Assassin: Produtores sérios, garantia de evento de qualidade

Resenha - Assassin (G.R.A.B, Fortaleza, 26/08/2012)

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Por Leonardo Daniel Tavares da Silva
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Domingo, 26 de agosto, tivemos mais uma tarde/começo de noite de metal em Fortaleza (desta vez, com uma atração internacional, o ASSASSIN), proporcionada pela Gallery Productions, uma das produtoras que tem feito a diferença na cena underground da cidade e do estado.

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Ainda com pouco público nas dependências do GRAB (Grêmio Recereativo do Antônio Bezerra), os shows se iniciaram com a banda CAÇADOR DE ALMAS, apresentando um death metal extremamente brutal. O trio iniciou seu set com "Matar é a Lei", que não pode receber outro adjetivo além de brutal (que já usamos neste texto). Entre outras, de igual peso, a banda executou a faixa titulo de seu debut, "Vigario Maldito", um death metal cadenciado, mas violento, e a que lhes dá nome "Caçador de Almas".

Em seguida, a atração local mais esperada, a banda DARKSIDE, que acabou de lançar mais um full-length, o elogiado "Prayers in Doomsday". E a faixa-título foi a escolhida para abrir o show do quinteto, seguida de "Sacrificed Parasites" e "Anticitizen One". E a pista já era um turbilhão. Em "Born For War", a coisa esquentou ainda mais, mas, sem surpresa nenhuma, "Bubonic" foi o ponto alto do show. "Mindstorm", do CD anterior, "Eclipsed Mind" manteve os thrashers da platéia no mesmo clima. O vocalista Alex Eiras distribuiu alguns patches para a galera antes de "Shades of Decay", outra do "Eclipsed mind", uma faixa com lindo e longo solo.

Como em outros shows da DARKSIDE, o guitarrista Tales Groo se mostrou o show man da banda, sempre inquieto, correndo de um lado pro outro, levantando a galera e fazendo, ele próprio, um stage diving no fim do show. O show terminaria em "Fragments of Time", uma faixa com muita, muita influencia de heavy metal tradicional e NWOBHM (ate mesmo o baixo galopante), mas os caras fecharam com uma cover alucinante do clássico do MOTORHEAD, "Ace of Spades".

No intervalo que se seguiu, tive a oportunidade de conversar um pouco com o guitarrista Scholli (Jürgen Scholz). Ele, apesar de cansado pela maratona de shows que tem sido esta turnê sul-americana, foi muito atencioso. Na breve conversa, ele revelou-me que tinham acabado de chegar em Fortaleza e após apenas uns cinco minutos no hotel já tinham rumado para o GRAB e que já iria para outra cidade naquela mesma noite. Na noite anterior, o quinteto alemão teria dormido apenas cerca de duas horas. Outro assunto foi a dificuldade de comunicação. Embora eu e ele estivéssemos conversando em uma língua que não é o nosso idioma nativo (ele fala alemão e eu, português), isso não se repetiu muitas vezes durante esta turnê. Conversamos ainda sobre a banda que tinha acabado de tocar, DARKSIDE, e ambos os guitarristas Michael "Micha" Hoffman e Scholli fizeram elogios ao quinteto cearense. Ao final, Micha levou o CD "Prayers in Doomsday" para casa e combinamos uma entrevista que vocês lerão aqui no Whiplash.net. Incrível como esses caras são atenciosos, tentam conversar, dão autógrafos, tiram fotos com os fãs e até tiram fotos dos fãs, ao contrário de muitos outros rock stars que parecem não dar a mínima para seus fãs.

Seguindo a tradição de shows no GRAB, pensávamos que a atração principal, ASSASSIN, seria a próxima banda a se apresentar, mas quem subiu ao palco foi o WARBIFF, uma banda de thrash metal, ultra rápido, sem frescura, que fez todo o grab se transformar numa roda de mosh. Em seu show, o trio, capitaneado por Daniel "Bifão", tocou, entre músicas mais conhecidas do público, a nova "Pigs Parlament". E tome mosh. E tome stage diving. Mas, tudo na paz. Nota para o quarto elemento no palco, uma caixa térmica lotada de cerveja.

Finalmente, chegou a hora que todos esperávamos, o principal motivo de estarmos ali. o ASSASSIN estava no palco. Primeira surpresa, Micha (eu não disse que os caras são gentis até a tampa) tinha vestido a camisa verde e branca do G.R.A.B. (shame on me, eu nem sabia que o G.R.A.B tinha a sua própria camisa) e ficou o resto do tempo com ela.

