Warrel Dane: Trazendo de volta aos palcos o gostinho do Nevermore

Resenha - Warrel Dane (Hangar110, São Paulo, 20/04/2014)

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Por Diego Camara
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É difícil conseguir expressar com palavras o que foi a passagem de Warrel Dane pelo Brasil. Vocalista fantástico, reconhecido, nem mesmo ele estava preparado para ver o que seria esta turnê. Não é fácil montar uma banda, com músicos que nunca tocou junto, e sair por aí tocando seus sucessos. Reviver o NEVERMORE não é nada fácil. E para uma turnê, que poderia soar para os ouvidos dos mais céticos como um grande caça-níquel, surgiu um dos shows mais emocionantes e apaixonantes deste ano, quando um Hangar 110 mais lotado do que nunca recebeu de braços abertos o americano e coroou esta turnê com a plateia mais louca e apaixonada que já vi em mais de 100 shows que já cobri pelo whiplash.net.

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SEVENTH SEAL

A banda responsável pela abertura foi o SEVENTH SEAL. Chegando aos 20 anos de carreira, a abanda continua firme e forte na cena e utilizaram esta apresentação para divulgar mais uma vez seu último álbum “Mechanical Souls”. Desta vez a apresentação foi bem curta, rápida, sem delongas. Tocaram 8 músicas e foram de uma pancada atrás da outra, sempre galgados na rapidez das guitarras da dupla Thiago Oliveira e Tiago Claro com a voz cada vez mais impressionante de Leandro Caçoilo.

Destaque do show para a clássica “Seventh Seal”, que sempre tem posição garantida no setlist da banda. Mais uma vez “Stand up and Shout”, cover do mestre Ronnie James Dio, fez parte da apresentação e empolgou bastante a plateia. Das músicas do novo álbum, “Mechanical Souls” foi o grande destaque. O show da banda acabou prejudicado pelo atraso na abertura da casa, além do fato de que boa parte do público ainda continuava entrando durante a apresentação da banda

WARREL DANE

A apreensão tomou conta no Hangar 110 durante os 30 minutos de espera para a atração principal. Mas pelo grande número de camisetas do NEVERMORE e pelos olhares que trocavam a plateia, não se poderia esperar algo muito diferente: quando as cortinas se abriram e Warrel Dane subiu ao palco acompanhado daquela seleção de primeiro nível de músicos brasileiros, o público o aplaudiu com vontade. Ele começou morno, com duas músicas próprias: “When We Pray” e “The Day the Rats Went to War”, mas ali já se via o amor do público, que gritava com vontade.

Porém quando a banda começou a desfilar os clássicos do NEVERMORE que a coisa ficou realmente séria, provando que o Heavy Metal é realmente, como disse Dane em meio aos aplausos, um “estilo de vida”. O público vestiu a camisa de tal forma que os vocais de Dane ficaram irreconhecíveis: ninguém conseguia os ouvir em meio a uma plateia que incansavelmente cantou as músicas do NEVERMORE como se não houvesse amanhã. Warrel Dane gritou por mais voz em seu monitor, nem ele mesmo se ouvia em meio aquela cantoria eufórica da plateia.

Com mais vocal, o show ficou ainda melhor. O povo recepcionou muito bem “Poison Godmachine”, demonstrando bastante surpresa quando anunciada. Os trejeitos insanos de Dane, realmente um frontman como poucos, encantava a plateia. A banda, que realmente ganhou as graças do público mostrando uma qualidade imensa no palco, não deixou nada a dever para a formação original do Nevermore, e era aplaudida também com bastante vontade pelos fãs. Os solos de guitarra perfeitos, como o de Thiago Oliveira na música “My Acid Words”, fizeram o público bater cabeça feito doidos.

Entre a dezena de músicas do Nevermore, Warrel também achou espaço para algumas músicas de sua banda SANCTUARY. A primeira a ser executada foi “Seasons of Destruction”, recebida com muitos aplausos. Dane, muito contente pela receptividade dada ao Sanctuary – tão grande quanto a do Nevermore – revelou que o novo álbum da banda está chegando em breve, e será bastante “oldschool”.

Também bastante “oldschool” foi “Soldiers of Steel”, que deixou o público maluco com sua pegada extremamente anos 80. Cantaram com vontade, ergueram os punhos e bateram cabeça, mostrando que acompanham muito bem a carreira de Dane. Outro exemplo disso foi a emocionante “Brother”, música solo do vocalista, que foi também muito bem recebida. O público realmente ama o vocalista, conhecendo sua carreira de cabo a rabo.

A surpresa da noite, que era mais que esperada e desfilava pelo mezanino do Hangar110, subiu ao palco em “The Heart Collector”. Marcus Dotta abriu espaço para Daniel Erlandsson do ARCH ENEMY, que deu vida a bateria nesta música. O público se emocionou mais uma vez com o perfeito solo de guitarra da dupla Thiago Oliveira e Johnny Moraes. Warrel parecia bastante emocionado, especialmente quando viu aquelas 600 pessoas cantarem sozinhas o refrão enquanto ele observava, atônito, ao amor do público.

