Resenha - CJ Ramone (Let's Go, Fortaleza, 30/10/2015)

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Por Leonardo Daniel Tavares da Silva
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Em mais uma extensa turnê pelo brasil, CJ RAMONE, baixista que integrou o quarteto pilar do Punk Rock nos anos 90, passou mais uma vez por Fortaleza a convite da Empire. Desta vez, a apresentação foi no Let's Go Rock Bar, uma casa com ares de pub nas proximidades do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura e que vem se tornando ponto de encontro para roqueiros de todos os estilos, do mais pesado Death Metal ao hardcore melódico. Confira abaixo como foram os shows de CJ e de seu grande amigo Jiro Okabe no final do mês passado.

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A festa punk começou com o Sr. Myiag do Punk Rock, Jiro Okabe, encabeçando seu power trio em uma apresentação (em todos os sentidos desta palavra) que surpreendeu e empolgou todos os presentes. No setlist, estavam principalmente músicas do álbum recente de Jiro, "Return of The Kamikase", como "All I Want", "Dedication" e "Punk Rock Generation".

Ainda desconhecido por boa parte da galera, Jiro começou o show com a instrumental "Durango 95", dos RAMONES, e chamou todos para uma festa em "All I Want", começando a conquistar o público logo em sua segunda canção, "Dedication". O japonês também conseguiu uns bons socos para o ar em "Baby, Baby, Baby", todas estas faixas de "Return...". Além de se mostrar simpático com a plateia (chegando a presentear os mais empolgados com camisas e bandanas - ele tinha colocado um monte em um canto estratégico do lado de uma das caixas), Jiro também dividiu os microfones com seus dois colegas. "I Don't Even Care" é o baterista Steve "Bighead". O show foi direto, como está na cartilha do Punk Rock, mas também tinha solos que chegavam a ser virtuosos, na linha de East Bay Ray, como em "Wanna Be Alone".

"Can't Stop Loving You", uma espécie de rockabilly pesadão é a mais bonita da noite. E após ela, Jiro troca de lugar com o guitarrista Clay Antony para que este cantasse "Running Thru Graveyard", outro petardo. Mas foi em "Something To Do", a primeira dos RAMONES da noite, que o povo arriscou cantar junto pela primeira vez (no verso "tonight, tonight, tonight". Semelhante feito Jiro conseguiria mais tarde com uma de suas próprias canções, "Something To Believe In". O momento singalong teve Jiro, acompanhado apenas pela bateria e pelo público durante o refrão da música. Se chegara ali quase desconhecido, o japonês conseguira quem acreditasse nele.

setlist JIRO

Durango 95
All I Want
Dedication
Baby, Baby, Baby
I Don't Even Care
Wanna Be Alone
Can't Stop Lovin You
Runnin Thru Graveyard
Something To Do
Punk Rock Generation
Something To Believe In

CJ RAMONE

CJ Ramone foi o mais jovem membro dos RAMONES, injetou juventude no quarteto que já caminhava em direção a maturidade e manteve essa juventude até hoje, mesmo já um cinquentão. O baixista substituiu Dee Dee Ramone nos palcos e esteve presente nos álbuns de estúdio "Mondo Bizarro" (1992), "Acid Eaters" (1994) e "!Adios Amigos!" (1995) . Em sua segunda visita à capital do Ceará, CJ veio acompanhado dos (nada adolescentes) guitarristas dos ADOLESCENTS, Dan Root e Steve Soto, e o baterista Pete Sosa. O próprio Steve Soto é também uma referência no mundo do punk e uma das personagens mais importantes na galeria do estilo.


CJ foi curto e reto em seu show. "Apenas vamos nos divertir um pouco", e foi mandando uma atrás da outra, seguindo, a princípio, a ordem do CD "Last Chance To Dance": "Undestand Me?", "Won't Stop Swinging" e "One More Chance". Mas é em "Judy Is a Punk", a primeira dos RAMONES da noite, que o "Let's Go" explode com jovens e quarentões, cinquentões dançando loucamente.

A bela "Carry Me Away" veio na sequência. A canção de "Evangeline" é a mais marcante de "Last Chance To Dance" e deveria permanecer nos setlists mesmo quando a discografia solo do ex-RAMONES chegar à primeira dezena de títulos. Apeser de ter como foco principal esse disco de CJ, "Last Chance...", músicas dos RAMONES, tenham elas sido sucesso na voz do próprio CJ ou de Johnny ou Joey, não poderiam faltar e não faltaram, como "Cretin Hop", que terminou com o público ovacionando o baixista e gritando seu nome, "CJ", "CJ", "CJ", ou criando uma roda violenta, como em "Cluster Fuck", a última e mais pesada do disco de CJ.


Mais uma da carreira solo de CJ que marcou presença foi "Three Angels", de "Reconquista", o primeiro álbum. Esqueci de perguntar, quando entrevistei CJ, se os três anjos eram Dee Dee, Joey e Johnny, pois a canção parece uma bela homenagem aos três ramones que já deixaram este mundo. "Cretin Family", canção cantanda por CJ no "!Adios Amigos!", determinou que era hora de começar os crowd surfings.

"I Wanna Be Your Boyfriend" ganhou um aviso de CJ. "Esta é uma canção de amor. Todo mundo ama uma canção de amor. Então, rapazes, peguem suas garotas. Garotas, peguem seus rapazes. Rapazes, peguem seus rapazes", recomendou um sorridente CJ.

