Kiko Loureiro: Mostrando o talento no Guitar Meeting em Fortaleza
Resenha - Kiko Loureiro (Teatro Marista, Fortaleza, 24/08/2013)
Por Leonardo Daniel Tavares da Silva
Postado em 27 de agosto de 2013
Apesar de ser realizado apenas uma semana após o workshop com FRANK GAMBALE, mais uma edição do Guitar Meeting levou cerca de duzentas pessoas ao Teatro Marista, no Centro de Fortaleza. O evento dessa semana pegou carona na vinda de KIKO LOUREIRO a Fortaleza para show com o ANGRA, em um evento que também contaria com o SOULFLY, de Max Cavalera.
Apesar da produção ter informado que, por causa dos shows à noite, o horário do workshop seria rigorosamente cumprido, não foi isso que aconteceu. Após alguns minutos soubemos a razão. A Avianca, empresa aérea que trazia o quinteto paulista, atrasou por cerca de duas horas e meia, comprometendo não só este evento, mas também o evento que aconteceria mais tarde, como veríamos logo mais.
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Para contornar a situação, a produção teve que correr e conseguiu amenizar o atraso e os efeitos dele. Finalmente, às 14:45 (um atraso pequeno comparado ao já citado do avião , o Workshop com KIKO LOUREIRO teve início, com um breve agradecimento aos patrocinadores (Guitartrix, Duetos, MV Studio, Rafa's Tour, entre outros) e Kiko mandando três músicas em sequência sem perder tempo, que todos assistiram ansiosamente.
Finda esta primeira parte, Kiko começou a enumerar o que considera importante para tocar bem um instrumento. "O que é preciso ter em primeiro lugar é uma referência". O guitarrista citou suas referências iniciais, bandas como LED ZEPPELIN, entre outras e, num determinado momento, FRANK GAMBALE.
A segunda coisa que é imprescindível ter, nas palavras de Kiko, é disciplina. Kiko contou que quando estava estudando, dividia as horas de prática entre as técnicas que queria aprender, da mesma forma que dividia entre as matérias da escola, como biologia e matemática.
Kiko completou: "Se você depositar tudo apenas na técnica e velocidade, o que vai fazer depois? Sempre vai ter um asiático mais rápido que você. É preciso encontrar um posicionamento como artista. Assim como fazem os desportistas, que tem uma curta carreira enquanto estão em plena forma física. Citou o exemplo de Ronaldinho e do corredor jamaicano Usain Bolt, "que vai ter que arrumar o que fazer".
Kiko também falou um pouco sobre a diferença entre as músicas populares brasileira e americana. "A música brasileira é mais baseada no violão, enquanto a americana é mais baseada na guitarra, o que não quer dizer que seja melhor, mas, explica por que eles exportam tantos grandes nomes do instrumento. Os moleques lá já crescem ouvindo ALLMAN BROTHERS".
Ainda sobre buscar uma diferenciação, Kiko lembrou que, mesmo que os asiáticos usem o método Suzuki para aprender a tocar e consigam tocar muito mais rápido, os brasileiros são favorecidos pela imensa miscigenação cultural brasileira. Assim, é melhor não competir com asiáticos na velocidade e sim buscar a diferenciação.
Kiko então executou mais uma música antes de responder a mais perguntas.
Sobre cansaço e se já teve vontade de parar, Kiko falou que entrou no Angra aos dezenove anos e os compromissos profissionais naturalmente o impulsionaram (e continuam impulsionando) a tocar mais e mais, porém já teve sim momentos em que pensou em parar, principalmente quando perdia coisas importantes na vida, por causa dos deslocamentos, do tempo envolvido com detalhes dos shows, das gravações, de passar duas horas esperando a Avianca.
Um detalhe que percebi é que o guitarrista continuava, de vez em quando, tocando alguma coisa na guitarra (desligada) enquanto falava. Quem estava sentado mais perto do palco podia ouvir nitidamente o barulho de seus dedos pressionando as cordas de seu instrumento.
Sobre sua carreira solo, Kiko revelou que assume o controle de tudo, desde as composições até a divulgação, agenciamento, etc. Mesmo na parte dos outros instrumentos, é ele que diz o ritmo, os bumbos, deixando apenas as viradas livres. É ele também que faz os teclados. Há exceções, entretanto, como uma música em que ele deixou o Virgil Donati livre e o baterista a encheu de notas.
Sobre a MPB, grande influência na música de KIKO e também do ANGRA, o guitarrista comentou que era melhor nos anos 70 e 80, mas algumas coisas boas apareceram nos anos noventa, como CHICO SCIENCE, o pessoal de Recife e até os RAIMUNDOS. E sobre artistas não muito quistos entre quem realmente entende de música, Kiko lembrou que o contrário do sucesso não é o fracasso, é a ignorância. Se você não gosta de um artista, mas fala mal dele, está mantendo-o na mídia, então aconselhou a ignorar, não falar desses artistas. Vou seguir o conselho e nem vou repetir o nome do astro teen que foi mencionado.
A pedidos, tocou "Mãe D'Água" e mais duas outras, entre elas "Conflicted". Cientes desde o início que, devido aos compromissos da noite, o evento não poderia se estender mais que o horário programado mais o atraso inicial, o público vibrou quando Kiko resolveu tocar mais uma música mesmo já tendo dito que a anterior seria a última. Não houve muito tempo para autógrafos, mas alguns fãs ainda conseguiram autógrafos e fotos com seu ídolo.
Era o fim de mais um Guitar Meeting, este, assim como o show mais tarde (produzido por outras empresas), enfrentou um grande problema que poderia até por em risco a sua realização, mas, graças à uma produção competente e focada e ao talento do guitarrista/professor ninguém saiu do Teatro Marista insatisfeito naquela tarde de sábado.
Agradecimentos ao João Paulo Saraiva pela organização do evento e credenciamento.
Créditos das Fotos: Gandhi Guimarães.
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