Kiko Loureiro: Como foi a gravação do DVD "White Balance"

Resenha - Kiko Loureiro (Auditório Ibirapuera, SP, 14/06/2013)

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no G+

Por Henrique Machado, Fonte: Troca o Disco Podcast
Enviar correções  |  Comentários  | 

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Para começar esta resenha, preciso dizer que apesar de não ser fã do Kiko Loureiro, reconheço seu valor como músico e guitarrista. Dizer ainda que, querendo ou não, ele e o Angra foram influência não só para mim, mas para uma porrada de garotos que ficavam enfiados em seus quartos treinando e palhetando desefreadamente os mesmos licks, dia e noite.

244 acessosAngra e Almah: Se Toca No Treino com Marcelo Barbosa5000 acessosFotos de Infância: Marilyn Manson

A promessa era de que Kiko iria gravar um DVD que se chamaria “White Balance”, e a apresentação iria acontecer no Auditório Ibirapuera, aqui em São Paulo. Como eu aprecio a casa, o preço cabia no bolso e o som não é de se jogar fora, resolvi encarar essa e ir prestigiar o guitarrista brasileiro.

O show seria dividido em três atos com três formações diferentes. No primeiro, Kiko apresentaria suas músicas voltadas para o Jazz e à música brasileira, incluindo, em sua maioria, sons do álbum “Universo Inverso”, que, por sinal, é o que eu mais gosto de sua carreira solo. No segundo ato, Kiko apresentaria um set somente no violão; e finalmente no terceiro, a banda completa novamente com a formação mais esperada, incluindo Felipe Andreoli no baixo e Virgil Donati na bateria.

Cheguei um pouco em cima da hora no local mas logo encontrei meu lugar. O pessoal da produção do show parecia agitado, ainda passando cabos e correndo de um lado para o outro em um “grita daqui” e “grita de lá” constante. Faltando apenas 10 minutos para começar o show, eu já estava me preparando para algum tipo de atraso, mas não foi o que aconteceu. O show começou às 21:10, apenas com 10 minutos de atraso, com a introdução de “Feijão de Corda”, ainda com Kiko fora do palco, atrás das cortinas. Enquanto isso, o resto da banda ia entrando, se acomodando em seus lugares e se posicionando com seus instrumentos em mãos. Essa formação trazia Yaniel Matos no piano, Carlinhos Noronha no Baixo, Jonatas Sansão na bateria e Eduardo Cubano na percussão. Esta parte do show aconteceu sem muitos problemas técnicos, apenas algumas complicações com o som do baixo que estava quase inaudível no primeiro momento, mas que foi melhorando ao longo das músicas. Destaque para o baterista Jonatas que mandou muito bem, com viradas muito bem encaixadas e uma levada bastante confiante.

Tudo ia muito bem, obrigado, mas ao final deste set, depois de regravarem a música “Ojos Verdes”, Kiko anuncia que iriam fazer um intervalo para ajeitar as coisas para o próximo set, que seria no violão. Aproximadamente 15 minutos depois, Kiko aparece com o violão em mãos e toca 3 sons sendo eles “Beautiful Language”, “Choro de Criança” e “Giz”, sozinho ao violão. Ao final desses sons, Kiko anuncia a pior escolha de música e participação de todos os tempos. Rafael Bittencourt sobe ao palco para gravar com Kiko o sucesso “Late Retemption”, para o deleite dos “Angreiros” de plantão. O grande problema é que esta música é cantada, e nem Kiko e nem Rafael têm condições de alcançar algumas notas que a melodia vocal desta música exige, resultando assim em um gargarejo que teve de ser regravado 2 vezes. Depois de agredir os presentes com esta canção digna de uma “dança da chuva”, Kiko anuncia que fará outro intervalo para voltar com a formação para o show mais pesado da noite.

Kiko deixa o palco, dando lugar assim para a equipe do áudio — que parecia transtornada com alguma coisa que não sabíamos. E ficamos ali, por aproximadamente 30 minutos, sem saber o que estava acontecendo. Os técnicos estavam visivelmente despreparados, e não sabiam o que fazer, iam pra lá e pra cá coçando a cabeça, segurando o violão que Kiko tocara o set inteiro na mão. Foi aí que começamos a temer o que já era de se esperar. Kiko retorna ao palco, visivelmente transtornado e sem jeito, anunciando que a música com Rafael Bittencourt não havia sido gravada e que eles teriam de) tocar novamente. Juro para vocês que a minha vontade naquele momento foi de sair correndo pelo auditório com as mãos na cabeça, pedindo a Deus que me perdoasse por todos os pecados que um dia cometi em toda a minha vida! Mas eu permaneci sentado, e por fim, queria ver até aonde tudo aquilo iria. Eles tocaram a tal “Late Retemption” mais umas vezes até que ela ficasse aceitável, porque não tinhamos até o dia amanhacer para que ela ficasse realmente boa.

