Nando Reis: Como foi a apresentação no Musique, em Fortaleza

Resenha - Nando Reis (Musique, Fortaleza, 26/10/2013)

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Por Leonardo Daniel Tavares da Silva
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Sábado, 26 de outubro. Dois grandes nomes do rock estavam em Fortaleza para se apresentar para um público que sempre prestigiou e cada vez mais prestigia o estilo. Engana-se quem acha que no Nordeste o rock não é um tipo de música que aumente, a cada dia, o número de seus seguidores. Em noites como essa, o público teve que se dividir e escolher qual atração assistir quando, coincidentemente, tivemos na mesma cidade, ex-integrantes de importantíssimas bandas para o rock nacional em shows de suas carreiras solo. No Complexo Armazém, nas proximidades do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, apresentou-se ANDRE MATOS, ex-vocalista de bandas do porte de ANGRA, SHAMAN e VIPER, executando na íntegra o disco mais clássico do ANGRA, "Angels Cry", entre sucessos de sua carreira solo e suas ex-bandas. Mais cedo, no Maria Bonita, guitarristas e apreciadores das técnicas das seis cordas ainda tinham se encontrado no Guitar Meeting para o workshop de Andre Nieri e Hussain Haddad. Na Musique, espaço inaugurado recentemente, estava NANDO REIS, ex-baixista e vocalista dos TITÃS, que também tem seu nome gravado na história do rock nacional. Confira abaixo como foi a apresentação de NANDO REIS. Todos as fotos são de Marcelo Sousa.

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A Musique foi inaugurada há pouco mais de dois meses. Seu calendário de shows ainda não tem uma grande quantidade de nomes, mas é uma grande aposta em uma região da cidade que tem testemunhado um grande crescimento nos últimos anos. O espaço acomoda de quatro a cinco mil pessoas (não dispomos do número correto) e tem suas saídas de emergência de um lado e do outro bem iluminadas. Naquela noite, pode ser testado sem problemas aparentes sua capacidade máxima ao receber NANDO REIS e sua banda OS INFERNAIS.

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ZERO85

Pra abrir a noite, a banda ZERO85, com um som bem voltado para o pop rock. No repertório, músicas autorais e covers de bandas como RAIMUNDOS e CHARLIE BROWN JR. A banda, bem experiente na noite fortalezense (inclusive já tendo aberto para o próprio NANDO REIS por outras três ou quatro vezes), começou a ganhar o público ao fazer uma versão de "Wonderwall" (OASIS), que ganhou pitadas de reggae, seguida de versões para canções de AC/DC, THE CLASH e BLUR. "Aqui", melhor faixa de seu CD "Independentemente" confirmou a presença obrigatória, assim como "Get Lucky" (DAFT PUNK), o hit de 2013, "Rádio Bla Bla (LOBÃO), uma cover do NATIROOTS (outro momento em que ganharam uma boa resposta do público) e "Independentemente de Você", que emplacou uma participação na trilha sonora da interminável novela teen "Malhação", da Rede Globo. A banda tem Paulo Sérgio nos vocais, Abraham Carlos e Tony Pontes (que também divide alguns vocais) nas guitarras, Hermano Bezerra no baixo e PH Barcellos na alma e bateria. Com um repertório bem mais variado e completo que dá primeira vez que os vi, a banda mostrou que sabe evoluir. Aos poucos larga os RAIMUNDOS e o CHARLIE BROWN JR (o que não é fácil devido a receptividade do próprio público), investe em composições próprias ou imprime sua personalidade nas covers que faz.

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Foto: Marcelo Sousa
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Foto: Marcelo Sousa
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Foto: Marcelo Sousa
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NANDO REIS

Esperar o ex-baixista dos TITÃS subir ao palco é sempre, seja qual for o motivo, um teste de paciência, mas, quando ele e sua banda subiram ao palco, já aos quarenta minutos do domingo, a plateia (com massiva presença feminina) pareceu esquecer toda a demora e gritou em êxtase ao som de "Pré-Sal", música do disco novo, "Sei", mas já bastante conhecida. "Sou Dela" viria em seguida, acompanhada de "O Que Eu Só Vejo Em Você", também do disco novo e com referência explícita à uma das mais famosas canções de outro contemporâneo astro do pop-rock nacional, LULU SANTOS.

