Coal Chamber: toda potência de sua música em show histórico

Resenha - Coal Chamber (Cine Jóia, São Paulo, 08/09/2012)

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Por Cristen Charles
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Com muita intensidade e qualidade, banda faz show para público fanático em São Paulo

Lançada nos primórdios do movimento Nu Metal e com uma pegada moderna e pesada, o COAL CHAMBER não demorou a ser alçada como a banda do “MOMENTO” em sua época (anos 90), tendo chamado a atenção de Ozzy Osbourne, entre tantos outros nomes. Evidente que logo uma legião de fãs “LOCOS” pela banda começou a surgir em todo mundo, alçando a banda à fama rapidamente.

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Superior artisticamente a seus contemporâneos e de movimento musical – cito KORN e LIMP BIZKIT como exemplos – a banda acelerava a passos largos para se tornar um dos maiores nomes do NU METAL, ALTERNAMETAL ou simplesmente METAL, não importando a nomenclatura, mas sim o rock de qualidade proposto. Como toda banda que não tem cabeça em um momento oportuno que a vida lhe dá, logo o COAL CHAMBER começou a ter problemas graves: agressões entre integrantes (inclusive mulher), abusos de drogas e álcool e outras maluquices que a trupe comandada pelo talentoso Dez Fafara costumava se meter.

Em 2002, depois de muitos desentendimentos a banda chega ao seu fim, deixando muitos fãs, incluindo esse escriba, órfãos e que tiveram que se contentar com os trabalhos paralelos dos músicos, como “Glass Pinãta” e “Devil Driver”. Um clássico exemplo de chances que Deus coloca na vida das pessoas e elas desperdiçam por ego ou qualquer outra coisa idiota, a banda é grande nos corações dos fãs, mas podia ser imensamente maior – sempre brinco que o lugar de direito do Coal Chamber foi ocupado anos depois pelo “Slipknot” mercadologicamente falando, PANTERA-COAL CHAMBER-SLIPKNOT, o mercado sempre precisou de sons pesados que dialogassem com um público maior, pode parecer um devaneio, mas analisem friamente, os caras deixaram o trem passar.

Depois de muita espera, dez anos depois da separação, a banda se reúne para uma descompromissada turnê de reunião, e mais, uma turnê que passaria pelo Brasil. Foi uma notícia soberba para os fãs e admiradores da banda, e mesmo com os problemas de divulgação, mudança de local, os fãs fiéis estiveram presentes em peso para acompanhar de perto esse verdadeiro “Requiem”, a poderosa música da banda Coal Chamber, o Cine Jóia ficou pequeno.

Quero usar o espaço e parabenizar justamente a NEGRI RECORDS, o Cine Jóia estava ótimo para o tamanho do evento, muito organizado, o M&G o qual participei estava organizado e atendeu todas as expectativas, enfim, tudo na mais perfeita ordem.

Após o público se esgoelar no palco, às 22 horas em ponto inicia-se os acordes do tema do filme “Halloween” e em seguida surge a banda com o petardo sonoro “Loco”, o local veio abaixo e uma certeza: essa noite seria infernal. Rodas foram abertas, o pessoal vibrava muito, e a emoção tomou conta do lugar, a banda percebeu isso e decidiu dar tudo de si.

Logo em seguida outro clássico do primeiro disco: “Big Truck”, a metáfora perfeita para o rumo que tomava o show, era como se estivéssemos sendo atropelados por um gigantesco caminhão. A química da banda é ótima, Dez tecnicamente perfeito e muito carismático, Meegs com seus inesquecíveis riffs e presença de palco mandava ver, a bateria de Mike soava insana como nunca e o baixo de Chela Rhea Harper nos fazia esquecer Rayna e Nadja, ela é ótima e fazia-se ouvir sua força e técnica na acústica perfeita do local.

Foto: NM4U
Foto: NM4U

Mais pula-pula do público, e um saudosismo pairava no ar, sem titubear um só segundo, a banda emenda “Fiend”, “Something Told Me” e “Rowboat”, do álbum Dark Days, numa sequência que era a mais pura insanidade, a partir dali os fãs tiveram uma certeza: estávamos perante o melhor show do ano, e muitos não sabiam disso.

“Clock” era mais uma volta ao passado, saída diretamente do primeiro disco, e estranhamente muito bem recebida pelos fãs, particularmente gosto da música, mas não imaginava sua força ao vivo. Dez interagiu muito e deu uma nova aura a música.

Ainda em estado de torpor, segue-se mais uma do álbum Dark Days, o segundo mais presente da noite, “Drove”, insana como sempre e com uma interpretação vocal perfeita, tornou-se mágica com as performances de Chela e Meegs, que estavam possuídos.

O álbum injustiçado da banda, “Chamber Music”, deu as caras com a poderosa “Nothing Living” cantada a todo pulmão por um coro de “LOCOS” fãs da banda. “I” com um show de bateria de Mike foi outra que não deixou pedra sobre pedra, emendada com um clássico do álbum “Chamber Music”, “No Home”, a casa fervia, os fãs estavam aproveitando cada minuto, e provavelmente foi plantada a pulga atrás da orelha de Dez: “Precisamos de mais um álbum!”.

Mas ninguém estava preparado para o inferno que viria a seguir: “Watershed”, do álbum “Dark Days”, contou com a mais insana interpretação que um vocalista é capaz de dar a uma música, amor, intensidade e ferocidade nas medidas certas, sem uso de artifícios como máscaras, explosões ou coisa do tipo, ali era puro coração. E Meegs e seu inspirado riff, delirando os fãs, mais uma vez!

A banda sai, os fãs cantam a plenos pulmões os versos de “Sway”, clássico do primeiro disco e intenso como nunca, temos a intro “MARICON PUTON” e “Sway” para encerrar a noite. Banda se abraça, com direito a beijo no rosto e tudo, Meegs e Dez sabem da besteira que fizeram no passado, sabem que nada do que possam produzir será tão mágico como o “Coal Chamber”, Mike abraça ambos e Chela é bem vinda a esse grupo.

Deus deu oportunidade de todos amadurecerem e tocarem juntos, quem estava lá poderia sentir a emoção, poucos shows no Brasil esse ano foram executados com tanto tesão. Repito: Não acredito no fim da banda, eles estão de volta, são o “Coal Chamber” e estão ai para provar isso, quanto ao “Devil Driver”? Cara, ali estava o Coal Chamber, foi mágico, e o que é mágico deve continuar… Para sempre.

Longa vida ao novo Coal Chamber, oras, eles merecem pô!

Setlist:

Loco (COAL CHAMBER)
Big Truck (COAL CHAMBER)
Fiend (DARK DAYS)
Rowboat (DARK DAYS)
Something Told Me (DARK DAYS)
Clock (COAL CHAMBER)
Drove (DARK DAYS)
Not Living (CHAMBER MUSIC)
Dark Days (DARK DAYS)
I (COAL CHAMBER)
No Home (CHAMBER MUSIC)
Watershed (DARK DAYS)
Oddity (COAL CHAMBER)

Encore:
Maricon Puto (COAL CHAMBER)
Sway (COAL CHAMBER)

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