Dave Lombardo: Como foi o workshow no CCB de Brasília

Resenha - Dave Lombardo (CCB, Brasília, 24/08/2014)

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Por Kayo John e Karla Mustafa
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Como falar de minha total satisfação em participar desse grande evento. Sinceramente, um dos maiores e mais lindos momentos da minha vida sem dúvidas. O que falar de um nome como DAVE LOMBARDO? Simplesmente ele é o cara das baquetas. Simpatia, carisma, atitude, e respeito gigantesco pelos seus fãs.

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Como era de se esperar: casa lotada, um belo teatro, organização muito boa diga-se de passagem. Um leve atraso, mas que não comprometeu em nada o evento.

DAVE iniciou os trabalhos tocando uma faixa do álbum Power of Inner Strength de seu projeto GRIP INC., banda de groove metal de meados da década de 90, formada logo que saiu pela primeira vez do SLAYER.

Como em todo workshow ele tocou somente trechos mais importantes, dentre rítmos, viradas, partes mais rápidas, levadas de condução e introduções clássicas como Hell Awaits, South Of Heaven, War Ensamble, Show No Mercy, Reign In Blood e Chemical Warfare. LOMBARDO estava muito à vontade. Feliz, passou boa parte do tempo respondendo as inúmeras perguntas dos fãs brasilienses.

Dentre todos os assuntos abordados, um bem curioso foi o fato de ele comentar que quando estava no SLAYER, antes do primeiro álbum Show No Mercy e do sucesso que viria a seguir, todos ouviam muito Iron Maiden, Sabbath, Judas Priest, e quem os apresentou às bandas mais porradas, rápidas, punks, Hardcore, Power Metal, foi Jeff Hanneman, que logo depois seria o responsável por todas as composições clássicas da banda, ou seja, seus maiores sucessos.

Após a saída do SLAYER, saída bem conturbada diga-se de passagem, seria impossível alguém não perguntar sobre o assunto. Mas DAVE deixou bem claro que não queria tocar no assunto.

Perguntaram quais eram dificuldades que encontrou em tocar na banda e em compor e ele foi bem irônico dizendo que o SLAYER não é o tipo de banda que cria dificuldades, pois as músicas são fáceis de tocar e fáceis de encaixar a batera, sorrindo e arrancando gargalhadas dos fãs.

Ainda no mesmo assunto, DAVE citou que o fato de ele ter começado como percussionista, em sendo sua origem Cubana, facilitou a composição dos seus arranjos, pois tocar percussão antes de tocar bateria faz com que voce tenha mais “feeling”, você sente mais o instrumento pelo fato de tocar com as mãos o que faz com que sinta mais a pulsação, o ritmo e a força, reforçando que todos deveriam tentar tocar ritmos variados com as mãos.

Em seguida um fã pediu a ele para fazer uma demonstração com as mãos e DAVE fez um curto solo, um ritmo bem latino, utilizando somente caixa e tons. Um belo improviso.

Outra revelação que eu mesmo já suspeitava por ser fã e prestar muita atenção em seus trabalhos: ele não utiliza metrônomo em todas as gravações. Ele inicia gravando a faixa com metrônomo, mas após uns dois minutos de música ele manda tirar e segue a faixa no “feeling” sem o recurso eletrônico. Isso se percebe claramente, principalmente nas faixas do Seasons In the Abyss, onde ele puxa várias vezes a música pra trás propositalmente.

Do primeiro album até o Seasons ele jamais utilizou metrônomo. Somente em World Painted Blood e Christ Illusions e mesmo assim em alguns trechos e não nas faixas inteiras. O que como fã incondicional do cara, foi muito bom saber.

LOMBARDO também concluiu o assunto sobre recursos eletrônicos dizendo que tem aversão a triggers. Não gosta e jamais precisou ou precisará utilizar, pois tira a naturalidade. Principalmente as “ghost notes” que ele ama usar em seus arranjos.

Entre uma conversa e outra (isso mesmo, conversa, pois o clima estava tão tranquilo, tão bacana que DAVE se mostrou super atencioso, parecendo estar entre amigos) sempre sorrindo, fazendo piadas e super confortável, o único assunto que o deixava incomodado era o fato de algumas pessoas continuarem a fazer perguntas sobre SLAYER, mas ele deixou claro que não falaria mais sobre isso, a não ser tocar as músicas que o consagrou como o melhor baterista e um dos criadores do Thrash Metal.

Preocupado com seu público, LOMBARDO falou na maioria das vezes em espanhol já que a maioria não falava inglês. Mais um ponto positivo por sua atenção com os fãs.

Eu jamais poderia deixar de fazer uma pergunta. Não só pelo fato de estar colaborando com a Whiplash.net, mas por ser fã e tê-lo como ídolo e referência musical.

Iniciei dizendo a ele sobre meu total respeito, carinho e amor por tudo que ele fez.

E em nome de todos nós bateristas e amantes de Heavy Metal em todas as suas variações disse que era uma honra e que todos que ali estavam podiam se sentir representados pelas minhas palavras. Disse ainda que não falaria sobre SLAYER, pois notei que o assunto o incomodava, e a tarde não era pra isso mas sim para contemplarmos o melhor baterista de Thrash e criador de quase tudo que gerou o que vemos hoje em dia.

Finalizei perguntando como foi gravar o melhor disco de Thrash Metal da história na minha humilde opinião: The Gathering (TESTAMENT), onde ele não só foi o DAVE de sempre, mas um DAVE mais agressivo e infinitamente mais técnico.

DAVE respondeu que foi incrível, muito agradável, pois sempre foram amigos, apesar de não serem da mesma região, que pegava carona com Steve DiGiorgio até o estudio, sem falar das turnês, participando de vários festivais juntos o era uma grande alegria e proporcionava o clima perfeito para uma gravação.

Afirmou ainda que foi o melhor disco de sua carreira no tocante à técnica, momento, composições, liberdade para compor, e que esteve o tempo todo à vontade para ser o que sempre foi.

DAVE não tocou nada do seu novo trabalho (PHILM) apesar de ser um projeto antigo seu e a banda existir desde 1995, tendo uma banda com uma pegada mais Punk, mas que no próximo trabalho virá mais Heavy, ressaltou DAVE.

LOMBARDO finalizou tocando um “medley” de várias músicas do SLAYER, dentre elas: Hell Awaits, Reign in Blood, Chemical Warfare e South Of Heaven. Todos com um novo arranjo preparado somente para ocasião.

Simplesmente maravilhoso, mais moderno, mais pesado, já que as bases foram refeitas, com timbres novos, mais encorpados, pesados e definidos.

Ao fim da apresentação, DAVE ficou mais de duas horas ao lado de fora do teatro atendendo a todos. Isso mesmo: todos os que estavam ali com seus pratos, peles, camisetas, cds, prontos para serem autografados, fazendo a alegria de todos e sempre com um sorriso estampado no rosto.

Um grande exemplo de humildade e respeito ao ser humano e fã. Uma grande escola de Heavy Metal, na qual muitos que começam hoje devem se espelhar com certeza.

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