Depois de "Pitstop", faixa de "Last Dance...". em que o baixo se sobressai, o público mostra para CJ que tem na ponta da língua a letra de "Strength To Endure", canção cantada por ele no "Mondo Bizarro".

CJ brinca novamente: "outra canção de amor dos RAMONES. Eu amo canções de amor". É "Baby, I Love You", que, na verdade é do girl group RONNETTES. Seria inevitável e foi realmente o que aconteceu em seguida: todo mundo se entregou e ficou pulando em "The KKK Took My Baby Away", um dos maiores sucessos dos RAMONES (na verdade, a KKK da canção seria uma alusão a Johnny Ramone, que "roubou" a namorada de Joey, Linda).

A energia continuou altíssima durante a faixa título do novo disco "Last Chance To Dance", mas CJ fez uma pausa para apresentar os colegas, os ADOLESCENTS Dan e Steve, além de Pete Sosa, dono das baquetas. "Todos são da Califórnia, então vamos fazer com que eles se sintam em casa", disse CJ antes de "California Sun", de JOE JONES (que também fez parte da discografia dos RAMONES), que encerrou a primeira parte do show.

Os quatro punk rockers voltam para o bis com "My Back Pages", que é de BOB DYLAN, mas ganhara sua versão na voz de CJ no "Acid Eaters". A maior parte das músicas dos RAMONES no show teve algum registro na voz de CJ durante seu perído com o quarteto. O baixista permaneceu sorridente o show inteiro, até quando um infeliz idiota quis invadir o palco (sempre tem um babaca tentando acabar com a festa alheia). Com 50 anos, CJ ainda parece um jovem soldado do Punk, afinal, punk não envelhece. Já Steve Soto, parecia exausto, mas procurava ser simpático sempre que possível. "Commando" e "Psycho Therapy" fecharam mais uma parte do show.

Com a banda voltando para mais um bis, o público cantava "Hey Ho, Let's Go" (curiosidade: o nome do local, Let's Go vem da letra de "Blitzkrieg Bop"), mas, inacreditavelmente, a música ficou de fora do show. "53rd & 3rd", a da esquina dos prostitutos nova-iorquinos, "Sheena is a Punk Rocker", a do Tarzan de saias (uma que não foi tocada em outras datas da turnê), e R.A.M.O.N.E.S (canção cantada por CJ no Adios Amigos japonês) homenagem do MOTORHEAD aos RAMONES, puseram fim ao show. "Ramones Forever" foram as últimas palavras de CJ no palco do Let's Go. Depois de CJ, duas bandas cover (do MISFITS, com vocalista caracterizado e tudo) e NOFX garantiram a alegria de boa parte do público que continuou a festa.

Nota: Por problemas de saúde, Gandhi Guimarães, cujas excelentes fotos já ilustraram muitas de minhas resenhas não pode comparecer ao evento. Eu, que não tenho o menor talento para esta arte, tive que me virar e produzir as imagens horríveis que vocês estão vendo na matéria (melhor que nada, né?). Uma dica pra você que fica o tempo inteiro fotografando durante os shows: a maior parte das suas fotos não fica melhor do que estas aqui. A maioria, nem mesmo você vai ver depois. Então, curta o show e guarde as boas lembranças em sua própria memória.

Agradecimentos: Denor Sousa e Empire, pela atenção e credenciamento.

Setlist CJ Ramone

1. Understand Me?
2. Won't Stop Swinging
3. One More Chance
4. Judy Is a Punk (Ramones)
5. Carry Me Away
6. Cretin Hop (Ramones)
7. What We Gonna Do Now?
8. Cluster Fuck
9. Three Angels
10. Little Surfer Girl
11. 'til the End
12. Cretin Family (Ramones)
13. I Wanna Be Your Boyfriend (Ramones)
14. Glad to See You Go (Ramones)
15. Pitstop
16. Strength to Endure (Ramones)
17. Baby, I Love You (The Ronettes)
18. The KKK Took My Baby Away (Ramones)
19. Last Chance to Dance
20. California Sun (Joe Jones)
21. My Back Pages (Bob Dylan)
22. Commando (Ramones)
23. Psycho Therapy (Ramones)
24. 53rd & 3rd (Ramones)
25. Sheena Is A Punk Rocker (Ramones)
26. R.A.M.O.N.E.S. (Motörhead)

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Sobre Leonardo Daniel Tavares da Silva

Daniel Tavares nasceu quando as melhores bandas estavam sobre a Terra (os anos 70), não sabe tocar nenhum instrumento (com exceção de batucar os dedos na mesa do computador ou os pés no chão) e nem sabe que a próxima nota depois do Dó é o Ré, mas é consumidor voraz de música desde quando o cão era menino. Quando adolescente, voltava a pé da escola, economizando o dinheiro para comprar fitas e gravar nelas os seus discos favoritos de metal. Aprendeu a falar inglês pra saber o que o Axl Rose dizia quando sua banda era boa. Gosta de falar dos discos que escuta e procura em seus textos apoiar a cena musical de Fortaleza, cidade onde mora. É apaixonado pela Sílvia Amora (com quem casou após levar fora dela por 13 anos) e pai do João Daniel, de 1 ano (que gosta de dormir ouvindo Iron Maiden).

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