Abriram logo com "Forbiden Reality", a primeira música, do primeiro álbum do ASSASSIN, "The Upcoming Terror", a melhor música do quinteto, na opinião de quem vos escreve. Micha, se dirigindo ao público quase sempre em um português indefectível, disse "Muita honra de tocar aqui em Fortaleza, galera". Seguiram com "Judas" e "Breaking The Silence", do lançamento de 2010, e ao executar "Baka", eles trocaram o título da música por "Estúpido", seu significado em português.

Depois, Micha ainda disse "Fortaleza sabe cantar, sabe fazer o mosh pit pra caralho".

O show, intenso do início ao fim segue com "AGD", "Last Man", solos destruidores de Micha e Scholli, e Robert Gonnella, o vocal, sempre incorporando cada música e chegando a usar a máscara do Homem Aranha em uma delas. Raging Mob, de "The Club, de 2005, saudou "essa loucura, como aqui em Fortaleza" nas palavras de Micha.

Cabe notar que não houve um segundo sequer em que o palco não tivesse ao menos um fã pulando do palco (às vezes mais), mas mesmo durante seu show, os quatro cavalheiros do time de frente conseguiram receber e trocar tapinhas ou abraços com os stage divers. O que se viu ali foi uma celebração do metal e da paz, todos unidos com o único intuito de se divertir. Nenhum contratempo foi registrado no palco ou abaixo dele.

Perto do final do show, Micha apresentou o novo baterista Björn Sondermann (que não é tão novo assim na banda, uma vez que já toca com eles desde 2009) como um dos melhores do mundo e ele respondeu fazendo um solo cheio de energia, pontuado pelo baixo de Joachim Kremer e depois por um riff das guitarras, descambando num ataque fenomenal.

Agora, era hora de gritar "Go, Assassin", "Fight, Assassin", "Kill, Assassin" e a música que dá nome à banda teve backing vocal especial da platéia, inclusive este que vos escreve. Um dos microfones chegou a ficar com a galera durante a execução da música."Go, Fight, Kill, Assassin". Chega de palavras. Elas são inúteis. Não há como descrever a emoção. "Abstract War" veio em seguida e todos tivemos nossos corações testados.

No Bis, eu que tinha subido ao palco pra garantir minha baqueta tive a oportunidade de assistir ao finalzinho do show ao lado dos caras. "Bullets" fechou um dos melhores shows do ano no G.R.A.B. com chave de ouro. Faltou apenas "Resolution 588" pra que este brilhante show fosse completo.

Lembro ainda de destacar a velha guarda do thrash metal, que compareceram ao G.R.A.B para ver esta banda que foi tão importante nos primórdios do thrash metal e está voltando com tudo e deve lançar outros álbuns matadores daqui pra frente. Outro destaque para as banquinhas de merchandising, onde pudemos adquirir demos, CDs de bandas locais e do próprio ASSASSIN. Que outros dias bons como esse domingo aconteçam com frequência na linda e maltratada Fortaleza. Enquanto produtores sérios (como é o caso de Emydio Filho, da Gallery Productions, e outros que podemos encontrar aqui) encabeçarem iniciativas como essa, teremos a garantia de outros eventos com este nível de qualidade.

Repertorio Darkside

Prayers in Doomsday
Sacrificed Parasites
Mindstorm
Born For War
Bubonic
Anticitizen One
Shades of Decay
Fragments of Time
Ace of Spades (cover Motorhead)

setliste

Intro/Fight (To Stop The Tirany)
Judas
Breaking The Silence
Baka (Estúpido)
Destroy The State
AGD
Last Man

Bushnackers
Raging Mob
Nemesis
Assassin
Abstract War
Holy Terror
Bullets

Set list Warbiff

Welcome to the warbiff
Searching for light
blessed for what?
mercenaries
thrash or be thrased!
pigs parlament
war in the name of god

https://fbcdn-sphotos-f-a.akamaihd.net/hphotos-ak-prn1/52813...

Crédito das fotos:
Ghandi Guimarães
Barcelos Saxon




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Sobre Leonardo Daniel Tavares da Silva

Daniel Tavares nasceu quando as melhores bandas estavam sobre a Terra (os anos 70), não sabe tocar nenhum instrumento (com exceção de batucar os dedos na mesa do computador ou os pés no chão) e nem sabe que a próxima nota depois do Dó é o Ré, mas é consumidor voraz de música desde quando o cão era menino. Quando adolescente, voltava a pé da escola, economizando o dinheiro para comprar fitas e gravar nelas os seus discos favoritos de metal. Aprendeu a falar inglês pra saber o que o Axl Rose dizia quando sua banda era boa. Gosta de falar dos discos que escuta e procura em seus textos apoiar a cena musical de Fortaleza, cidade onde mora. É apaixonado pela Sílvia Amora (com quem casou após levar fora dela por 13 anos) e pai do João Daniel, de 1 ano (que gosta de dormir ouvindo Iron Maiden).

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