Avenged Sevenfold: Um dia este nome será de uma banda clássica

Resenha - Avenged Sevenfold (Espaço das Américas, São Paulo, 20/03/2014)

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Por Hugo Alves
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Esta é uma resenha de um show do Avenged Sevenfold escrita por um fã da banda, para que fãs da banda, principalmente os que estiveram nesse show, a leiam, e também para que os headbangers que valem algo – os que mantêm as mentes sempre abertas, mesmo os que não gostam, mas respeitam – se inspirem a ouvir algo novo, independente do resultado. Após este aviso, você tem duas opções: ou você fecha a aba do seu navegador, ou permanece, lê, comenta, curte (ou não), compartilha mas, principalmente, respeita, porque não tem coisa mais inútil do que você entrar numa matéria do Whiplash.net só pra xingar o artista em questão.

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Eis que me retirei de Sorocaba, no interior de São Paulo, para a capital do estado, para presenciar um segundo show do Avenged Sevenfold em minha vida. O primeiro, muito honrosamente, eu tive a oportunidade de ver no último dia da quinta edição do Rock in Rio, e digo que foi um show no mínimo histórico, para a banda e para os fãs. Após isto, ficaram algumas promessas: a de que eles voltariam para uma turnê completa no Brasil – a fim de promover o mais recente disco, “Hail to the King”, lançado no ano passado –, inclusão de novas músicas no setlist e uma certa mini-ópera-rock que caiu no gosto dos fãs...

Então, seis meses depois, eles cumpriram a promessa de voltar. E voltaram em grande estilo: após tocar no Rock in Rio, chegaram mais que consagrados e vieram para fazer sua maior turnê no país até agora (total de seis shows em cinco cidades diferentes). Eles trouxeram um setlist maravilhoso que foi tocado em cinco shows mas, por este em questão se tratar de um show extra em São Paulo, os membros da banda decidiram variar em relação ao que vinham fazendo e trouxeram um espetáculo histórico e que encheu os olhos do maior brutamontes dentre os fãs da banda de muitas lágrimas.

Pontualmente às 21:30, a introdução dos show da banda – o mega-clássico-arrasa-quarteirão “Back in Black”, da AC/DC – tocou alto nos PAs do Espaço das Américas (um baita lugar pra shows, diga-se de passagem... Mas bem que o som da banda, que estava muito bem equalizado, poderia estar mais alto), e logo o que se viu foi a banda entrando aos poucos ao som de “Shepherd of Fire”, canção que também abre o disco “Hail to the King”, e um público que, se era menor em comparação com o que lotara o lugar uma semana antes, estava muito mais empolgado e cheio de energia pra gastar, segundo M. Shadows, vocalista da banda. Durante praticamente todo o show, os fãs urravam as letras das canções – e poderia ser qualquer canção da banda, visto o repertório diferenciado que, mesmo assim, não pegou ninguém desprevenido quanto à seção lírica produzida pela banda ao logo dos anos –, para alegria da banda. M. Shadows, pelo menos, não parava de lembrar o quanto São Paulo é importante para a banda e o quanto a plateia encobria sua voz. Coisas de Brasil...

O show seguiu com a já clássica “Critical Acclaim”, do auto-intitulado de 2007, com sua controversa temática política. Engraçado notar como os fãs se esforçam para cantar as partes vocais gravadas pelo falecido baterista James “The Rev” Sullivan, hoje reproduzidas em playback, numa espécie de devoção à primeira fase da banda – somente um surdo nega que, após a morte do baterista, influência notável nas composições, a banda tenha tomado um novo rumo em sua música – e ao saudoso músico. Enfim, foi após essa canção que M. Shadows efetivamente se comunicou com o público e, de cara, anunciou o cumprimento da promessa de um show diferente do primeiro da turnê na cidade e também do restante da turnê: de volta ao setlist, “Welcome to the Family”, paulada oriunda de “Nightmare”, disco lançado em 2010, ano posterior à morte de “The Rev” e que contou com seu ídolo das baquetas Mike Portnoy (ex-Dream Theater, atual The Winery Dogs e Adrenaline Mob) assumindo o posto que tragicamente – overdose acidental causada por combinação de medicamentos e álcool – deixou. De qualquer modo, uma das muitas gratas surpresas no setlist da banda nesta noite que foi não menos que memorável!

Veio então a segunda e última canção do já não tão novo disco, a faixa-título “Hail to the King”, certamente um dos refrões mais marcantes do Metal, principalmente quando os fãs se veem permitidos a entoar, com os punhos cerrados e erguidos, “Hail! Hail! Hail!”. Logo em seguida veio a segunda surpresa da noite: “Chapter Four”, clássico do segundo disco, “Waking the Fallen”, de 2003, lançado quando a banda ainda praticava um Metalcore. O que se via, principalmente na pista comum, era muita gente “se matando” nos circle pits que rapidamente se formaram. Falando em pista comum, ponto para os organizadores, que montaram uma pista VIP muito pequena, possibilitando para o fã que gastou menos estar mais perto de sua banda do coração. Já que não conseguimos nos livrar dessa maldição de pista VIP, ao menos a vemos ser diminuída. Já é alguma coisa...

