Bywar: lançamento de álbum reúne nata do thrash metal em SP

Resenha - Case of Abduction (Inferno Club, São Paulo, 19/11/2011)

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Por Durr Campos
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Dentre os subgêneros do heavy metal, um dos que mais aproxima boa música de camaradagem é o thrash metal. São inúmeras as razões que nos levam a crer nisso, mas dentre as mais festejadas a cerveja é certamente um dos elementos-chave na promoção da amizade entre as bandas e os fãs do estilo. É como dizem por aí: “ninguém faz amigos tomando leite”. Utilizando de frases prontas e pândegas assim muitos podem não achar que se trata de um segmento sério. Ledo engano. Apesar do extremo bom-humor, grande parte dos grupos que hasteia essa bandeira dá um duro danado para perpetuar sua arte e, porque não, seu estilo de vida. A Whiplash.Net foi convidada para estar em um momento que resumiu tudo o que discorri acima: o lançamento do novo disco dos paulistanos do Bywar, nome dos mais respeitados quando o assunto é metal feito em território nacional. Para abrilhantar ainda mais a festa, nada melhor que as bandas Infected, Blasthrash, os veteranos do Anthares e um local chamado Inferno Club. Tá bom ou quer mais? Acompanhem as próximas linhas e tentem não sair bangueando pela sala.

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Texto: Durr Campos/ Fotos: Pierre Cortes

Desde os primeiros anúncios na Internet dando conta deste evento, tinha certeza de que seria algo especial. Minhas suspeitas foram logo confirmadas assim que o INFECTED, quarteto paulistano influenciado por Exodus, Artillery, Metallica e Megadeth dos bons tempos, iniciou sua devastação sonora. O impacto de músicas do quilate de “Hate”, que abriu a noite, “Possession” e o hino “Thrash, Mosh, Pit” não deixou um pescoço sequer no lugar. Como se não bastasse ainda executaram dois covers pra lá de especiais, “True Colors”, do M.O.D., e uma das grandes surpresas naquele sábado nublado, a clássica “Dirty Bitch”, do andreense MX, presente no essencial álbum Simoniacal (1988). Interessante notar que em ambas o vocal ficou sob o comando do baterista Hugo Fernando. Completam o time Rodrigo Costa (guitarra e vocais), o ótimo solista Henrique Perestrelo (guitarras) e Bruno Madbutcher no baixo.

Alguns ajustes depois e já tínhamos o pessoal do BLASTHRASH no palco do Inferno. Pessoalmente adoro o debut deles, Violence Just For Fun, lançado já no longínquo ano de 2008. Para minha sorte, tocaram as minhas três prediletas, a saber: “Freedom Lies Dead”, a faixa-título e uma das que mais me fizeram cantar junto, “Possessed By Beer”, inevitável alusão aos alemães do Tankard. De fato a cerveja foi a protagonista deste set, especialmente pela forma despojada e extremamente eficiente com que o vocalista (e outrora guitarrista) Dario Viola imprimiu à apresentação. A plateia, lógico, correspondeu no ato e celebrou com a banda que hoje conta ainda com a ajuda dos guitarristas Rodrigo Costa e Henrique Perestrelo, ambos do Infected, além de Rafael Sampaio e Diego Nogueira, na bateria e baixo, respectivamente. Outros destaques no repertório vão para “Beer and Mosh” e “Psychotic Minds”, que encerrou magistralmente a participação do Blasthrash.

Era então chegada a hora de um dos momentos mais aguardados. Confesso nunca ter visto o ANTHARES ao vivo antes e, como fã de carteirinha do irretocável disco No Limite da Força (1987), ali seria minha redenção, por assim dizer. Hoje a banda é um pouco diferente daquela formada na primeira metade da década de 80, quando ainda contava com a lenda Henrique Poço nos vocais, bem como os guitarristas Zé Aranha e Christian. Mas se pensam que, por conta disso, a casa não caiu estão redondamente enganados! O atual line-up é matador e traz o novo vocalista Diego Nogueira (sim, o baixista do Blasthrash), Pardal no baixo, o baterista Júnior, além da fenomenal dupla de guitarristas Topperman e Maurício. À exceção de “Prisioneiros do Sistema”, tocaram todo o já citado No Limite da Força, isto é, “Fúria”, a faixa-título, “Paranóia Final”, “Vingança”, “Chacina” e “Batalhas Ocultas”, não necessariamente nesta ordem. O peso absurdo que emanava dos alto-falantes era impressionante. Além das mencionadas, ainda tocaram sons novos, “Sementes Perdidas”, “Canibal” e “Pesadelo Sul-americano”, que segundo Diego farão parte do próximo álbum com previsão de gravação para 2012. Aproveito ainda para mencionar a versão matadora para “Plano Furado I”, dos Ratos de Porão. Inesquecível.