Foto: Marcelo Sousa
Foto: Marcelo Sousa
Foto: Marcelo Sousa
Foto: Marcelo Sousa

Apesar de já ter citado o nome da cidade um pouco antes, é depois de "As Coisas Mais Lindas" que NANDO REIS se dirige ao público mais verborragicamente, como lhe é comum. "Boa noite, assim como as coisas ficam mais lindas, é com muito prazer que estamos de volta", disse o ruivo. Falou ainda da turnê, do disco novo (a venda em seu site pelo preço que os fãs acharem adequado), agradeceu ao convite para subir naquele palco, reforçando que todo palco é sagrado, toda noite é sagrada. E, finalmente, agradeceu ao público que lotava o Musique e cantaria em uníssono "Eu Não Vou Me Adaptar" (trecho no vídeo abaixo), a primeira dos TITÃS naquela noite, recheada de solos de teclado de Alex Veley (o "infernal" que mais se destaca durante o show, trazendo várias vezes o teclado para tocar na frente do palco como se fosse um guitarrista).

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Foto: Marcelo Sousa
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Vídeo: Marcelo Sousa

"Onde Você Mora", canção de NANDO REIS que foi sucesso com a banda CIDADE NEGRA, ganhou uma introdução irreconhecível, o que é um ponto bastante positivo a se destacar na apresentação. O músico parece ter estudado na mesma escola de BRUCE SPRINGSTEEN, variando os setlists, variando os arranjos das canções e, às vezes, até variando as letras, fazendo com que cada show seja uma experiência única mesmo com o mesmo conjunto de músicas como base. Nem mesmo o setlist que recebemos reflete exatamente o que seria tocado naquela noite. NANDO e sua mini-estância de E STREET BAND, OS INFERNAIS, toca o que vier na cabeça, da forma como for mais conveniente para o seu ânimo no momento. E se esta canção em particular começou de forma tão diferente, também terminou assim, com uma explosão de puro rock n' roll. "Ali", composição raramente tocada dele com Samuel Rosa (SKANK) foi outra que terminou de forma apoteótica após começar calminha.

Foto: Marcelo Sousa
Foto: Marcelo Sousa
Foto: Marcelo Sousa
Foto: Marcelo Sousa

Infelizmente, um dos momentos mais belos do show não teve a devida e obrigatória recepção. "Dear Prudence", clássico dos clássicos da fase mais dourada (ou melhor, do "álbum branco") dos BEATLES passou quase despercebida. Os gritos da multidão só vieram aos primeiros acordes de "Relicário", mais uma de muitas que foram cantadas a plenos pulmões por todas as vozes (algumas nem tão afinadas assim). A forma de compor de NANDO REIS, inusitadamente tornando coisas tão particulares em coisas públicas faz com que seus fãs se apropriem de suas músicas. O roubo de um carro, um fusca esperando do lado de fora de um aeroporto, um apartamento que fica no décimo segundo andar de um prédio e até mesmo a marca de um tênis usado pela pessoa que teria inspirado uma canção são exemplos dessas coisas. É um conteúdo lírico arriscado, mas, que NANDO REIS magistralmente transforma em sucesso, refletido em todas aquelas vozes, sejam belas e no tom correto, ou gritadas insuportavelmente.

Foto: Marcelo Sousa
Foto: Marcelo Sousa
Foto: Marcelo Sousa
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"Coração Vago", também do disco novo, apesar do belo arranjo de Veley nos teclados, no entanto, é um caso raro (principalmente quando se fala de NANDO REIS e da energia com que ele entrega suas canções). A música perde força ao vivo quando comparada com a versão de estúdio, cheia de metais (num arranjo bem soul que também pertence a Veley).

NANDO REIS, se dirigindo ao público mais uma vez, comentou que, por passar muito tempo na estrada, coisa da profissão, escrevia músicas para quem ficava distante. É o caso de "Espatódea", dedicada à filha Zoé. A homenagem foi seguida por "Sei", faixa-título do disco novo e parte da trilha sonora da novela global "Lado a Lado", e "De Janeiro a Janeiro", de Roberta Campos, quando o público fez a parte da cantora.

A surpresa da noite viria a seguir, quando o músico chama para o palco o filho Sebastião Reis (sim, o da música) para "Família", de Arnaldo Antunes e Tony Belotto (cantada há muito tempo por NANDO REIS mas gravada por ele apenas recentemente, para a trilha sonora de "Malhação"). Sebastião ficaria ali tocando violão ao lado do pai durante "N", "Luz dos Olhos" (que quase botou o Musique abaixo e terminou com um arrebatador solo de Walter Villaça) e a música que dizia que "o mundo é bão". Não é sempre que podemos ver o destinatário de uma obra participando da execução dela. Thumbs up. Thumbs really up para este momento.

