Roger Hodgson: Gravação de DVD para um público das antigas
Resenha - Roger Hodgson (Espaço das Américas, São Paulo, 23/10/2014)
Por Diego Camara
Postado em 28 de outubro de 2014
Apesar de tantos anos em carreira solo, é impossível não ligar a icônica figura de Roger Hodgson ao seu antigo grupo SUPERTRAMP. Há exatos 31 anos o vocalista deixou a banda para produzir sua própria música e especialmente passar mais tempo com sua família. Foram três álbuns solo, que remetem no geral muito ao seu estilo musical no próprio Supertramp, e por outro lado até hoje é difícil conceber o Supertramp sem a voz de Hodgson.
A chegada ao local do show foi bem tranquila. Por ser um show de público bastante diferenciado – um público mais experiente, das antigas, e eu diria até que boa parte não está lá muito acostumada de ir a shows – não se formou uma fila extensa na entrada do Espaço das Américas, o que tornou tudo bastante tranquilo.
Já dentro da casa, o palco estava esplêndido e muito bem montado. A disposição da pista foi encurtada e contou com um camarote elevado no fundo da casa, o que também achei bem positivo – camarote parece ser realmente o calcanhar de Aquiles do EDA, que sempre teve dificuldade de dispor de espaço diferenciado para o público que não quer ficar na pista no meio do povão. Havia também um grande número de câmeras e microfones, além de uma grua, o que já dava sinais de que o show obteria uma gravação oficial.
Logo antes do início do show, já dando em torno de 15 minutos de atraso, foi anunciado ao público que Roger tinha escolhido o show de São Paulo para que fosse gravado para o seu novo DVD. Uma pena que isto não foi avisado anteriormente, poderia ter atraído inclusive muito mais gente para o show. A casa estava bastante cheia, mas claramente não estava esgotada.
Após o anúncio, Hodgson subiu ao palco com sua banda para iniciar sua apresentação. Abriu o show com sua versão de "Take the Long Way Home", um dos grandes sucessos do Supertramp. Mais puxada para o eletrônico, jogada nos teclados de Hodgson, a música tem um toque mais moderno do que a gravação original, o que a deixou bem animada. O público cantou junto e mostrou-se muito empolgado, assim também como Roger, que disse no final da música estar muito contente de estar no Brasil, que ama o povo brasileiro e que todos devem deixar seus problemas fora dali pelas próximas duas horas, o que levou o público a uma salva de aplausos.
A sequência foi igual que a apresentação de 2012, com "School" do "Crime of the Century", seguida pelas canções solo "In Jeopardy" e "Lovers in the Wind", a primeira com um pé bem fincado no Jazz, firmada pelos saxofones, e a segunda extremamente calma e romântica.
Roger realmente não trouxe lá muitas novidades para seu novo show, mas realmente porque o músico não as tem. Não há lançamentos novos de Roger, e o Supertramp tem uma lista extensa de músicas que não podem faltar em um show: não há realmente muita margem de manobra. As ótimas novidades do setlist ficaram por conta de "Lady" do "Crisis? What Crisis" e da ótima solo "Had a Dream", que levantou o público na sua introdução e teve Roger Hodgson nas guitarras, com direito a um belíssimo e emocionante solo. Foi inclusive a única música que teve guitarra, já que a banda de apoio de Hodgson não possui um guitarrista em sua formação.
Mas os sucessos estavam todos lá, como a belíssima "Breakfast in ‘Brazil’" – em homenagem às belíssimas mulheres na plateia do show – que fez o público todo dançar e cantar junto com Roger. Outra que teve todo o sucesso possível foi a incrível "The Logical Song", que levou o público a loucura! Roger estava ótimo como sempre, e não teve nenhuma dificuldade de levantar o público: sua voz esta ainda em ótimo nível, e em sua carreira solo ele mostra ainda como é difícil para o Supertramp arranjar um substituto a altura dele.
Para fechar o show, Hodgson contou com a dupla "Dreamer" e "Fool’s Overture", que levantou o já morno e em partes cansado público do Espaço das Américas. Puxadas mais uma vez pelos teclados e pela voz marcante do vocalista, além é claro da excelente intro que só "Fool’s" tem. O público cantou junto e deixou realmente sua marca na gravação. E, como disse Hodgson, se ele esperava que o público tivesse gostado tanto do show quanto ele gostou, não restou dúvidas para ele de que realmente conquistou o coração dos presentes.
Para o bis, a banda voltou com o mesmo de 2012: abrindo com "Two of Us", seguida na sequência por "Give a Little Bit" e fechando a noite com "It’s Raining Again", que pareceu ser a mais esperada pelo público. Chegando já perto da meia noite, o show acabou com o público cantando junto com Roger e curtindo cada minuto.
A apresentação ficou de alto nível, sendo difícil tecer algum comentário que não seja positivo tanto ao Espaço das Américas, quanto a Roger e sua banda e a produtora Plan Music, responsável pela turnê. Para quem gosta de progressivo, foi mais um prato cheio neste ano cheio de ótimos shows.
Fotos: Fernando Yokota. Set completo no link abaixo.
https://www.flickr.com/photos/fernandoyokota/sets/72157648536893009/
Setlist:
1. Take the Long Way Home (música do Supertramp)
2. School (música do Supertramp)
3. In Jeopardy
4. Lovers in the Wind
5. Babaji (música do Supertramp)
6. Breakfast in America (música do Supertramp)
7. Lady (música do Supertramp)
8. Sister Moonshine (música do Supertramp)
9. Hide in Your Shell (música do Supertramp)
10. Lord Is It Mine (música do Supertramp)
11. Had a Dream
12. The Logical Song (música do Supertramp)
13. Death and a Zoo
14. If Everyone Was Listening (música do Supertramp)
15. Child of Vision (música do Supertramp)
16. Dreamer (música do Supertramp)
17. Fool's Overture (música do Supertramp)
Bis:
18. Two of Us (música do Supertramp)
19. Give a Little Bit (música do Supertramp)
20. It's Raining Again (música do Supertramp)
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