1º Union Metal Fest: como foi o evento em Pacauba
Resenha - 1º Union Metal Fest (Fazendinha dos Estourados, Pacatuba, 06/04/2013)
Por Leonardo M. Brauna
Postado em 21 de abril de 2013
Pacatuba é um dos municípios da região metropolitana de Fortaleza (CE) distante uns 25 km da capital. Terra irmã de seu vizinho Maracanaú (que divide com Fortaleza o mérito de cidade com maior número de ‘headbangers’ e tradição no Metal cearense), foi lá a realização do "1º Union Metal Fest" que reuniu algumas das bandas de maior expressão na região, assim como nomes já carimbados em todo o estado e no Brasil.
Era um sábado de céu estrelado naquela noite de seis de abril, felizmente as precipitações da estação chuvosa naquele perímetro não apareceram deixando o headbanger cearense mais à vontade, pois o local oferecia coberta apenas para o palco e um pátio afastado da "pista". O lugar chamado "Fazendinha dos Estourados" um pouco distante das habitações proporcionava grande espaço físico para os mais diversos eventos, porém não conseguiu aglomerar uma quantidade expressiva de pessoas para uma considerável lotação. Mas o que se viu foi um público sedento por Metal em total apoio aos seus ídolos locais, SOUL AGONY, LACRYMA SANGUINE, OBSKURE, THE KNICKERS e COLD LAKE.
Com um "pouquinho" de atraso, mas sem deixar os presentes de ânimos alterados a primeira banda se apresentou. SOUL AGONY que faz um ‘Thrash/Death Metal’ com um poder "letal" na guitarra de CASSIANO NEPHALIN e nos vocais à la CHRIS BARNES de RODRIGO DEATH subiram no palco e conseguiram com muita fúria fazer uma das mais belas apresentações. O set list de onze canções foi pouco para tanta empolgação. A cozinha super afiada de FAHBIO SINISTRO (bateria) e LUIZ HENRIQUE (baixo, ENCÉFALO) não apenas complementava o poderio sonoro do quarteto, como por vezes servia de protagonista, tamanha a "destruição" musical.
LARYMA SANGUINE foi a segunda banda a se apresentar. O grupo com um esplendoroso ‘Death/Doom Metal’ deixou os fãs de MY DYIN BRIDE e PARADISE LOST com orgulho de serem representados por essa força vital que se ergue com classe do ‘underground’ nordestino. O seu set list foi baseado totalmente na execução do seu EP "As The Autumn Ends" mais três canções que figurarão no seu novo álbum. As vocalizações guturais com uma instrumental pra lá de pesada e arrastada, é capaz de transportar o ouvinte a uma força obscura onde o ‘Groove’ se encaixa com grande emoção. Técnica e perfeição foram os sinônimos dessa apresentação.
Um dos momentos mais aguardados da noite estava para se concretizar diante dos olhares mais ansiosos, então assume o segmento do evento os gigantes cearenses da OBSKURE. Com seu profissionalismo, experiência e carisma a banda fez pegar fogo na pista "aberta" do festival com os seus clássicos de "quebrar o pescoço". Foram momentos de total empolgação de quem fazia a platéia. Não demorou muito até as primeiras ‘pit circles’ surgirem conduzidas pelos urros de guerra de GERMANO MONTEIRO (vocal). As dez músicas do set list apresentavam muitas das faixas de seu atual lançamento, "Dense Shades of Mankind" e houve até espaço para uma homenagem ao BLACK SABBATH num cover de "Eletric Funeral". Quem já viu um show da OBSKURE independentemente do tamanho do lugar ou público, sabe que eles dão tudo de si e é por isso que estão na estrada há tanto tempo com suas mais de duas décadas de dedicação ao ‘underground’ nordestino. JOLSON XIMENES (baixo) esteve mais ativo que nunca enquanto o seu irmão AMAUDSON XIMENES (guitarra) preferia manter a elegância da sua postura com palhetadas e ‘riffs’ matadores de suas execuções. O mesmo ocorrera com DANIEL BOYADJIAN (guitarra), centrado no lado esquerdo do palco introduzia os seus solos fazendo-o parecer regente da banda. Mais atrás, o talentosíssimo FÁBIO BARROS mostrava porque é um dos melhores tecladistas de ‘Death Metal’ do Brasil a altura que WILKER D’ÂNGELO (bateria) tratava o seu kit hora com singelo esforço, hora como "máquina matadora", herança de sua veia ‘Grindcore’.
Para dar continuidade à festa, as garotas incandescentes do THE KNICKERS esbanjavam beleza e musicalidade numa apresentação com muito ‘Hard Rock’ extraído das raízes oitentistas. Um pequeno problema na saída de som da guitarra de PALOMA OLIVEIRA não foi suficiente para ofuscar o brilho do ‘Power Trio’ que fizera os ‘Rockers’ enlouquecer com toda a presença de palco. Problemas técnicos resolvidos, a noite estrelada segue abraçando o festival e iluminando a sagacidade dos ‘riffs’ de PALOMA, impulsionados pelo peso veloz do baixo de ALESSANDRA CASTRO. E o que dizer de ALLINE MADELON (vocalista)? Bom, já disse certa vez SILVIO CÉSAR (BEOWULF) que a "pequena" é a DORO PESCH cearense. Sendo o som da cantora alemã uma influência assumida da banda, e eu uma das testemunhas oculares do talento da menina alencarina, tenho mais é que concordar com a "máxima" do mestre SILVIO, pois a rockeira não perdia o pique um só segundo e ainda instigava a todos com sua simpatia, beleza e competência. O show além de ter englobado faixas de sua demo "Mothefucker", contou ainda com covers de "monstros" como JUDAS PRIEST, e o mais interessante, não houve set list definido, isso mesmo, foi tudo "combinado" na hora, em cima do palco. Será que sobraram duvidas do talento de THE KNICKERS? O espetáculo teve ainda a participação do baterista ÍTALO RODRIGUES, o "Pivete" (PIRON HERON, SKATE PIRATA) que substituía o colaborador da banda, RÔMULO ALBUQUERQUE (baterista WARBIFF) e se manteve firme atrás de seu instrumento acompanhando todo o gás das beldades.
Para encerrar a noite do ‘Underground’ em Pacatuba, a última banda assumia o seu posto já com o frio da madrugada derrotado pelo calor humano. COLD LAKE presenteava a galera com um ‘Heavy Metal’ furioso extraído de suas próprias composições fazendo valer até o minuto final da festa. A banda que já é bastante prestigiada na região, mais uma vez não decepcionou os seus fãs incluindo clássicos legendários como "Battle Hymns" (MANOWAR), "Aces High" (IRON MAIDEN) e "Black Diamond" (STRATOVARIUS) na sua lista de execuções. Parabéns não podem faltar a essa banda que toca com "sangue no olho" e "faca nos dentes", mesmo com a responsabilidade de fechar um festival com grandes estrelas do metal nordestino e brasileiro o grupo se manteve bem afiado e à vontade em cima do palco. O talento de COLD LAKE certamente será notado por outros ares.
Que venha 2014 com mais novidades do "Union Metal Fest" e que os rockeiros cearenses possam sempre oferecer a mesma hospitalidade de sempre a seus visitantes, não só nos seus pontos principais da cena, mas em qualquer município que abra as portas para o underground. A "união que faz a força" é a mesma que estende as mãos, e é de mãos dadas que todos nós mostramos o valor dessa grande entidade coletiva chamada HEADBANGER. Parabéns, Pacatuba!
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