio no Ceará", "Corpus Alienum", além de "Cavalos do Cão", um tributo bem legal a Zé Ramalho.

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Encerraram com "Cantar às Excelências das Armas Brancas".

Ai saímos do nordeste e fomos para o sul do país. De Curitiba, PR, o Semblant fez outra ótima apresentação, mostrando músicas do novo CD "Lunar Manifesto". Liderado pelos vocalistas Sérgio Mazul e Mizuho Lin os curitibanos são representantes do Gothic Metal. O equilíbrio do timbre gutural de Mazul e o lírico de Lin embalaram o público que a essa altura já era bom. No set list do Semblant constaram "Dark Of The Day", "The Shrine" e "What Lies Ahead". "Incinerate" que encerrou o show teve como destaque uma bela dançarina em trajes sensuais.

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Mais alguns clipes brasucas, uma água para refrescar e um sanduba que matou a fome foram meu ritual enquanto esperava Bruno Sutter e grupo. Um detalhe legal é que Luís Mariutti, do About2Crash, tocou o contrabaixo, assim Sutter teve mais inteiração com o público. O cantor/apresentador mostrou um set competente embasado no álbum já mencionado. Heavy Metal tradicional da melhor qualidade e uma banda afiada levaram a galera ao delírio. Sutter tem um timbre vocal bastante interessante indo do grave ao agudo com facilidade. No repertório "My Boss Is A Corpse", "The Best Singer In The World" e "Socorro". Esta última é um poema de Aloysio Grazzinoli, pai de Bruno Sutter e já falecido. O solo desta música é do jovem Guilherme Matheus e merece ser mencionado. Para encerrar outra surpresa legal de Sutter. O clássico sertanejo "Galopeira", de Maurício Cardoso Ocampo recebeu arranjos pesados fazendo qualquer headbanger bater cabeça. Para esta música o batera Christian Oliveira fez a introdução de "Battle Hymm", do Manowar. Após o show de Sutter fui trocar uma ideia com ele e Luís Mariutti. O baixista disse que estava muito honrado com o convite de Bruno Sutter para tocar nesta edição do "BMU", pois pra ele era bastante significativo. "Toquei na primeira edição do BMU, em 2000, com o Motorblues", disse.

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Por sua vez, Bruno Sutter era só elogios pra Mariutti.

"Eu comecei a ouvir o Luís na época do lançamento do "Angels Cry", do Angra, quando tinha 13 anos. Ele é um dos meus ídolos da infância", falou o vocalista.

Mais uma água pra refrescar e aguardar o Death Metal do Headhunter D.C, banda precursora do som extremo no Brasil. Com quase três décadas de carreira os soteropolitanos fizeram sua estreia no BMU em grande estilo. O vocalista Sérgio Baloff conduziu o show, digo culto macabro em alto estilo. A todo instante invocava o número da besta 666 e pedia para público erguer as mãos chifradas. O Headhunter D.C relançou o CD "In Unholy Mourning" e sua apresentação não poderia começar de outra forma, claro que com a Marcha Fúnebre. No set list dos baianos as apocalípticas "Hail The Metal Of Death", "Stillborn Messiah" e "God's Spreading Cancer". O Metal da Morte dos caras não faz inveja a nenhuma banda gringa. O culto foi nota dez.

Encerrada a apresentação do Headhunter D.C hora da tão esperada volta dos paulistanos do Monster. Após oito anos de hiato o baixista/vocalista Paul "X" subiria ao palco ladeado pelos parceiros Daniel Iasbeck na guitarra e E.V. Sword, bateria.

Os anos parecem que não passaram pros caras e seu Heavy influenciado por Mettalica e Megadeth levantou a plateia como nos bons tempos. O Monster é um veterano do BMU. Participaram das edições de 2003,2004 e 2006 e voltaram a pedido de Richard Navarro para uma apresentação especial no BMU desse ano. A emoção de Paul "X" era visível dizendo que estava até empolgado para fazer outros shows. Carlinhos Anhaia e o guitarrista da banda Ancestral fizeram participações especiais. E detalhe curioso a banda estava com um visual divertido, inspirado nos uniformes dos times de futebol americano. Paul "X" e seu moicano de respeito entoou as porradas "If You Can't Trust Me", "At Last", "The Show Is Not Over", entre outras. Para fechar a música favorita do vocalista e hino da banda a homônima "Monster". O refrão dessa música é chiclete e gruda mesmo na orelha. Encerraram aclamados pela galera. Depois do show bati um papo rápido com Paul "X". "O BMU é uma coisa fora do comum, muito acima da média. Esse foi o único motivo da gente reunir a banda porque vale muito a pena", afirmou. A inspiração do visual da banda nesse show veio mesmo dos times de futebol americano. "A gente já não tem tanto cabelo e estamos velhos e barrigudos. Então pensei qual é a forma de chamar atenção? Nós somos Monster e os jogadores de futebol americano são uns monstros, grandes e colocam aquelas coisas. Ai surgiu a ideia de fazer uma roupa com aquela pegada", diz rindo. Sobre futuros shows do Monster o vocalista desconversa. "A princípio não. Mas não podemos dizer nunca, pois há oito anos falei isso e hoje tô aqui", concluiu rindo mais ainda.

