Eclipse Doom Metal V: como foi o evento no Manifesto em SP
Resenha - Eclipse Doom Metal V (Manifesto, São Paulo, 19/07/2012)
Por José Antonio Alves
Fonte: Funeral Wedding
Postado em 31 de julho de 2012
O Manifesto Rock Bar, em São Paulo, recebeu na fria noite de 19 de julho um dos grandes eventos do gênero Doom Metal em nosso país, o Eclipse Doom Festival V, que contou com as bandas O MITO DA CAVERNA, MORTARIUM e HELL LIGHT. O evento também serviu para o lançamento da coletânea "Doomed Serenades", trabalho pioneiro que reuniu somente bandas brasileiras do estilo como as participantes do festival MORTARIUM e HELL LIGHT, além de IMAGO MORTIS, LACRYMA SANGUINE, entre outras.
Texto - José Antonio Alves
Fotos - Pierre Cortes
O festival também contaria com a presença da banda de São José Dos Campos LES MÉMORIES FALL, que está presente na coletânea e que acabou cancelando sua apresentação por motivos de saúde, desta forma, por volta das 19 horas, os paulistanos da banda O MITO DA CAVERNA subiram ao palco para a abertura do evento.
A banda teve a ajuda da iluminação para criar um clima sufocante e aflitivo, usando de passagens cadenciadas e de um vocal mais que extremo de Augusto Miranda. Adotando um discurso politizado, notado antes da execução da faixa "Anti-Capital", a banda usa certa influência do Crust mesclada com o Doom Metal que ainda não ganhou nenhum registro no que se refere a álbuns. Com conceitos como "Todo burguês é um parasita", a banda trouxe uma experiência atormentadora que é fruto dos diversos sons distorcidos usados, também considerando-se a postura de palco mais contida (com membros tocando de costas) em total contraste com a performance do vocalista.
Pouco tempo depois foi a vez da banda carioca MORTARIUM executar um pouco de seu Doom Metal. Formado por Vivi Alves (vocal/baixo), Tainá Domingues (vocais guturais/guitarra) e Julie Sousa (bateria), a banda que recentemente liberou um single chamado "The Awakening Of The Spirit" se prepara para a gravação de um EP em breve. Com linhas de baixo bem notáveis que encontram a mistura de vocais limpos e guturais, o som apresentado nos leva a uma viagem composta por cadências e passagens intensas na bateria, como na faixa "The Awakening Of The Spirit". Fechando com a faixa "Celebrity Eternity", o grupo demonstra uma fusão Death/Doom que ganha alguns tons de agressividade em certos momentos.
Para o fechamento do evento, uma das maiores bandas de Funeral Doom Metal atualmente no Brasil, o HELL LIGHT, banda liderada pelos poderosos vocais de Fábio de Paula que com sua guitarra possui a companhia de Alexandre Vida no baixo, e neste show, contou com a estréia do baterista Evandro Camellini. Desde 1996 na estrada, o grupo já abriu dois shows da banda sueca THERION, esta inclusive requisitando a abertura dos paulistas em sua última turnê por terras brasileiras, o que mostra o talento e prestígio da banda. Por mais que não seja simples executar faixas longas com mais de 10 minutos de duração e conseguir prender bem o público, o HELL LIGHT consegue fazer com que apreciemos toda a performance de forma atenciosa, tendo em vista toda a atmosfera criada que é bem intensa, alternando partes vigorosas com outras extremamente melancólicas, unindo bem a ferocidade dos guturais com vocais limpos. Destaque para a incrível e sombria "Funeral Doom" e para a bela faixa "Deep Siderial Silence", estas últimas presentes no álbum "Funeral Doom", de 2008 e que fecharam a apresentação. Quanto aos músicos, uma apresentação louvável, que comtemplou desde os ótimos riffs de guitarra de Fábio, a boa presença de palco do baixista Alexandre Vida e a cozinha "recém-assumida" por Evandro Camellini.
O Doom Metal é um estilo que tem adeptos fiéis, infelizmente não contando com grande divulgação nas mídias do Heavy Metal. Iniciativas como este festival e também a coletânea só surgem para engrandecer ainda mais o trabalho das bandas que seguem este gênero e que trabalham com competência. O público que compareceu pode até não ter lotado o Manifesto, mas sem dúvidas pode desfrutar de uma noite ao melhor estilo "Doom Metal", onde a baixa temperatura ditou os ritmos lentos usados nas canções das bandas que se apresentaram.
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