Veio uma trinca do disco “Nightmare” que imediatamente me remeteu ao show do Rock in Rio: “Buried Alive”, com sua escancarada influência de Metallica (a parte final lembra o refrão de “Ride the Lightning”), seguida por “Fiction”, uma das várias homenagens que a banda vem fazendo a “The Rev”, tocada somente neste show durante esta turnê brasileira, e a própria “Nightmare”, que levanta até defunto e é, certamente, uma canção que raramente deixará de fazer parte dos setlists nos shows, uma das melhores e mais contagiantes. Após essa sessão mais recente, veio outra grata surpresa: “Burn it Down”, do terceiro disco da banda e primeiro com direcionamento mais Heavy Metal e menos Metalcore, “City of Evil”, de 2005. Era notória a descontração e diversão que ocorria em cima do palco, e a troca dessa boa energia entre banda e plateia só abrilhantou ainda mais o evento. A certa altura, Zacky Vengeance, o guitarrista-base da banda, brincou por segundos com “Lepo Lepo”, “crássico” do Carnaval 2014 em terras tupiniquins. Até onde isso tem alguma validade musical, eu não sei e duvido que haja alguma, mas ao menos pontuou a interação da banda com o Brasil. Ah, e gerou risos!

Do ritmo frenético da supra-citada canção, a banda passou ao tom melancólico de “Afterlife”, outra do auto-intitulado de 2007, e a parte final novamente trouxe o coro de fãs berrando, a plenos pulmões, os backing vocals gravados por “The Rev”. Coisa linda de se ver, essa dedicação dos fãs para com a banda! O guitarrista solo da banda, Synyster Gates, além de ter seu muito bem aproveitado momento para um técnico e bem executado solo, ainda tentou, por duas ou três vezes durante o show, puxar “Scream”, outra do disco de 2007, mas M. Shadows confessou, frente aos fãs, não lembrar como cantar a canção. Provavelmente, o único resquício de decepção que possa ter havido dentre os fãs (eu amo essa canção, então acabei ficando decepcionado, e percebi o mesmo em alguns ao meu redor). Se essa ficou para uma próxima oportunidade, a banda compensou em grande estilo: “Second Heartbeat”, paulada do segundo disco e uma das melhores e mais aplaudidas de toda a carreira, foi belíssimamente executada, outra grata surpresa, mas não mais do que o single de 2005 “Bat Country”, que causou catarse, visto que não vem sendo executada regularmente já há alguns anos, e não fez parte de qualquer outro show da turnê brasileira desse ano. Nem preciso dizer a reação da plateia. Essa canção marcou o “falso fim” do show, já manjado por todos.

Apesar de certa demora, não teve jeito: em meio à enésima vez em que os fãs entoaram “Sevenfold! Sevenfold! Sevenfold!”, a banda voltou com os dois pés no peito e enfiou “Unholy Confessions” goela abaixo de todos – apesar da violenta descrição, duvido que alguém tenha reclamado. O momento máximo e certamente o mais esperado por todos, porém, veio na canção que definitivamente encerrou o segundo show do Avenged Sevenfold em São Paulo em 2014: “A Little Piece of Heaven”, que praticamente não foi executada desde a morte de “The Rev” (foram raras as vezes), compositor desta obra-prima, e que causou até uma campanha virtual para que a banda a tocasse no show do Rock in Rio (a campanha não surtiu efeito). Foi a canção que a plateia cantou mais alto e com mais vibração!

Ponto final, fãs conseguindo suas baquetas, palhetas e outros souvenirs jogados pelos membros da banda e cinco caras que, sorridentes, demoraram a deixar o palco. Foi um show frenético, mesmo nas partes mais lentas, como “Fiction”, mas foi também um show de respeito aos fãs, visto que a banda provou que é possível fazer um show inesquecível deixando de lado alguns clichês em favor de tocar coisas diferentes (entenderam, Steve Harris, Axl Rose e Lars Ulrich?) – a banda não tocou pauladas como “Beast and the Harlot”, “Almost Easy” e “This Means War” nesse show e não chegou nem perto de fazer feio.

Goste você ou não da banda, é impossível negar a importância do Avenged Sevenfold para o Heavy Metal mundial – eles têm músicas marcantes, independente de trechos que se parecem demais com clássicos anteriores a eles, e músicas que já fazem parte da história do estilo. Eles vêm com um palco que é mais do que apenas um fundo preto e caixas de guitarra e baixo – por mais que a produção do show deles lá fora hoje seja no nível do Iron Maiden e eles ainda estejam devendo isso a nós, brasileiros, e o mais importante: eles tratam os fãs com os olhos nos olhos, de igual pra igual, sabendo da importância dos mesmos e agindo com tanta humildade quanto é possível para uma banda como eles. Um dia, os dinossauros do Metal que tanto veneramos sairão de cena, e aos que conseguiram respeitar a banda e dar-lhes uma chance, ficarão os agradecimentos pelo que eles vêm fazendo, e aos que ainda não pararam com o “mimimi”, das duas, uma: ou o “mimimi” na verdade é apenas um “não gostar desrespeitoso, mas sincero”, ou incapacidade de desgarrar, pelo menos um pouco, dos tais dinossauros, mas restará a estes um baita arrependimento de não aproveitar o auge desta banda. Um dia, o nome Avenged Sevenfold será de banda clássica, já está escancarado. Que assim seja. Hail to the King[s]!!!

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Sobre Hugo Alves

Hugo Alves é formado em Letras (Português and Inglês) pela UNISO – Universidade de Sorocaba e futuro mestrando em Literatura ou Semiótica. Começou a escutar Rock aos 11 anos com “Bring Me to Life” do Evanescence, mas o que o tomou para sempre para o Rock and Roll foi “Fear of the Dark” (versão ao vivo no Rock in Rio), do Iron Maiden, banda que, ao lado de The Beatles, considera como favorita, amando quase que igualmente os sons de Viper, Angra, Shaman, Andre Matos, Rush, Black Sabbath, Metallica, etc. Foi vocalista das bandas Holygator e Bad Trip, iniciantes em Sorocaba/ SP, e também toca guitarra e baixo. Outra de suas paixões é a Literatura, pela qual desenvolveu o gosto pela escrita e comunicação.

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