The Hives: uma banda que ama o que faz no palco
Resenha - Hives (Bar Opinião, Porto Alegre, 01/04/2013)
Por Guilherme Dias
Postado em 06 de abril de 2013
No cenário mundial da música estamos acostumados com shows que tem hora marcada para começar, mas que normalmente atrasam. Os australianos da THE TEMPER TRAP, uma das novas sensações do indie rock, começaram surpreendendo pontualmente no horário marcado, às 20h. Diversas pessoas que não esperavam tamanha pontualidade perderam o início do show. Em uma segunda-feira tensa, marcada por protestos nas ruas da capital em pleno horário de pico dificultaram a pontualidade do público, que tem como cultura chegar horas antes em seus shows para garantir os locais mais confortáveis.
Liderada por Dougy Mandagi (vocal) a banda THE TEMPER TRAP possui um som calmo, diferente do que os fãs do THE HIVES estão acostumados a curtir, por esse motivo talvez a banda que estava tímida no palco até então não atraiu a atenção do público que foi reagir no meio do show com músicas mais animadas e conhecidas da banda como "Science of Fear" e "Drum Song", a qual o vocalista utiliza um surdo e um prato de ataque como percussão durante toda a música, ocorrendo ainda uma passagem em que havia água no prato e na pele do surdo que voou no palco e animou bastante o público pela performance agitada e irreverente.
O ponto alto foi o hit "Sweet Disposition" em que o vocalista desceu do palco e não satisfeito em ficar apenas na frente da grade, foi parar no meio da galera sem parar de cantar em nenhum momento sendo uma cena rara de se ver, ganhando de vez o público que recebeu um grande final de show.
O momento mais esperado por todos estava por vir, um dia após se apresentar no festival "Lollapalooza" em São Paulo, Chris "Dangerous" (bateria) é o primeiro a subir ao palco, dando início ao show do THE HIVES, com "Come On", faixa de abertura do mais recente disco intitulado "Lex Hives", que lembra gritos de incentivo de torcidas de futebol, possuindo em sua letra apenas o título da faixa e o termo "everybody" em todo o seu um pouco mais de um minuto ao qual já cativou demais o público presente que recebeu em seguida a já conhecida "Try It Again" do disco "The Black and White Album".
A banda liberada por Howlin’ Pelle Almqvist (vocal) chama muito a atenção pelo seu visual sempre de maneira elegante ao qual é o seu tradicional uniforme; traque e cartola em preto e branco. O show segue com duas canções energéticas do último disco sendo elas "Take Back The Toys" e "1000 Answers". Um dos clásicos da banda "Main Offender" é executado e leva o público ao delírio.
Era apenas o início do show, em seguida é executada outra música famosa, "Walk Idiot Walk" e mais uma do último disco "My Time Is Coming" finalizando a parte mais cadenciada do show. Nesse momento Pelle (vocal) interage com o público, questionando a todos se gostam de músicas rápidas, arriscando a palavra "rápida" em português, algo que fez durante todo o show. A galera fica enlouquecida com a realmente rápida "No Pun Intended", rolando a primeira grande "roda punk" de muitas que viriam no decorrer do show.
O frontman se divertia em compartilhar o que sabia pronunciar do nosso idioma, dizendo para os fãs palavras como "pulem" e "cantem" durante todo o tempo, sempre de maneira humilde, simpática e levando um sorriso no rosto, mostrando que está ali porque realmente ama o que faz no palco.
O irmão de Pelle (vocal), Nicholaus Arson (guitarra), também não parava no palco, diferentemente de Matt "Destruction" (baixo) que apenas fazia caretas no seu próprio canto, sem nenhuma interação com o público e Vigilante Carlstroem (guitarra) que agitava, mas apenas no seu próprio canto, ao lado de Matt (baixo). A banda executa uma música que é rica em seus backing vocals, "Wait A Minute" que parecem substituir riffs de guitarra, sendo muito bem cantados em suas devidas notas por ambos os guitarristas da banda.
Duas músicas de seu disco de maior destaque "Veni Vidi Vicious", que levou o THE HIVES ao patamar que possui atualmente, são tocadas na sequência. "Die, All Right!" é o maior sucesso da banda - aquela que todo mundo conhece - "Hate To Say I Told You So" destroem todo o público que depois dessas já poderia deixar o local, pois já valeram pelo ingresso pago.
Sem perderem o fôlego continuam o show com "I Want More" levando o público a realmente querer mais. Em uma das interações Pelle (vocal) pergunta para os fãs quanto tempo aguentariam vê-los tocando sem parar, se por mais 5, 7 ou até 10 horas mais. Finalizam o show com aquela famosa despedida antes do bis com a emocionante "It Won’t Be Long" e "Patroling Days".
Após a pausa o THE HIVES retornam ao palco e tocam "Go Right Ahead", "Insane" e chega o momento mais triste de qualquer show de rock n’ roll que é aproveitado por um fã estava por vir o que a maioria dos fãs já sabia que seria o último som. O show é finalizado com o mais bombástico e matador hit de sua carreira, "Tick Tick Boom" é "gritada" em uníssono por todo o público presente.
A tradicional apresentação da banda realizada pelo vocalista é feita no meio desta última música. Após isso algo inusitado ocorre, Pelle (vocal) diz em português para o público: "sentem" e mesmo após alguns resistirem todos sentam na pista e nas demais localidades do lotado Bar Opinião, foi difícil, mas todos puderam colaborar com a banda (diferente do que ocorreu na tarde passada no Lollapalooza, onde pouquíssimas pessoas haviam se sentado na pista).
E assim o show é encerrado com a banda ainda distribuindo palhetas, baquetas e autógrafos para os que estavam na grade, praticamente dentro do palco.
Disseram que a segunda vez foi ainda melhor do que a primeira em 2008 e prometeram voltar em breve para Porto Alegre, que irá sentir saudades do show nos próximos, dias meses, ou até que retornem para o Brasil.
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