Metal Open Air: resenha dos shows do primeiro dia

Resenha - Metal Open Air (Parque da Independência, São Luis, 20/04/2012)

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Por Leonardo Daniel Tavares da Silva
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Hoje, todos já sabem os resultados e conhecem a frustração causada pelo que foi o Metal Open Air, aquele tal festival que seria o maior festival de metal da America Latina, sabe?

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Mas, como quem embarcou nesse Titanic foi lá pra ver bandas tocando, você confere (ou relembra) aqui como foram as participações das bandas que chegaram a subir aos palcos DIO e CLIFF na sexta-feira, 20 de abril.

A primeira banda, EXCITER, só subiu ao palco bem depois das 3 da tarde. Até perdemos uma parte do show, pois estávamos do lado de fora, ainda na incredulidade sobre a realização do evento. As notícias que chegavam em todos os veículos, este inclusive, e os relatos de quem já estava lá dentro, eram desanimadores. Ninguém estava passando o som, não havia sinal de que algum show aconteceria ali naquele dia, quem estava no camping não tinha assistência nenhuma e nem mesmo tinha algo para comer que pudesse comprar.

Apesar de esperar mais um problema, a troca dos ingressos foi relativamente simples e rápida. A distância a ser percorrida dentro do parque de exposições é que não ajudou ninguém. O próximo problema, presente durante todo o evento: a qualidade do som. Vou ter que ver outro show do EXCITER, esse não valeu. Além de perder metade do show, a qualidade do som estava tão ruim que parecia que não havia um guitarrista no palco. Apenas durante os solos é que dava pra ouvir a guitarra de John Ricci.

No outro palco, Cliff, a banda ORPHANED LAND foi a próxima a tocar. Aqui, faço um parêntesis para dizer que os nomes dos homenageados, RONNIE JAMES DIO e CLIFF BURTON não estavam visíveis em nenhum lugar. Assumo que este era o palco Cliff pela combinação inicial bandas X palcos. Se estava trocada, mencionarei seus nomes invertidamente de agora em diante.

Foi um show que dividiu opiniões. Eu, particularmente, gostei do show, embora tenha ficada um tanto decepcionado. Kobi Farhi veio com sua habitual caracterização de Jesus Cristo e declarou "Eu não sou Jesus Cristo, mas, se ele estivesse vivo hoje, a música que ele mais ouviria seria Heavy Metal". Mas eu queria ver como funcionava no palco a mistura de instrumentos tradicionais do heavy metal com os instrumentos orientais. Isso não aconteceu. Em nenhum momento vimos algum instrumento diferente e foi utilizado playback em todas as partes das músicas em que esses deveriam aparecer. Esse recurso foi utilizado até mesmo na música Sapari (que, segundo Kobi tem mais de 400 anos), no dueto com a "Maria Madalena", que também não estava lá. O destaque especial do show foi o guitarrista Yossi Sa'aron (Sassi), com seu nariz de 15 metros e sorriso constante, demonstrando que estava se divertindo pra valer, como um bom rock star. Perto do final do show, eles receberam várias bandeiras (de Israel, do Ceará, de Minas e de times de futebol como Cruzeiro e Santa Cruz) e as exibiram no palco. O som estava consideravelmente melhor, embora ainda existissem momentos de falha. E o uso do playback, pra mim, foi algo bem desanimador.