Os anfitriões não demoraram a iniciar seu show. Formada há 15 anos, conheço o BYWAR desde sua demo, The Evil’s Attack, de 1996. Inclusive ouvi diversos fãs pedindo pela faixa que abre o K7, “Killing the Pharisee” (nota do redator: E posteriormente foi incluída no debut), o que infelizmente não foi possível devido o enorme montante de opções que hoje o quarteto possui, afinal são quatro álbuns completos e quatro splits, dentre os quais destaco o maravilhoso Booze Brothers Vol. 1, em parceria ao grupo alemão de death metal Witchburner, lançado em 2008 no formato 7”EP. Bem, se do tape não tocaram nada, em compensação esporraram quatro do debut Invincible War (2002): “Near of Madness”, “Broken Witchcraft”, “Enslaved by Dreams” e a obrigatória “Thrasher’s Return”, contando com a participação especial do primeiro guitarrista, Victor Regep.

Muito antes disso, porém, ainda executaram uma coleção de respeito, que incluiu as fenomenais “The Twin of Icon”, “The ‘Hole’ Grail”, “Heretic Signs” – que batiza o segundo disco deles -, “The Last Life” e uma de minhas favoritas, “Face the Impaler”. Do mais recente, Abduction, recém lançado pela Mutilation Records, escolheram a canção-título (com um início que me lembrou bastante o Iron Maiden da fase Somewhere in Time), “Poltergeist Time”, que iniciou o set, “Toward the Unreal”, a épica “Ragnarök” e “Black Spirals of Death”. Aguardem uma resenha feita por mim aqui mesmo no Whiplash.Net. O vocalista/guitarrista Adriano Perfetto não economizou nos agradecimentos aos fãs e sempre os instigava a cantar junto. O restante do line-up permanece inalterado, ou seja, com o exímio baixista Helio Patrizzi, o guitarrista Renan Roveran e o ótimo (e engraçado) baterista Enrico Ozio.

Set-list Infected

Hate
Death For Us All
Possession
Oxidation of the Nation
True Colors (M.O.D. cover)
Thrash, Mosh, Pit
Fight to Survive
Violent Reaction
Dirty Bitch (MX cover)

Set-list Blasthrash

Freedom Lies Dead
Violence Just For Fun
Assassin
Possessed by Beer
Beer and Mosh
Psychotic Minds

Set-list Anthares

Fúria
No Limite da Força
Sementes Perdidas (new song)
Paranóia Final
Pesadelo Sul-americano (new song)
Vingança Mortal
Canibal (new song)
Plano Furado I (RxDxPx cover)
Batalhas Ocultas
Chacina

Set-list Bywar

Poltergeist Time
Near of Madness
Face the Impaler
The Twin of Icon
Broken Witchcraft
The “Hole” Grail
Abduction
Enslaved by Dreams
Debt of War
Heretic Signs
Toward the Unreal
Stranded in Dark Zone
Ragnarök
The Last Life
Black Spirals of Death
Thrasher’s Return

Links relacionados:

Infected
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Blasthrash
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Sobre Durr Campos

Graduado em Jornalismo, o autor já atuou em diversos segmentos de sua área, mas a paixão pela música que tanto ama sempre falou mais alto e lá foi ele se aventurar pela Europa, onde reside atualmente e possui família. Lendo seus diversos artigos, reviews e traduções publicados aqui no site, pode-se ter uma ideia do leque de estilos que fazem sua cabeça. Como costuma dizer, não vê problema algum em colocar para tocar Napalm Death, seguido de algo do New Order ou Depeche Mode, daí viajar com Deep Purple, bailar com Journey, dar um tapa na Bay Area e finalizar o dia com alguma coisa do ABBA ou Impetigo.

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