Taberna Folk: banda propõe uma viagem no tempo

Resenha - Taberna Folk (Sesc Vila Mariana, 05/01/2013)

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Por Ricardo Avari
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Um séquito fiel de fãs que fazem questão de se vestir ao estilo da banda. Público saído do Power metal, Gótico ou Hard Rock. Shows sempre cheios. Músicas sobre romance e poesia por um lado e bebedeiras, batalhas e prazeres da vida por outro. Manowar? Kiss? Rhapsody? Não, estamos falando do Taberna Folk, uma banda de Cosmópolis, interior de São Paulo, dedicada a música folclórica européia, que toca instrumentos tradicionais como gaitas de fole, harpa e banjo com letras em latim, alemão ou inglês arcaico.

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Dia 05 de janeiro de 2013, 13:30, em pleno sol de verão brasileiro. Uma procissão vestida com cotas de malha de ferro, vestidos esvoaçantes com mil camadas de tecido, acessórios de couro e coletes de veludo chegava ao Sesc Vila Mariana para uma vivência diferente. Pessoas que escutam Nightwish, Iron Maiden ou Metallica no seu dia a dia.

O Taberna Folk se apresenta aos frequentadores do espaço e aos fãs, propondo uma viagem no tempo. É tudo que os presentes querem. A área do show, em frente à lanchonete e ao lado da área de convivência infantil, é castigada pelo Sol que atravessa a cobertura de vidro, mas isso não desanima os músicos nem os fãs, que começam a bater os pés no ritmo dos primeiros acordes de “Drum Dance”. As crianças começam a prestar atenção nas pessoas vestidas de maneira engraçada e curtem um momento com princesas e guerreiros de contos de fadas. Os pais sorriem, e os fãs dançam. Cerca de um terço dos presentes conhece e admira a banda, e os demais vieram conhecer ou se viram fisgados de seu dia de passeio no Sesc pela qualidade da música e sua originalidade.

Um capítulo a parte são os grupos organizados. Há um contingente interessado e batalhador que ama e faz festas e recriações medievais, pessoas que apareceram e se organizaram enquanto o Taberna Folk começou a se tornar relevante em uma cena estranhamente rica, embora pequena, de apreciadores da reencenação histórica. Ordo Draconis Belli, Ars Medievalis, Cerberus Vorax e Inspiração Etílica são alguns dos vários nomes que aparecem e seus membros trocam telefones, informações e passos de dança em diversos eventos.

Músicas como “Dier im Ort”, sem nenhuma familiaridade com o que se escuta normalmente no país, são tão bem vindas como o inusitado hit “Toss the feathers”, tradicional irlandesa que ficou conhecida pela gravação feita por The Corrs. Seguem-se “The Kesh”, “Queen Dream”, “After a Hard Day” e “Dark Island”. Guiada pelo vocalista e violonista Ricardo Amaro, a banda segue firme no calor, enquanto uma fase de músicas mais suaves permite ao séquito fiel descansar antes de recomeçar o baile. “Em Avant blonde”, “Star of the County Down” e “Concernig Hobbit” preparam para mais um pouco de saltos e rodopios.

Há até mesmo um momento de delírio aguardado pelos que acompanham a banda: o momento em que o violinista "Bardo" Anderson e o violonista Luís Romagnolo descem do palco e tocam e dançam com o público. No Sesc, o espaço não permitia este momento, mas ao se levantarem os "vivas" vieram sem contenção. Sem deixar a música desandar enquanto a dança distraia os demais músicos, os percussionistas Hugo Taboga e Karina Moreno mantém o embalo e dão o ritmo para as palmas que seguiam-se.

“Foor Cooleys Reel” traz a massa de volta para a pista improvisada, e as dançarinas roubam a cena. O tempo acaba, mas após um breve intervalo, ainda roubam um pouco dele (afinal, é uma viagem no tempo) para que “In Taberna” seja cantada em coro, assim como o fecho de ouro “Sieben Tage Lang”. Quantas vezes se vê uma música em alemão sendo cantada com tanta vontade nestas paragens que não seja “Du Hast”?

Findo o show, todos os CDs levados para venda desaparecem, e por muito tempo ainda os membros da banda conversam, riem e brincam com quem fica para um pouco mais.

O Taberna Folk merece ser apreciado e assistido sem moderação, e agrega admiradores de estilos de música tão diferentes que chegam a ser opostos, da MPB ao Samba ao pop ao Heavy. E tudo isso por uma razão simples: trazem a raiz de toda a música ocidental para cada um achar ali o que lhe agrada.

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Sobre Ricardo Avari

Ricardo Avari é biólogo, ator e arqueiro, ouvia rock já como feto e não tirou as guitarras da cabeça desde então. Perdeu a conta de quantos shows já viu na vida desde o segundo em que esteve (desconsidera o primeiro) e ri de quem acredita que o rock está no passado.

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