Legion Of The Damned: local pavoroso e thrash/death de primeira

Resenha - Legion of the Damned (Arena Metal, São Paulo, 21/06/2013)

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Por Durr Campos
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Os holandeses do LEGION OF THE DAMNED estiveram novamente em nosso país, mas desta vez puderam tocar em Sampa, algo que não ocorreu em abril de 2012, quando o quarteto foi uma das atrações internacionais escalas para o Metal Open Air, em São Luís, no Maranhão. À época sua apresentação foi tida como uma das melhores de todo o evento, daí aliando isso à excelente discografia, a expectativa era grande por parte dos fãs. Inicialmente divulgada com datas em Recife, Curitiba e na capital paulista, a chamada “South American Werewolf Tour 2013” acabou excluindo a capital paranaense e incluindo uma data em Catanduva, interior de São Paulo. Outros fatores marcantes foram as mudanças de local (Nota do redator: Primeiro foi informado o Via Marquês, depois o Eazy Club e, finalmente, o Arena Metal, no centro, bem próximo à Galeria do Rock) e data, adiantando em um dia o evento.

Texto: Durr Campos. Fotos: Diego Cabral da Camara. Veja galeria completa no link abaixo:
1123 acessosLegion of the Damned e Nervosa: galeria de fotos de São Paulo

Olha pessoal, eu não vou entrar nos méritos a respeito das dificuldades que a produção teve, nem questionar a capacidade da mesma em realizar shows internacionais, até porque este não é, nem de longe, o objetivo das linhas a seguir, mas colocar o Legion Of The Damned em uma casa como o Arena Metal foi, para ficarmos apenas em uma palavra, vergonhoso! Eu vou até mais longe, aquele lugar deveria ser fechado pela Vigilância Sanitária da cidade tamanha a falta de estrutura e segurança. Basta olhar para cima, lados, frente e fundos para entender que ali não abriga condições mínimas para o que se propõe. Sorte geral não ter chovido, pois pelo que me disseram a água jorra lá dentro também. Eu senti vergonha quando vi os caras transitando ali, mesmo sabendo – e já tendo visto pessoalmente, inclusive – que nem todas as casas de shows na Europa são também dignas de boas notas, mas pelo menos são higienizadas devido ao rigor da fiscalização. Enfim, mais tarde algumas fontes me informaram que este foi o recurso final para não cancelarem o concerto.

A abertura ficou com a NERVOSA, a qual iniciou seu set por volta das 21h, quando boa parte do público já estava na Arena. Acompanho a banda desde seu início, mas ainda não a tinha visto ao vivo. Todos os elogios ao trio formado por Fernanda Lira (vocais/baixo), Prika amaral (guitarras/vocais) e Pitchu Ferraz (bateria), que fazia sua estreia. Já começo falando dela, inclusive. A garota possui bagagem, disso eu sabia, até porque conheço algo do que ela fez quando passou pelas bandas Ajna e Blenda, mas o que vi naquela noite foi uma baterista que parecia tocar em seu último dia de vida tamanha a fúria, vigor e empolgação com os quais imprimiu aos seus tambores e pratos. Prika manda muito bem nas seis cordas, bem empostada em cena com os cabelos sempre na frente do rosto, nos remetendo ao Max Cavalera dos tempos de Beneath The Remains e ao Mille Petrozza dos velhos e novos dias. A frontwoman Fernanda dá um show de simpatia, postura e pegada. Imagine o Cronos (Venom) combinado à eterna diva Ann Boleyn (Hellion). Conseguiu? Pois é, nem eu, mas o fato é que tem alguma coisa ali naquela garota que me remete aos dois. Faz assim, prestem atenção na agenda da NERVOSA e não perca a oportunidade em vê-las detonando! Destaques para as sensacionais “Invisible Opression”, “Into Moshpit”, “Urânio em Nós”, o hino “Masked Betrayer”, que encerrou o set, além de ¨Envious¨, gentilmente dedicada aos detratores das meninas, em especial aos que faltam com o respeito sem ao menos conhecerem sua trajetória.