O show do ALMAH já encontrou o palco DIO sem problemas no som (o retorno do EDU FALASCHI, principalmente, estava funcionando!!! - vocês sabem do que estou falando). Embora com uma discografia relativamente pequena, a banda já tem alguns hits bem marcantes e casa melhor com o vocal do Edu que o próprio ANGRA. Ele, feliz com o final do tratamento ao qual esteve submetido nos últimos meses e assumindo ser polêmico (aqui você também sabe do que estou falando), mas num discurso de união, pediu o apoio de todos ao evento, à cena metal brasileira e lembrou que os problemas que estavam acontecendo no MOA eram similares aos problemas nas primeiras versões do WACKEN e ROCK IN RIO. Ficamos ansiosos para que ele desse mais alguma notícia, pois era a primeira vez que algúém no palco falava do evento em si. Isso não aconteceu. Algumas poucas músicas depois, ocorreu um fato que me fez rever minhas opiniões sobre o cantor. Alguém teria dito que aquela deveria ser a última música. A atitude do vocalista mudou. "Ah é? Nós estamos aqui tocando de graça. Quando houve aqui aquele outro evento pra divulgação do MOA eu paguei o hotel do meu bolso e agora eu só posso tocar mais uma música? Pois nós vamos tocar todo o setlist que está aqui, que nós formatamos pra essa galera aí. Tem banda gringa esperando pra tocar no outro palco? Vai esperar!!!." Dei valor, Edu!

Um fato inusitado: enquanto ele cantava Traice of Threat o vocalista do EXCITER, Kenny "Metal Mouth" Winter, acompanhava a letra em um computador no canto do palco e cantava junto, bastante empolgado. Mais tarde, tive a oportunidade de conversar com ele e perguntei se eles tocariam em outras cidades brasileiras. Kenny disse que estavam fazendo apenas uma média de um show por mês por que estavam trabalhando no novo álbum. Ou seja, em breve, tem novidade na praça. Um disco a ser conferido, com certeza. À essa altura já rolavam boatos sobre um possível cancelamento da banda ROCK N´ ROLL ALL STARS. Kenny disse que não acreditava nisso.

O próximo show, da banda canadense ANVIL, foi um dos melhores shows da noite, em minha opinião. Apesar disso, não foi sem problemas. Acabo de elogiar o som do show do ALMAH e os problemas voltam a acontecer no show do ANVIL. Simplesmente, não se ouvia a voz de Lips, parecendo que as músicas eram longas jams instrumentais. Não sei se cheguei a influenciar alguma coisa, mas consegui contato com alguém do palco e avisei o fato. Se já estavam sabendo ou não, não sei, mas o problema foi logo resolvido. E daí, foi só curtição. A "paudurecência" do show dos caras fez, finalmente, por uma hora, a gente esquecer dos problemas que estávamos enfrentando. O trio empolgou muito em seu show. Lips dizia "eu sou um hippie, sabe? E acredito na paz, e no amor (fazendo gestos sexuais)" e masturbava a guitarra em solos inacreditáveis. Robb Reiner também fez um dos melhores solos de bateria que já vi, durante Mothra. Enfim, Rock n' Roll, puro e festivo como deve ser. Terminou com a execução das ótimas Funken Eh e a indispensável Metal On Metal (ou seria carne sobre carne). Foi o show que fez valer todo o sofrimento até aqui.

Em seguida o show do SHAMAN, bem mais morno e tendo como pontos altos o hino do festival (apesar de tudo) e o tecladista Juninho Carelli (cara de moleque), que ora tocava num teclado convencional, ora tocava num IPad. Ao final, um comentário de Thiago Bianchi: "Megadeth e Symphony X vão tocar daqui a pouco. Sejam educados com eles". Que é isso, Thiago? Tá pensando que está onde e nós somos o que?

Outro problema (que não é só do MOA, ressalte-se), quando as bandas, produtores, etc vão entender que acrobacias luminosas só atrapalham? Em diversos momentos ficava difícil olhar para o palco devido a quantidade exagerada de jogos de luz. A gente quer ver banda tocando, não ficar cego.

Outro vacilo da produção nos fez pensar que o próximo show seria o MEGADETH. A bandeira da banda estava já no fundo do palco Cliff, sendo coberta depois pela bandeira do Exodus, quando, de repente, o barulho de motoserra anunciava o início do show do DESTRUCTION, provocando uma correria generalizada para o outro palco. Embora com grandes clássicos, como Nailed to the Cross, Bestial Invasion e Curse The Gods ficou difícil dar ao show a atenção merecida àquela altura. E mais uma vez, problemas com o som, provocando o desespero de metade da multidão que assistia atônita à falta de som em toda uma parte do palco por três seguidas e demoradas vezes.

