Tuatha de Danann: Os duendes mineiros no Manifesto de São Paulo
Resenha - Tuatha de Danann (Manifesto, São Paulo, 28/09/2013)
Por Leonardo Daniel Tavares da Silva
Postado em 01 de outubro de 2013
Num sábado gelado em São Paulo, de uma primavera que esqueceu de começar, o Manifesto Bar, nas proximidades da Av. Faria Lima, recebeu "o Povo da Deusa Danú (que dá nome ao famoso rio)", os duendes mineiros do TUATHA DE DANANN. O local, a exemplo de outros bares espalhados pelo Brasil como o campineiro Delta Blues e o cearense Rock80, é pequeno, mas bastante aconchegante, um bom local para ouvir boa música acompanhado de uma boa cerveja.
Fotos: Diego Camara
O curinga da decoração é sem dúvida a imensidade de itens de alto valor histórico espalhados pelas paredes do bar na forma de guitarras, pratos e peles, entre outros itens. Devidamente autografados, ali podem ser encontrados uma camisa de Zakk Wylde, uma guitarra usada pelo MEGADETH, pratos de Mikkey Dee (MOTORHEAD) ou peles usadas pelo ALICE IN CHAINS, numa exposição que já vale uma visita. Se você se orgulha de colecionar palhetas ou baquetas, vai ficar impressionado com o acervo do Manifesto.
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Começando seu show pontualmente, o quinteto de Varginha-MG, Bruno Maia (voz/guitarra/flauta), Rodrigo Berne (guitarra), Giovani Gomes (baixo), Rodrigo Abreu (bateria) e Edigar de Brito (teclados), foi recebido por uma audiência que tomava cada pequeno espaço vazio no bar. E já iniciaram seu show com "The Dance Of The Little Ones", um dos maiores sucessos do TUATHA e música que abre o álbum Tingaralatingadun, que seria tocado na íntegra naquela noite. As palmas da plateia pontuaram o ritmo da música.E continuaram assim por cada uma das faixas do primeiro full-length dos mineiros. "Tan Pinga Ra Tan" foi cantada em uníssono e os "ô ô ô" da plateia acompanhavam o solo.
O público pedia "Finganforn" e Bruno Maia disse que normalmente essa é a música que encerra seus shows. Nesta ocasião, no entanto, ela estaria no meio do show e havia um bom motivo para isso. Ao ter esse desejo atendido, o público foi ao delírio e cantou junto.
Uma das coisas boas de ver álbuns tocados na íntegra, não só no caso do TUATHA, mas de qualquer outra banda, é ter a oportunidade de assistir a execução de faixas raramente (ou nunca) tocadas. Este seria o caso de "Vercingetorix", baseada no personagem histórico que serviria de inspiração para as estórias de Asterix e Obelix. Esta seria apenas a segunda vez que a canção foi tocada ao vivo na estória da banda. Thiago Oliveira, guitarrista da banda SEVENTH SEAL, seria a primeira participação especial da noite. Thiago, tocando com o TUATHA novamente após 12 anos ainda aproveitou para anunciar o show de sua banda, abrindo para o ANVIL e prometeu pagar a cerva de quem disser que veio ao show do TUATHA. A galera ditou o ritmo da música com os hey, hey, hey e chegando a substituir a bateria em um dado momento.
Com problema em um dos afinadores, Bruno Maia ainda teve que dar um jeito de manter a galera entretida por alguns minutos. Para tanto, zoou as próprias letras do início de carreira e suas construções num inglês que ainda não dominava, pediu cerveja, pediu por mais ar-condicionado, até ser interrompido por Rodrigo Berne: "Vamo ficar só conversando"?. Era finalmente chegada a hora de "Céltica", bela instrumental que sozinha já valeria o valor do ingresso e o táxi, com Maia assumindo o bandolin e Berne assumindo o violão.
Para evitar mudar de afinação e evitar outro momento "Stand Up" de Maia, o quinteto pulou e passou direto para "Tingaralatinga Dum - The Dwarves Rebellion".
Quando, finalmente, chegou a vez de "Some Tunes To Fly", Fernanda Lira, do NERVOSA, foi chamada ao palco e surpreendeu a todos mostrando que sabe fugir dos guturais quando precisa.
Embora a premissa do show fosse tocar o Tingaralatingadun na íntegra, a última música do disco não foi tocada, para evitar que se recorresse novamente e a afinações, por causa de uma música de apenas um minuto e meio.
Bruno Maia aconselhou que os presentes aproveitassem para ficar bêbados no intervalo de dez minutos que se seguiria, inclusive com a cerveja do AC/DC, vendida com exclusividade no local. Apesar dos problemas que descrevi, a galera manteve-se empolgada. Uma parte até cantava acompanhando "Mirror Mirror", dos bardos alemães BLIND GUARDIAN e que apropriadamente se fazia soar nos PAs durante o intervalo.
De volta ao palco, os TUATHA iniciaram um set acústico, convocando novamente Fernanda Lira ao palco para participar de "Abracadabra". Mesmo com o microfone falhando no início (problema resolvido em segundos pelo roadie de prontidão), mas sua voz casou bem com o bandolin de Maia. Ao fim da música, Fernanda se despediu se declarando fã die-hard da banda.
Seguiram-se outros sucessos da discografia do TUATHA, entre demos e full-lengthes, como "Us", do primeiro EP, que leva o nome da banda. E "Oghma's Rheel", do disco "Trova di Danú". Entre uma composição e outra ainda houve espaço para um pouco de Raul: "Hoje é Domingo, missa e praia, céu de anil". E o show continuava, com a plateia interagindo por meio de palmas, com as mãos para cima, ou coros de "ôôô" e em músicas cheias de feeling, com cada componente da banda tendo seus segundos de brilho a cada faixa.
"Believe It's True", mais pesada, pôs todo mundo pra pular. E o roadie, Diniz, ainda participou de "The Last Words". Ao fim de "Land of Youth", o aviso que ninguém dali parecia querer ouvir. A próxima seria a saideira. Apesar disso, "Bella Natura", a mais mineira da banda, a única música do repertório que denuncia de onde esses bardos vieram, foi recebida com gritos e até com um rapaz sentado no ombro do outro no meio da plateia.
Na competição em que a flauta dialogou/brincou/competiu com as guitarras, quem ganhou foi a música. E a plateia que rendeu-se ao som do TUATHA DE DANANN em quase duas horas de show. Afinal, todos foram lá para isso. Para tornar o som ainda mais perfeito, eu só diminuiria um pouco, bem pouco, o volume da bateria, principalmente nas partes mais acústicas.
Ao fim do show, o que acontece em todas as casas do mesmo tipo e porte, a longa fila para pagar as comandas, não foi problema para quem foi ver uma boa banda, com um som bem particular, e voltaria satisfeito pra casa.
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