Down: "amigos que tocam Heavy Metal muito bem"

Resenha - Down (Carioca Club, São Paulo, 10/04/2013)

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Por Leonardo S. Dias
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Uma noite de quarta-feira com clima ameno e pouco trânsito em São Paulo deram um ambiente mais tranquilo aos arredores do Carioca Club, pouco menos de uma hora do início do show do Down, superbanda de New Orleans (EUA), que começou como um projeto paralelo de integrantes do Pantera, Crowbar, Corrosion of Conformity e Eyehategod, e que hoje em dia, entre os fãs, já passou do status de “cult” para o de “lenda”.

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Também, uma banda que conta com Jimmy Bower (Eyehategod), um discípulo aplicadíssimo de Bill Ward na bateria, Pat Bruders (Crowbar), com uma dedada que deixaria Geezer Butler orgulhoso no baixo, Kirk Windstein (Crowbar) e Pepper Keenan (ex-C.O.C.) fundindo o melhor do Sludge com o Southern/Stoner Metal nas guitarras, não tinha como dar errado! Mas eles ainda “apelam” e têm como vocalista um sujeito chamado Phillip Anselmo, que cantava no Pantera e ainda dividia as atenções “pau-a-pau” com o falecido guitarrista (e gênio) Dimebag Darrell! Ambos (Phil e Dime) eram/são donos de um magnetismo inexplicável em cima do palco e, poder ter a chance de ver pelo menos 50% disso bem de perto é uma experiência pra lá de satisfatória!

A primeira coisa que se percebe em um show do Down é o clima de amizade que emana da banda no palco. Mesmo que eles sejam estrelas do primeiro escalão do Metal e não circulem pela casa entre os fãs antes do show, quando eles estão lá em cima do palco, o sentimento que é passado é de muita gratidão por você ter ido presenciá-los. E isso faz com que você se sinta tão próximo, como se eles fossem seus camaradas de tomar cerveja no bar e que, por um acaso, sabem tocar Heavy Metal muito bem…

Mesmo com Phil pedindo a toda hora, “por favor, ajudem esse velho homem a cantar”, o desempenho vocal dele foi bem acima da média nesse show, com todos os tons limpos sendo cantados de forma bem clara e alta e com os famosos berros, que fizeram história e influenciaram gerações, não devendo nada pra qualquer vocalista iniciante de Metalcore sem calos na garganta. Sua interação com o público é mais do que perfeita, seja aplaudindo a audiência, mandando “alôs” individuais e até mesmo beijinhos para as (belas) mulheres presentes (em grande maioria, apenas pra VER o Phil mesmo).

O show começou com “Lysergic Funeral Possession”, causando grande excitação na casa por sua grande introdução instrumental e já abrindo uma pequena e tímida roda no moshpit (convenhamos que o som do Down não é dos melhores para pogar…). Em seguida a banda emendou “Pillars of Eternity” e “Lifer” (sempre dedicada a Dime), do debut NOLA, fazendo todos pularem e bater cabeça, como um exército.

Então, com muita humildade, Phil perguntou aos presentes se eles se importavam da banda executar músicas do novo EP (The Purple EP). Diante da afirmativa, a banda mandou o single “Witchtripper” e a longa e cadenciada “Misfotune Teller”, onde o peso descomunal das guitarras de Kirk e Pepper foram o destaque!

Depois a banda emendou uma sequência de clássicos com “Temptation Wings” (a primeira que o Down compôs, de acordo com Phil), “Ghosts Along The Mississipi”, “Losing All” (uma das melhores do set) e “New Orleans is a Dying Whore”, dedicada a Andreas Kisser e ao membros do Sepultura, que estavam assistindo o show do camarote. Antes de apresentar a música, Phil Anselmo não se importou de praticamente “colocar a conversa em dia” com Andreas lá do palco mesmo, no meio do show, com toda a audiência assistindo o encontro dos “camaradas”! É muita humildade… (rs)

Antes de tocar a nova “Open Coffins”, Phil Anselmo disse a todos que “Coffin Joe” estava presente e o quanto gostava dele. Para surpresa do vocalista, o próprio José Mojica Marins, o Zé do Caixão, apareceu lá do camarote para saudar o vocalista, que é fã de filmes de terror e quase foi às lagrimas quando viu o cineasta assistindo sua apresentação!

A banda ainda tocou “Eyes of the South” antes do intervalo, com Phil Anselmo dizendo sem a mínima hipocrisia, “vocês sabem o que fazer para nos chamar de volta para o bis”, sendo prontamente atendido com o coro de “Down, Down, Down”! A banda rapidamente voltou e dedicou “Hail The Leaf” a todos os “marijuana smokers” na casa, para logo emendar a clássica “Stone The Crow”, com Phil Anselmo mostrando ótima performance vocal para um final de show!

O final, como sempre, ficou por conta de “Bury Me in Smoke” com mais uma surpresa na famosa troca de instrumentos no final da música. Ao invés de passarem seus instrumentos para os roadies finalizarem o som enquanto eles agradecem a plateia, os membros do Down passaram para os integrantes do Sepultura, com Andreas Kisser dividindo as guitarras com seu filho Yohann, Paulo Jr. no baixo e Eloy Casagrande derrubando os microfones da bateria com suas pancadas, encerrando o show em uma jam apoteótica! Nada melhor para finalizar uma noite grandiosa de Metal com seus “amigos que tocam Heavy Metal muito bem”!

Set List:
1) Lysergic Funeral Possession
2) Pillars of Eternity
3) Lifer
4) Witchtripper
5) Misfortune Teller
6) Temptations Wings
7) Ghosts Along The Mississipi
8) Losing All
9) New Orleans is a Dying Whore
10) Open Coffins
11) Eyes of The South
12) Hail The Leaf
13) Stone The Crow
14) Bury My In Smoke

Resenha publicada originalmente no site
http://www.rockyourhead.com.br

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Sobre Leonardo S. Dias

Aficcionado por Rock desde 1995 por causa do “Ballbreaker” do AC-DC, formou-se em Jornalismo com o intuito de trabalhar para revistas de Rock. Enxerga no Whiplash! a oportunidade de fazer o que realmente gosta, priorizando estilos menos divulgados no Brasil, como o Punk e o Hardcore. Toca guitarra em duas bandas de HC, mas seu gosto musical transita do Thrash Metal ao Ska, sendo fã incondicional de Metallica e Bad Religion.

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