Black Label Society em SP: peso absurdo e muita qualidade

Resenha - Black Label Society (HSBC Brasil, São Paulo, 13/08/2011)

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Por Durr Campos
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E lá se foram pouco mais de três anos desde a última vez que o guitarrista norte-americano Zakk Wylde pisou em território nacional. Em 2008, o pupilo favorito de Ozzy Osbourne fez expediente dobrado, pois além de tocar com o Mr. Madman aqueceu o público com seu BLACK LABEL SOCIETY. Foi com este último que o músico esteve no último sábado, 13, na capital paulista, no HSBC Brasil.

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Texto: Durr Campos. Fotos: Edi Fortini

O acesso ao local não foi dos melhores, mas chegando à casa os percalços perderam a importância haja vista a enorme quantidade de fãs nas imediações e a vibração bacana no ar. Alguns pareciam até sósias do próprio Wylde; outros me remeteram aos Hell’s Angels. Enfim, o clima combinava perfeitamente com a principal temática abordada pela banda: bebedeira.

Inicialmente agendado para maio, pontualmente às 22h o BLACK LABEL SOCIETY já estava no palco. O peso das guitarras era descomunal, ao ponto de embolar um pouco e encobrir as vozes. O início foi arrebatador com as empolgantes e grudentas “Crazy Horse” (2010) e “Funeral Bell” (2003), dos álbuns Order of the Black e The Blessed Hellride, respectivamente. Sem piscar “Bleed for Me” e “Demise of Sanity” (ambas do 1919 Eternal, de 2002) provocaram a plateia, que cantou durante toda a apresentação do BLS, diga-se. Neste momento ouvimos um trechinho do hino “Superterrorizer”, inacreditavelmente a única do clássico Stronger Than Death (2000) tocada.

Os integrantes do grupo possuem pleno domínio de cena, com destaques para o ensandecido baixista John DeServio (também no Cycle of Pain) e o guitarrista Nick Catanese, único ao lado do Zakk que jamais deixou a banda. Breves agradecimentos ao público e tome mais porrada! O hino “Overlord” foi brilhantemente executada, assim como “Parade of the Dead”, duas das minhas canções favoritas no Order of the Black. Àqueles que sentiam-se frustrados pela ausência de material antigo no repertório, uma grata surpresa em “Born to Lose”, do debut Sonic Brew, de 1998. Muitos pescoços foram castigados ali, mas não havia um rosto sequer que demonstrasse arrependimento por conta do headbangin’.

Wylde apresenta a banda, que é completada por Mike Froedge, cumprimenta cada um deles individualmente e senta-se em frente ao teclado. Após uma belíssima introdução, era hora da balada “Darkest Days” acalmar os ânimos, apesar da exaltação da plateia, ávida a não perder uma palavra sequer. “Fire it Up”, a seguinte, talvez tenha sido a que mais causou impacto junto aos fãs; os versos “Fire It Up/ Let the engines roll/ It's time to burn it down” nunca soaram tão poderosos. A banda trocava olhares no palco entregando – de modo bastante espontâneo – a satisfação por estar ali. Sem perder tempo Zakk emenda seu solo de guitarra. Um tanto longo, mas serviu para o rapaz mostrar seus dotes musicais ao público (como se isso fosse realmente necessário). Em minha opinião, uma parte do show que poderia ser reduzida, no mínimo, pela metade. Só por isso o set-list ganharia, pelo menos, mais uma música.

Não tem jeito, as bandas sempre deixam as melhores cartas na manga para soltarem no final. A primeira delas, “Godspeed Hell Bound”, não só arrancou gritos como se mostrou candidata a não sair do repertório por tão cedo. Em “Suicide Messiah”, um dos roadies do grupo entrou em cena para reforçar o coro. Detalhe: com um megafone! O que já era um dos grandes hits do BLACK LABEL SOCIETY ganhou tons de humor e descontração. De volta a 2006, o álbum Shot to Hell é lembrado através de “Concrete Jungle”, numa versão pesadíssima e mais acelerada. O final, como de costume já há algum tempo, trouxe a clássica “Stillborn”, que parece realmente ter sido composta para fechar as apresentações.

Uma vez um amigo descreveu o BLACK LABEL SOCIETY como a versão “barra pesada” do Lynyrd Skynyrd, um dos expoentes mundiais no quesito Southern Rock, elemento bastante apreciado Zakk Wylde & Cia. Eu concordo, mas há muito de Black Sabbath e da própria carreira solo de Ozzy nas composições de Zakk. E não é exagero: o cara acabou mesmo pegando aquele jeitão de cantar do Príncipe das Trevas.

Set-list:

1. New Religion (introdução no piano)
2. Crazy Horse
3. Funeral Bell
4. Bleed for Me
5. Demise of Sanity (com trechos de “Superterrorizer”)
6. Overlord
7. Parade of the Dead
8. Born to Lose
9. Darkest Days (precedida por um solo de piano)
10. Fire it Up
11. Guitar Solo
12. Godspeed Hell Bound
13. The Blessed Hellride
14. Suicide Messiah
15. Concrete Jungle
16. Stillborn

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Sobre Durr Campos

Graduado em Jornalismo, o autor já atuou em diversos segmentos de sua área, mas a paixão pela música que tanto ama sempre falou mais alto e lá foi ele se aventurar pela Europa, onde reside atualmente e possui família. Lendo seus diversos artigos, reviews e traduções publicados aqui no site, pode-se ter uma ideia do leque de estilos que fazem sua cabeça. Como costuma dizer, não vê problema algum em colocar para tocar Napalm Death, seguido de algo do New Order ou Depeche Mode, daí viajar com Deep Purple, bailar com Journey, dar um tapa na Bay Area e finalizar o dia com alguma coisa do ABBA ou Impetigo.

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