Em seguida, o show do Exodus. Que show!!! E todo o cansaço foi embora. Rob Dukes tem uma grande presença de palco, anda como um louco e comanda a tropa de fãs como um grande general. Você não sabe o que é um mosh pit até entrar num mosh em um show do Exodus. Foi como bater e apanhar de uma centena de Andersons Silva. E no final, Wall of Death, uma experiência única (mas eu quero de novo). Um espetáculo no palco com os clássicos da banda, outro na platéia com as batalhas campais. E eu sobrevivi!!!

Finalmente, SYMPHONY X, outra banda que eu estava muito curioso pra ver, mas nem pude curtir muito, já exaurido da batalha anterior. É. com certeza, um dos próximos DVDs que eu vou comprar. Outra vez a produção dormiu no ponto. O vocalista Russel Allen por duas vezes atravessou a ponte que ligava os dois palcos e foi cantar no palco Cliff, para aqueles que guardavam lugar junto à grade para o show do Megadeth. Ok, foi inesperado, mas apenas quando ele já estava voltando é que a equipe responsável pela iluminação dos palcos conseguia ligar as luzes desse outro palco. Uma banda com músicos excelentes, grandes composições (em todos os sentidos), nerd ao extremo, mas que merece ser apreciada em condições melhores. O ponto baixo talvez tenha sido as súplicas de Russel por um mosh pit. Russel, era num show do Exodus que todos estávamos!!!

E, por fim, o show mais esperado da noite, no palco cujo nome homenageia o grande baixista do METALLICA: MEGADETH. Dave Mustaine estava estranhamente simpático e conversava bastante com a galera, enquanto intercalava clássicos como Trust e A Tout Le Monde com músicas do disco novo, como Public Enemy No 1. Infelizmente, mais problemas em sua guitarra e várias interrupções na tentativa de arrumar o instrumento. Dave chegou a dizer que apenas cantaria, deixando a guitarra exclusivamente para Chris Broderick, até que, por fim, Peace Sells, e Vic Rattlehead sobe ao palco e começaram os "goodbyes". Ainda voltaram para um bis, mas todos tivemos que acreditar o show do maior headliner tinha durado tanto quanto uma atração normal, mais ou menos 1h.

O setlist da principal atração da noite foi apenas:

1. Trust
2. Hangar 18
3. She-Wolf
4. Public Enemy No. 1
5. Whose Life (Is It Anyways?)
6. Guns, Drugs & Money
7. A Tout Le Monde
8. Symphony of Destruction
9. Peace Sells
10. Holy Wars... The Punishment Due

Somente ao final do show, alguém da produção apareceu para falar, convidando para o El Diablo, mas sem comentar mais nada. Perguntei que horas o festival começaria amanhã. Eu não sei, foi a resposta.

É isso. Eu estava lá e vi. Um obrigado especial ao amigo Nilo Braga, que emprestou o laptop, indispensável para escrever essa resenha. No momento em que escrevia essa resenha, ainda não se sabia se haveria um segundo dia de MOA.

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Sobre Leonardo Daniel Tavares da Silva

Daniel Tavares nasceu quando as melhores bandas estavam sobre a Terra (os anos 70), não sabe tocar nenhum instrumento (com exceção de batucar os dedos na mesa do computador ou os pés no chão) e nem sabe que a próxima nota depois do Dó é o Ré, mas é consumidor voraz de música desde quando o cão era menino. Quando adolescente, voltava a pé da escola, economizando o dinheiro para comprar fitas e gravar nelas os seus discos favoritos de metal. Aprendeu a falar inglês pra saber o que o Axl Rose dizia quando sua banda era boa. Gosta de falar dos discos que escuta e procura em seus textos apoiar a cena musical de Fortaleza, cidade onde mora. É apaixonado pela Sílvia Amora (com quem casou após levar fora dela por 13 anos) e pai do João Daniel, de 1 ano (que gosta de dormir ouvindo Iron Maiden).

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