Ian Gillan, do Deep Purple, chama David Coverdale de oportunista por defender Blackmore
Por Igor Miranda
Postado em 15 de setembro de 2021
Ian Gillan ofereceu novamente sua versão sobre o que ocorreu na cerimônia de indução do Deep Purple ao Rock and Roll Hall of Fame, em 2016. Desta vez, além de negar que o guitarrista Ritchie Blackmore tenha sido proibido de ir ao evento, o vocalista disparou contra David Coverdale, frontman do Whitesnake que o substituiu no Purple entre 1973 e 1976.
Em entrevista ao Tales from the Road, transcrita pelo Blabbermouth, Gillan foi perguntado, inicialmente, se mantém contato com Blackmore e se há chances de dividir o palco com ele novamente. O cantor revelou que está, sim, em contato com o antigo colega, que deixou a banda em 1993. Porém, segundo ele, não há chances de ambos tocarem juntos.
"Estamos em contato. As tensões diminuíram bastante após passarmos a controlar nossa parte de negócios. Havia empresários anteriormente que não faziam as coisas como gostaríamos. Não fui pago por 10 anos quando estive no Deep Purple - nos anos de auge - e só Deus sabe o que aconteceu com tudo aquilo. E houve outras tensões. Nem preciso dizer que tudo foi muito desagradável quando Ritchie saiu. Mas estamos velhos demais para isso", afirmou.
O contato entre Ian Gillan e Ritchie Blackmore ocorre, curiosamente, por terceiros. "Trocamos algumas notas agradáveis por intermédio de nossos empresários. Não consigo escrever direto para Ritchie ou ligar para ele porque ele não tem telefone, nem computador. Ele vive em um mundo medieval, mensagens são repassadas a ele e tudo o mais. Mas ele me enviou algumas palavras agradáveis e eu retornei a ele", disse.
O cantor, porém, destacou que ainda há problemas e "pontos de discórdia" na relação. "Não vale a pena entrar no mérito disso, mas ouço David Coverdale e outras pessoas falando sobre o que aconteceu no Rock and Roll Hall of Fame. Bem, a formação atual da banda foi muito gentil com todos. E nós convidamos Ritchie para tocar 'Smoke on the Water' conosco na cerimônia, mas ele recusou. Então, são apenas falas oportunistas dos outros", declarou, referindo-se a Coverdale e outras pessoas que eventualmente tenham defendido a versão de Blackmore sobre o que ocorreu no evento.
Por fim, Gillan disse que o Purple atual nunca teve "nenhum antagonismo com Ritchie". "Ele teve suas próprias interpretações, assim como nós, então, não vale a pena ficarmos intensos com isso. Mas acho que depois de tanto tempo de carreira, com as coisas seguindo de forma tão prazerosa - já discutimos isso tanto -, seria um circo (tocar com Ritchie Blackmore novamente) e uma distração de tudo o que estamos fazendo, honestamente. Não seria divertido, pois não trabalhamos mais daquela forma", concluiu.
A entrevista com Ian Gillan pode ser conferida, em inglês e sem legendas, no player a seguir.
Versões conflitantes
Em fevereiro de 2016, dois meses antes da cerimônia do Rock and Roll Hall of Fame, Ritchie Blackmore divulgou um comunicado em que alegava ter sido banido do evento. A iniciativa, segundo ele, teria partido de Bruce Payne, atual empresário do Deep Purple.
Logo em seguida, Ian Gillan publicou uma nota para destacar o que havia ocorrido em sua visão. O vocalista disse que ninguém baniu Blackmore, mas que o Deep Purple se apresentaria no evento com sua formação atual - incluindo o guitarrista Steve Morse e o tecladista Don Airey, que não foram introduzidos ao Hall of Fame.
"Os indicados do Deep Purple (o que inclui Ritchie Blackmore, David Coverdale, entre outros) iriam aceitar a premiação e depois o Deep Purple atual, que vive e respira, iria tocar", diz trecho da nota.
Na mesma ocasião, o CEO do Rock and Roll Hall of Fame, Joel Peresman, declarou que o Deep Purple "não quer tocar com Ritchie Blackmore" - o que soa diferente da versão compartilhada mais recentemente por Gillan. "Tivemos muitas situações como esta no passado e muitas vezes essas coisas se resolveram por uma noite, e depois cada um voltou para seu canto no dia seguinte. [...] Eu não sei se ele poderia tocar se comparecesse, mas de forma alguma ele foi banido da cerimônia. Insinuar que poderíamos ter feito isso é uma mentira. Nunca barramos nenhum indicado. Ele é convidado a vir, aproveitar a noite e receber o prêmio", declarou, na época.
Em diversas entrevistas, David Coverdale sustentou a hipótese divulgada por Ritchie Blackmore: de que o guitarrista teria sido banido da premiação. Em 2018, ao Celebrity Page, o líder do Whitesnake comentou: "Foi fantástico. Glenn Hughes e eu somos como os Righteous Brothers mais jovens. Apenas tivemos o melhor dos momentos. Não posso falar pelo resto dos caras do Deep Purple, mas Ritchie Blackmore deveria ter estado lá. Fiquei envergonhado por ele ter sido ameaçado de não ir e isso partiu meu coração. Nenhum de nós estaria naquele palco sem a contribuição de Ritchie Blackmore".
Além da formação MK II (Ian Gillan, Ritchie Blackmore, Roger Glover, Jon Lord e Ian Paice), foram homenageados os cantores Rod Evans, da MK I, e David Coverdale, além do baixista e vocalista Glenn Hughes - os dois últimos, do line-up MK III.
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