Sisters of Mercy: Soturno e macabro retornam à SP para show
Resenha - Sisters of Mercy (Tom Brasil, São Paulo, 16/09/2016)
Por Diego Camara
Postado em 21 de setembro de 2016
Um show curto, mas bastante satisfatório é o resumo que podemos dar para a apresentação do SISTERS OF MERCY em São Paulo. Após quatro anos desde a última apresentação – ainda no finado e soterrado Via Funchal – a banda retornou para tocar em uma meio-cheia. Se o público não era dos maiores – nem da banda, nem do próprio Tom Brasil – não podemos dizer outra coisa da empolgação do público e da qualidade do show. A produção, tanto do local quanto da TopLink, responsável pelo evento, foram irretocáveis.
O clima soturno e macabro foi muito bem construído no Tom Brasil desde antes da apresentação. A fumaça tomou conta do palco, da pista, dos camarotes, das frisas, do hall de entrada e parecia que até do entorno da casa, dando aquele clima de pista de balada gótica, ao melhor estilo Madame Satã – que também finou-se e ressuscitou-se. Para quem conhece o Tom Brasil, parecia uma outra casa. O show parecia ter sido transportado para uma outra dimensão.
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O show começou atrasado em 20 minutos, algo bem incomum para a banda, conhecida por sua pontualidade britânica. A banda abriu o show com "More", do "Vision Thing", e não demorou muito para ganhar o público. A qualidade do som espantou positivamente, da voz sombria e distante de Eldritch à bateria eletrônica do Doktor Avalanche, o misto perfeito de rock com a música eletrônica que a banda entrega. O resultado foi uma apresentação que começou em pé direito.
Sem nenhuma palavra ou outro tipo de interação com o público, a banda sacou de música atrás de música. Sem dar tempo muitas vezes nem para os aplausos efusivos que rolavam após muitas das músicas apresentadas, a banda correu com rapidez por todo o seu longo setlist, deixando o show parecer mais curto do que o normal. Mas, como eu as vezes digo, menos é mais e desta vez foi o caso. Sem nenhum lenga lenga ou os famosos fillers que abundam a cena do rock em tantos shows, o público se mostrou bastante satisfeito com o que lhe foi dado.
O humor do público saia do quieto e compenetrado até o dançante extasiado. Músicas como "Alice" e "Dominion/Mother Russia" foram das responsáveis até por fãs mais exaltados e emocionados cantando juntos com Eldritch. Outro som que merece destaque foi a música "Arms", com um som bastante pesado, guitarras potentes, em uma aproximação forte com o heavy metal e o punk, além do seu refrão pegajoso, repetido em exaustão pelo público presente.
A banda saiu em um tempo recorde do palco. E retornaria rapidamente para dois bis ao público. Claramente o ponto alto do show, a banda sacou alguns dos seus maiores sucessos para dar aquele adeus ao público, com um gostinho de quero mais. No primeiro bis, a banda sacou logo "Lucretia My Reflection", uma das favoritas do público, e a faixa título "Vision Thing". A apresentação sensacional ficou marcada por Eldritch, que não poupou seu vocal e nem em seus trejeitos no palco.
O segundo bis veio para trazer ainda mais emoção aos fãs, numa escalada sem limites, já que foi completado por "FLA", "Temple of Love" e "This Corrosion", todas ovacionadas e recebidas aos gritos pelo público presente. Depois de menos de 1h30m de show, sensação de dever cumprido. Impressionante como o poder frenético da banda, de levar o maior número de músicas possíveis aos fãs no menor tempo possível, faz tudo parecer fácil e dado. A qualidade de Eldritch e cia mostrou excelência e capricho, da primeira até a última música, e explica porque a banda ainda mantém sendo um ícone após quase 40 anos de existência.
Fotos: Fernando Yokota.
Setlist:
1. More
2. Ribbons
3. Doctor Jeep / Detonation Boulevard
4. Amphetamine Logic
5. Body Electric
6. Alice
7. Crash and Burn
8. No Time to Cry
9. Marian
10. Arms
11. Dominion/Mother Russia
12. Summer
13. Jihad (música do The Sisterhood)
14. Valentine
15. Flood II
Bis 1:
16. Something Fast
17. Lucretia My Reflection
18. Vision Thing
Bis 2:
19. First and Last and Always
20. Temple of Love
21. This Corrosion
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