Inocentes: aula de punk rock em Manaus

Resenha - Inocentes (Festival HeyYou, Manaus, 27/04/2013)

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Por Cesar Matuza
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

O que dizer sobre Inocentes? Uma, se não "A" banda que iniciou o movimento Punk Rock em São Paulo no início dos 80's, liderada pelo ativo Clemente, produtor, apresentador, dono de um dos melhores programas de web tv da internet brasileira (estúdio livre), com 32 anos de carreira, que influenciou 99% das atuais bandas do estilo.

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Sorte minha que logo na volta de minha temporada americana, chegar ao Brasil com a oportunidade de tocar em um grande festival independente com o rock de verdade no DNA e com uma porrada de bandas muito boas, incluindo nessas as ótimas bandas da cena Manauara (release em breve).

A banda Inocentes chega à Manaus para tocar pela primeira vez na cidade dentro do Festival Hey You, que reuniu ainda o Matanza, Blind Pigs, Mukeka de Rato, entre outras.

O festival com tendência da maioria das bandas de hard core e punk rock merecia uma atração de porte como os Inocentes. Fiquei muito feliz em poder estar no mesmo festival que esses caras, os quais fizeram parte da minha musicalidade na adolescência, ainda nas bolachas de vinil no meu toca discos Gradiente.

A banda entra no palco e com toda a moral que faz por merecer, Clemente dá o boa noite: "Boa noite Manaus, com 32 anos de carreira, esqueçam tudo que ouviram até agora, porque foi a gente que inventou essa porra!!". Coberto de razão.

O show foi muito intenso, a galera não fechou a roda em nenhuma das músicas. Sucessos de todas as fases da banda foram cantados pela galera e o calor infernal de Manaus faziam do pit um caldeirão humano em ebulição.

Mandaram na orelha da galera só pedrada: Cala a boca, Ele disse não, Medo de morrer, Rotina, Não acordem a cidade, A cidade não para, entre outras.

Ainda de quebra a galera levou de brinde a ótima "Restos de nada" (da banda anterior de Clemente antes de montar Os Inocentes), o qual confessou que escreveu a música quando tinha seus 16 anos.

Chegando ao final, a introdução de "Pátria Amada" faz a galera delirar, mas só pra provocar, tocam a introdução e param e se despedem da galera e saem do palco. O break toma proporções de quase um coito interrompido. Gritos desesperados de 'volta volta' tomou a galera. É claro que eles voltaram, afinal ainda faltavam algumas músicas impossíveis de ficar de fora de um show dos Inocentes, bem como a própria "Pátria Amada", música que pra mim, é um verdadeiro Anti Hino Nacional, cantada com a revolta da contrariedade das próprias frases heroicas do nosso Hino Nacional Brasileiro. Uma das melhores letras do rock nacional.

Ainda faltava uma, e a galera pediu em coro, "Pânico em SP", e a banda mandou mais essa com total participação do coro da galera no refrão.

Pra finalizar, Clemente anuncia a homenagem ao lendário e querido Rédson (Cólera) e Joe Strummer (The Clash) e tocam "Quanto vale a liberdade" do Cólera.

E pra fechar Clemente: "- Agora uma da banda favorita do Rédson, The Clash"

"I fought the law" encerra o show dos Inocentes na calorosa e calorenta Manaus. Um show um tanto curto, devido também ao formato do festival, mas suficiente para satisfazer a sede da galera punk rocker de Manaus, na medida certa. Um show compacto, mas muito intenso e que botou a galera pra se quebrar do inicio ao fim.

Isso sim é Punk Rock de verdade, com personalidade e atitude, diferente de alguns shows "punks" que eu vi por aí ultimamente.

Abraços a todos.




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Sobre Cesar Matuza

Engenheiro, baterista da Veludo Branco e da banda Ditambah, colunista do Blog Roraima Rock'n Roll, produtor.

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