A apresentação principal ainda contou com “Enemies of Reality” e “Next in Line”. A segunda teve uma super apresentação de Marcus Dotta e Fabio Carito, que seguraram as pontas com uma base extremamente bem feita, em uma das músicas mais completas da noite e um dos melhores exemplares da qualidade desta banda que acompanhou Warrel Dane. Realmente valeu muito a pena ao produtor Tiago Claro, que me lembro em um momento no início desta ano se mostrou também cético no Facebook sobre chamar ou não Warrel Dane para uma turnê no Brasil, ter apostado tanto na qualidade deste ícone quanto nesta equipe de músicos escolhidos a dedo. O público e este amante da boa música sem dúvida agradecem.

Se não bastassem as mais de 15 músicas apresentadas no show principal, Warrel Dane ainda voltou para um pequeno e singelo bis. A primeira música teve a participação da vocalista Juliana Rossi (ex-RAVENLAND, atual SATTVA ROCK), que trouxe mais luz, beleza e talento para o palco. Apresentação bonita, cheia de emoção de uma das mais belas vozes femininas da cena nacional.

A setlist dava ainda mais duas músicas, e Warrel trouxe ao público “Born” e “Taste Revenge”. A primeira era outra daquelas mais esperadas pelos fãs do Nevermore, que ensaiaram uma pequena roda na lateral do palco. O resto do público ignorou o empurra empurra e, não tirando os olhos do palco por um instante sequer, cantou junto a música inteira. Warrel agradeceu a banda, visivelmente emocionado por realizar o espetáculo.

Mas o público parecia não querer o fim do show e pediu por “Future Tense”, aos gritos. Warrel se virou para a banda, e eles aceitaram o desafio. Banda firme, segura, encantou mais uma vez com os solos e promoveu uma roda extremamente louca no final da música, como se o público tivesse sido tomado por uma inspiração meio divina, meio profana. Parecia que nem sabiam onde estavam mais.

Outro que parecia não querer o fim do show era Warrel Dane. Voltou-se para a banda e tocaram mais uma. A plateia ficava mais louca com cada adição ao show, apesar de parecerem bastante cansados pela algazarra toda que já dava ali duas horas. O vocalista ia dizendo boa noite e se despedindo, quando resolveu tocar outra música, e então a banda executou com primazia, para delírio dos presentes que ainda sabiam onde estavam, o sucesso “Dead Heart in a Dead World”. Ninguém queria o fim do show, nem Dane, nem a banda, nem os fãs. NINGUÉM! Se tivesse repertório ainda pra tocar, acho que Dane estaria até agora tocando. Fazendo aquilo que gosta, que ama: ah se todos os músicos tivessem um pouco de Warrel Dane dentro de si. Warrel Dane ainda é daqueles músicos românticos, que amam o que fazem: músicos estes que quase não existem mais.

Somente quem esteve lá irá entender o que digo. Quem não esteve só pode realmente se arrepender, porque perderam uma boa história pra contar: quando um músico vem ao “fim de mundo” do Brasil, se une a um bando de músicos locais que nunca viu na vida, e não quer que o show final da sua turnê acabe. Isso sim é música. Parabéns Warrel Dane!

Warrel Dane é:
Warrel Dane – Vocal
Thiago Oliveira – Guitarra
Johnny Moraes – Guitarra
Fabio Carito – Baixo
Marcus Dotta – Bateria

Setlist:
1. When We Pray
2. The Day the Rats Went to War
3. Narcosynthesis (música do Nevermore)
4. Inside Four Walls (música do Nevermore)
5. Beyond Within (música do Nevermore)
6. Poison Godmachine (música do Nevermore)
7. The River Dragon Has Come (música do Nevermore)
8. My Acid Words (música do Nevermore)
9. Seasons of Destruction (música do Sanctuary)
10. The Termination Proclamation (música do Nevermore)
11. Soldiers Of Steel (música do Sanctuary)
12. Brother
13. The Heart Collector (música do Nevermore com Daniel Erlandsson do ARCH ENEMY)
14. Battle Angels (música do Sanctuary)
15. Next In Line (música do Nevermore)
16. Enemies of Reality (música do Nevermore)

Bis:
17. Dreaming Neon Black (música do Nevermore com Juliana Rossi do SATTVA ROCK)
18. Born (música do Nevermore)
19. Taste Revenge (música do Sanctuary)
20. Future Tense (música do Sanctuary)
21. The Seven Tongues of God (música do Nevermore)
22. Dead Heart in a Dead World (música do Nevermore)

Galeria de fotos completa em:
https://www.flickr.com/photos/diegocamara/sets/7215764423371...

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Sobre Diego Camara

Nascido em São Paulo em 1987, Diego Camara é jornalista, radialista e blogueiro. Seu amor pelo metal e rock começou há 6 anos. Um amante da nova geração, é um grande fã de Arjen Lucassen, Andre Matos e bandas como Nightwish, Hammerfall, Sonata Arctica, Edguy e Kamelot. Também não deixa de ter amor pelos clássicos, como Helloween, Gamma Ray e Iron Maiden e do Rock de bandas como Oasis, Queen e Kings of Leon. Atualmente seus textos podem ser lidos no blog OCrepusculo.com sobre assuntos diversos, além de planos para criação de um projeto totalmente voltado aos blogs de Rock e Metal.

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