Foto: Marcelo Sousa
Foto: Marcelo Sousa
Foto: Marcelo Sousa
Foto: Marcelo Sousa
Foto: Marcelo Sousa
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"All Star" cai na definição que falei lá em cima, canção particular que se torna plural e, novamente, particular para cada ouvinte, angariando mais fãs para o ruivo. A faixa ainda teve um belo solo de baixo de Felipe Cambraia e foi seguida por "Pra Você Guardei O Amor" (com uma bela introdução de NANDO REIS sozinho ao violão) e "O Segundo Sol" (devo continuar dizendo que foi outra cantada por todos ali presentes? Melhor parar).

Foto: Marcelo Sousa
Foto: Marcelo Sousa

"Por Onde Andei", se cada fã do ruivo tem uma música do NANDO REIS para chamar de sua, com escritura registrada em cartório e tudo mais, esta é a deste redator e de sua esposa. Nesse momento, se o músico deu uma pirueta ou virou estátua no palco eu não sei. Na companhia dela, eu estava ocupado demais para olhar para o palco. Casais que estiveram distantes teriam partido apenas para se reaproximar, entre lágrimas, ao som desta música.

Foto: Marcelo Sousa
Foto: Marcelo Sousa
Foto: Marcelo Sousa
Foto: Marcelo Sousa

Após quase duas horas de show, que pareceram bem menos, "Do Seu Lado" colocaria todo mundo para pular e seria o momento em que NANDO REIS apresentaria a banda e todos deixariam o palco ao gritos de "mais um, mais um, mais um", vindos da multidão.

Foto: Marcelo Sousa
Foto: Marcelo Sousa

"A música é o que pode nos salvar", era a última mensagem de NANDO REIS ao seu público, cada vez mais cativo, cada vez mais ganho, antes de "Marvin", que colocaria um ponto final naquela noite em que foram celebrados o amor e a música de forma tão eloquente.

Agradecimentos, Sofia Holanda e D&E pela atenção e credenciamento.

Set List ZERO85

A Onda
Proibida Pra Mim (CHARLIE BROWN JR)
Me Lambe (RAIMUNDOS)
Só Por Uma Noite (CHARLIE BROWN JR)
Na Sua Direção
Wonderwall (OASIS)
Highway to Hell (AC/DC)
Should I Stay Or Should I Go (THE CLASH)
Song 2 (BLUR)
Aqui
Pão da Minha Prima (RAIMUNDOS)
Hoje Eu Quero Sair Só (LENINE)
Get Lucky (DAFT PUNK)
Independentemente de Você
Tempos Modernos (LULU SANTOS)
Exagerado
Quando o Sol Se For (DETONAUTAS)
Radio Bla Bla (LOBÃO)
Papo Reto (CHARLIE BROWN JR)
Mulher de Fases (RAIMUNDOS)

Set List NANDO REIS

1. Pré Sal
2. Sou Dela
3. O que eu só vejo em você
4. As Coisas Tão Mais Lindas
5. Não Vou Me Adaptar
6. Onde Você Mora?
7. Ali
8. Dear Prudence (BEATLES)/Relicário
9. Coração Vago
10. Espatódea
11. Sei
12. De Janeiro a Janeiro (ROBERTA CAMPOS)
11. Família
12. N
13. Luz Dos Olhos
14. O Mundo É Bão, Sebastião!
15. All Star
16. Pra Você Guardei o Amor
17. O Segundo Sol
18. Por Onde Andei
19. Do Seu Lado
Bis
20. Marvin

Line Up NANDO REIS e OS INFERNAIS

Nando Reis - (vocal e violão)
Walter Villaça - (guitarra)
Felipe Cambraia - (baixo)
Alex Veley - (teclado)
Diogo Gameiro - (bateria)
Gil Miranda - (backing vocal)
Hannah Lima - (backing vocal)

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Sobre Leonardo Daniel Tavares da Silva

Daniel Tavares nasceu quando as melhores bandas estavam sobre a Terra (os anos 70), não sabe tocar nenhum instrumento (com exceção de batucar os dedos na mesa do computador ou os pés no chão) e nem sabe que a próxima nota depois do Dó é o Ré, mas é consumidor voraz de música desde quando o cão era menino. Quando adolescente, voltava a pé da escola, economizando o dinheiro para comprar fitas e gravar nelas os seus discos favoritos de metal. Aprendeu a falar inglês pra saber o que o Axl Rose dizia quando sua banda era boa. Gosta de falar dos discos que escuta e procura em seus textos apoiar a cena musical de Fortaleza, cidade onde mora. É apaixonado pela Sílvia Amora (com quem casou após levar fora dela por 13 anos) e pai do João Daniel, de 1 ano (que gosta de dormir ouvindo Iron Maiden).

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