Seguindo a maratona de shows vieram as meninas da Nervosa. Estreando no BMU Fernanda Lira (baixo/vocal), Prika Amaral (guitarra/vocal) acompanhadas pela nova e poderosa baterista Luana fizeram um set com músicas antigas e novas do CD "Agony", lançado em junho último. O trio mostrou porque é uma das melhores bandas do Thrash Metal brasuca e que a mulherada não fica atrás dos homens pra fazer som porrada. No set "Hypocrisy", "Surrounded By Serpents", "Death" e "Arrogance". "Into Moshpit" encerrou em alto nível o show da Nervosa.

Trocando uma ideia com Prika Martins, após a apresentação das meninas, ela disse estar honrada de participar de um festival só com bandas brasileiras autorais.

Sobre a nova baterista Martins não mede elogios. "Ela ainda não é a batera oficial, mesmo porque precisamos testar na estrada. Ela tem grandes chances. A Luana é muito nova, tem apenas 19 anos e precisamos saber também se é isso que ela quer, pois a estrada testa todos os nossos limites e tira tudo da gente. Vamos ver", disse a guitarrista. Sobre a estreia no festival Prika Martins se sentia bastante gratificada. "Nosso primeiro show em São Paulo este ano foi exatamente aqui no BMU. Tocar na nossa casa neste puta festival ao lado de bandas que estão na estrada há tanto tempo pra nós foi enriquecedor", concluiu a guitarrista.

A penúltima apresentação do BMU 2016 foi dos gaúchos do Hibria. Liderada pelo vocalista Iuri Sanson a banda já passou dos dez anos de carreira com um Metal vigoroso e instrumentistas muito técnicos. Me chamou atenção o excelente baixista Ivan Beck que com muita propriedade usa o recurso do "tapping", aquele de tocar no braço do baixo, fazendo acordes. Sanson sabe como levantar a galera indo literalmente pro meio dos fãs. Os gaúchos que se apresentaram na edição de 2006 estavam empolgados com a volta do festival e enalteciam o trabalho de Richard Navarro. Este show marcou também o lançamento de "XX", novo EP dos caras.

No repertório "Tiger Punch", "Pain", "Lonely Fight", "Leading Lady" e outras.

Fechado o BMU 2016 foi escalado o Tuatha de Danann. Os mineiros de Varginha são os maiores frequentadores do festival. Com esta última contabilizam participação em seis das sete edições. O show dos caras é sempre empolgante com sua mistura de folk e metal. O uso de flautas e bandolins fez os fãs se sentirem no meio de uma festa celta. Tocaram entre outras "We're Back", "The Brave", "Dance Of The Litte Ones", encerrando com "US".

Terminado o show do Tuatha o anfitrião Richard Navarro subiu novamente ao palco agradeceu a presença do público, das bandas, feliz com mais um festival realizado. E que venham mais edições do BMU. O Metal brazuca agradece.

Setlists do BMU

►SOULSPELL:
The Entrance
Labyrinth
Troy
Adrift
Dead Tree
Age Of Silence
A Secret Compartment

►SALÁRIO MÍNIMO:
Delírio Estelar
Beijo Fatal
Anjo Da Escuridão
Dama Da Noite
Noite De Rock
Jogos De Guerra
Cabeça Metal

►CANGAÇO:
Nação
Arcabuzado
Al Rasif
Rondon
Arretado
Bombardeio
Corpus
Cavalos do Cão
Cantar Às Excelências

►SEMBLANT: 
Dark Of The Day
Mists Over The Future
Ode To Rejection
The Shrine
What Lies Ahead
Bursting Open
Incinerate

►BRUNO SUTTER:
My Boss Is A Corpse
GrAttitude
Stalker
Socorro
Provoke Yourself
Haters Gonna Hate
Best Singer
Galopeira

►HEADHUNTER D.C.:
Intro / DeathOf Heresy
Stillborn Messiah
...And The Sky Turns To Black...
Am I Crazy?
Death Vomit
God’s Spreading Cancer
Hail The Metal Of Death

►MONSTER:
Why Don’t You Wake Up
If You Can’t Trust Me
Fire (Burn)
At Last
The Show Is Not Over
Shut The Fuck Up
Monster

►NERVOSA:
Hypocrisy
Arrogance
Death!
Surrounded By Serpents
Intolerance Means War
Masked Betrayer
Hostages
Theory Of Conspiracy
Into Moshpit

►HIBRIA:
Silent Revenge
Lonely Fight
Steel Lord On Wheels
Blinded By Faith
Leading Lady
Pain
Shoot Me Down
Tiger Punch

►TUATHA DE DANANN:
We’re Back
Rhymes Against...
Land Of Youth
Tanpingaratan
The Brave
Dance Of The Little Ones
US

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Comente: Você foi ao BMU? Qual a sua opinião sobre um festival apenas com bandas nacionais?




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Sobre Nelson de Souza Lima

Jornalista, repórter, resenhista, colunista musical. Assim é Nelson de Souza Lima. Mas acima de tudo um amante do rock, classic, hard e metal. Entre minhas entrevistas estão as feitas com Angra, André Mattos, Royal Hunt, Blind Guardian, entre muitas outras. Além disso sou baixista da banda de Classic Rock e metal The Green Pigs.

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