O início da apresentação do Legion Of the Damned atrasou bastante devido problemas na regulagem do som, em especial das guitarras. Vale ressaltar que tanto a Nervosa quanto os holandeses tocaram sem retorno, algo infelizmente ainda recorrente no underground (se é que só nele...), exigindo das bandas uma atenção extra. Felizmente ambas tiraram de letra, haja vista a entrada extraordinária com “Death's Head March” do debut “Malevolent Rapture” (2006) e “Night of the Sabbath” do mais recente até agora, “Descent Into Chaos” (2011). O tempo de espera até os caras iniciarem valeu, pois o som estava muito bom. Que peso o baixo do Harold Gielen imprime ao conjunto da obra, pena que eles não possuem muitas músicas com aquelas paradinhas onde apenas as quatro cordas reinam. Enfim, os graves estavam lá, como uma “Diabolist”, do “Sons of the Jackal” (2207), talvez o mais importante álbum deles até aqui, pôde comprovar. O vocalista Maurice Swinkels é fenomenal no palco e fora dele – o que posso estender aos outros três – tamanha simpatia distribuída. Como se não bastasse, o vocalista é soberbo, dono de uma voz que vale por três.

“Malevolent Rapture” quase faz a Arena Metal vir abaixo, assim como o hino “Cult of the Dead”, que batiza o álbum de 2008. Dele ainda tocaram “Pray and Suffer”, uma das minhas favoritas ali. Twan van Geel, o “calouro” no Legion Of The Damned, detém uma técnica nas guitarras de corar o rosto. Ora, o rapaz que eu vi com aquela cara de menino bem cuidado, todo comportado antes do show, subiu lá e transformou-se em um demônio! Esses europeus... Voltando às músicas e mantendo meu foco no Twan posso dizer, sem medo de errar, que ao ver e ouvi-lo tocar “Shrapnel Rain” e a novíssima “Ravenous Abomination” (Nota do redator: Prevista para figurar no próximo disco, “Ravenous Plague”, ainda sem data de lançamento) não restam dúvidas de que ele nasceu para estar nesta banda. Completa o time o ótimo baterista Erik Fleuren.

Outra das antigas, “Werewolf Corpse”, só reforçou o mosh-pit que, apesar de pequeno, estava muito legal. O duo seguinte foi de matar qualquer pescoço, ou você que estava lá – ou não – poderia ficar imune a delícias como “Undead Stillborn” e “Son of the Jackal”, cantada em uníssono? E como a ordem era revisitar o passado, tome “Bleed For Me”, uma das mais festejadas. Pena que o final da apresentação estava próximo. A escolhida para fechar foi a canção que dá nome à banda, “Legion of the Damned”. O refrão contagiante e a alegria trocada entre o quarteto e sua plateia deu o tom perfeito para encerrarmos uma das ‘gigs’ mais bacanas que pude presenciar este ano, mesmo com todos os problemas já mencionados no início desta resenha. Pena que deixaram de fora a “Killzone”, antes prevista no repertório.

Line-up Legion Of The Damned

Maurice Swinkels - vocais
Twan van Geel - guitarra
Harold Gielen - baixo
Erik Fleuren – bateria

Sites Relacionados

http://www.legionofthedamned.net/‎
https://www.facebook.com/LOTDOfficial‎
https://myspace.com/legionofthedamned

Set-List Legion Of The Damned

Death's Head March
Night of the Sabbath
Diabolist
Malevolent Rapture
Cult of the Dead
Shrapnel Rain
Ravenous Abomination
Werewolf Corpse
Pray and suffer
Undead Stillborn
Son of the Jackal
Bleed For Me
Legion of the Damned

Line-up Nervosa

Fernanda Lira – vocais/baixo
Prika amaral – guitarras/vocais
Pitchu Ferraz – bateria

Sites Relacionados

http://www.facebook.com/femalethrash
http://www.youtube.com/nervosathrash
twitter.com/nervosathrash

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Sobre Durr Campos

Graduado em Jornalismo, o autor já atuou em diversos segmentos de sua área, mas a paixão pela música que tanto ama sempre falou mais alto e lá foi ele se aventurar pela Europa, onde reside atualmente e possui família. Lendo seus diversos artigos, reviews e traduções publicados aqui no site, pode-se ter uma ideia do leque de estilos que fazem sua cabeça. Como costuma dizer, não vê problema algum em colocar para tocar Napalm Death, seguido de algo do New Order ou Depeche Mode, daí viajar com Deep Purple, bailar com Journey, dar um tapa na Bay Area e finalizar o dia com alguma coisa do ABBA ou Impetigo.

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