Importante citar que Kiko parecia bastante confuso com o que estava acontecendo, e não entendia muito bem o que ele precisava fazer. Reflexo do mal preparo da equipe responsável pela produção do show, que mal explicou para o artista quais foram os problemas que realmente aconteceram com a gravação das músicas. Em alguns momentos Kiko dizia: “E agora? O que eu faço?”, pouco antes de Rafael Bittencourt entrar pela segunda vez, Kiko pergunta: “Eu preciso falar tudo novamente? Eu nem lembro direito o que eu falei. Isso aqui não vai dar certo” — claramente emputecido com a situação toda.

Aos trancos e barrancos, e com um clima um pouco tenso, Kiko deixa o palco, agora sim com a promessa de voltar finalmente com o terceiro set. Lembrando que o show estava programado para terminar às 23:00, e foi nesse horário que o terceiro set começou.

Depois de passarem rapidamente o som de cada instrumento, os músicos entram. Virgil Donati senta em sua bateria, Felipe Andreoli conecta seu cabo no amplificador — pois nem isso os técnicos tiveram a competência de fazer—, e Kiko aparece, abrindo o set com a agitada “Conflicted”, de seu álbum “Sounds of Inocence”. Ainda não conseguíamos ouvir o som do contrabaixo de Felipe — o que só viria a ocorrer na terceira música, “The Hymm”. Virgil Donati, com sua precisão clínica em cada nota, não fez feio, e entregou o que o público esperava: pancada na bateria. O show seguiu sem mais problemas técnicos e Kiko chamou ao palco seu irmão Zeca Loureiro para fazer a guitarra base em algumas músicas. Mais ao final do show Kiko convida o mestre Da Lua que, com seu berimbau, contribui para mais duas músicas, “Mãe d’água” e “Pau de Arara”, encerrando assim o terceiro set e consequentemente a apresentação. Kiko então chama todos os músicos ao palco para agradecer ao público e se despede.

Acredito que as falhas que ocorreram específicamente neste dia prejudicaram os músicos, fazendo com que eles tocassem sob uma pressão e um clima bastante esquisito. Espero que o material gravado consiga ser aproveitado e que o DVD realmente seja lançado.

É uma pena... Infelizmente.

GosteiNão gostei

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no G+

AngraAngra
Em entrevista, banda fala sobre disco que sai em fevereiro

244 acessosAngra e Almah: Se Toca No Treino com Marcelo Barbosa761 acessosAmandinho: Banda emo-punk lança versão de "Carry On" do Angra254 acessosElvenking: trazendo material novo para shows no Brasil911 acessosRafael Bittencourt: "Eu nunca fui tão feliz", making of #23335 acessosRedeTV!: Sonoridades entrevista a banda Angra nesta quinta-feira0 acessosTodas as matérias e notícias sobre "Angra"

AngraAngra
"Uma rapazeada bonita, mas nenhum foi bonzinho"

MegadethMegadeth
O guitarrista que poderia ter ficado com a vaga de Kiko

Rock NacionalRock Nacional
Os 15 melhores riffs de guitarra

0 acessosTodas as matérias da seção Resenhas de Shows0 acessosTodas as matérias sobre "Kiko Loureiro"0 acessosTodas as matérias sobre "Angra"


Fotos de InfânciaFotos de Infância
Marilyn Manson muito antes da fama

RockstarsRockstars
As esposas mais lindas do rock - 1ª parte

Dave MustaineDave Mustaine
A história por trás de "The Four Horsemen"

5000 acessosPink Floyd: dupla sertaneja desvirtua clássico da banda5000 acessosBruce Dickinson: vocalista elege seus 5 álbuns preferidos5000 acessosSeparados no nascimento: James Hetfield e Mano Menezes5000 acessosThe Beatles: a história da música "Lucy in the sky with Diamonds"5000 acessosZakk Wylde para Phil Anselmo: "o que você está fazendo, cara?"5000 acessosBeatles: montagem mostra como 2016 foi um ano duro para a música

Os comentários são postados usando scripts e logins do FACEBOOK, não estão hospedados no Whiplash.Net, não refletem a opinião dos editores do site, não são previamente moderados, e são de autoria e responsabilidade dos usuários que os assinam. Caso considere justo que qualquer comentário seja apagado, entre em contato.

Respeite usuários e colaboradores, não seja chato, não seja agressivo, não provoque e não responda provocações; Prefira enviar correções pelo link de envio de correções. Trolls e chatos que quebram estas regras podem ser banidos. Denuncie e ajude a manter este espaço limpo.


Sobre Henrique Machado

Autor sem foto e/ou descrição cadastrados. Caso seja o autor e tenha dez ou mais matérias publicadas no Whiplash.Net, entre em contato enviando sua descrição e link de uma foto.

Whiplash.Net é um site colaborativo. Todo o conteúdo é de responsabilidade de colaboradores voluntários citados em cada matéria, e não representam a opinião dos editores ou responsáveis pela manutenção do site, mas apenas dos autores e colaboradores citados. Em caso de quebra de copyright ou por qualquer motivo que julgue conveniente denuncie material impróprio e este será removido. Conheça a nossa Política de Privacidade.

Em junho: 1.119.872 visitantes, 2.427.684 visitas, 5.635.845 pageviews.

Usuários online