Ian Anderson: boa parte da história do rock no RJ
Resenha - Ian Anderson (Citibank Hall, Rio de Janeiro, 15/05/2011)
Por Rodrigo Simas
Postado em 31 de maio de 2011
4 anos passaram desde a última apresentação de Ian Anderson (com o Jethro Tull) no país. Tempo suficiente para os apreciadores de sua música ficarem ansiosos com o anúncio de uma nova turnê por aqui. Sem saber direito o que esperar do show, já que a divulgação às vezes anunciava uma performance acústica, ora como Ian Anderson apenas, ora como Ian Anderson’s Jethro Tull, o público que se dirigiu ao Citibank Hall na noite de domingo não teve do que reclamar.
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Era fácil ver na platéia pais que estavam levando seus filhos, algumas famílias inteiras, adolescentes contando os segundos para o início do espetáculo e muitos senhores beirando seus 50 ou 60 anos felizes por poder presenciar mais uma vez clássicos inesquecíveis do rock. Pouco depois da hora marcada, Ian e sua banda - formada por Florian Opahle (guitarra), David Goodier (baixo), Scott Hammond (bateria) e John O' Hara (teclado) - entram no palco emendando uma trinca de músicas que já valeu o ingresso de muita gente: "Living In The Past", "A New Day Yesterday" e a maravilhosa "Up To Me", do disco Aqualung (lançado em 1971), talvez a maior surpresa da noite.
Mas não foi só de "velharia" que o setlist foi preparado: também teve espaço para novas composições, como a excelente "Hare In The Wine Cup", ainda não lançada oficialmente, que mistura o folk rock da fase dos álbuns "Songs From The Wood" e "Heavy Horses"com pitadas de ritmos Indianos. Após ela, a própria "Songs From The Wood" abriu sorrisos na platéia: mesmo sem ter o mesmo alcance e potência na voz, Ian Anderson soube conduzir o clássico de maneira condizente com seu passado, com as partes instrumentais beirando a perfeição, em uma prova de fogo para os músicos.


Se juntando ao tecladista John O' Hara, Ian iniciou a sequência clássica do compositor Johann Sebastian Bach com "Prelude In C Major", que serviu como introdução para a esperada "Boureé", gravada pelo Jethro no disco "Stand Up", e que rendeu muitos aplausos do público. Mas o melhor estava por vir, e uma versão "curta" de "Thick As A Brick" (que tem originalmente 40 minutos) deu sequência ao espetáculo, mostrando todo o poder que a canção tem, mesmo há quase 30 anos de seu lançamento, emocionando muitos dos presentes e sendo um dos pontos altos do show.
Alternando clássicos e novidades com inteligência, Ian ainda tirou da manga "My God", e "Budapest" (uma favorita dos fãs que pode ser considerada um dos sucessos "recentes", do álbum Crest of a Knave, de 1987) e deu espaço a todos na banda para se destacarem, em maior ou menor escala. O bom guitarrista Florian Opahle fez seu solo em cima de "Toccata And Fugue", também de Bach, e mostrou dar conta do recado. Chegando próximo ao final do show, uma versão diferente da obrigatória "Aqualung" dividiu opiniões, já que muitos preferiam que ela fosse tocada com seu arranjo original – foi bastante válido tentar inovar, mas a verdade é que a versão não funcionou muito bem, principalmente para fechar a apresentação antes do bis.


Voltando para o palco, os primeiros acordes de "Locomotive Breath", movimentaram todo o público, que até o momento estava sem seus respectivos lugares (a pista era com cadeiras e lugares marcados), e uma invasão generalizada tomou conta da frente do palco, mostrando todo o calor da platéia carioca (mesmo que alguns tenham reclamado, com certa razão, pela segurança da casa ter permitido isso) que vibrava com a banda, e ela respondia em uma performance impecável de mais uma canção eternizada pelo Jethro Tull. Um ótimo final para uma noite que lembrou uma boa parte da história do rock.


Setlist:
- Living In The Past
- A New Day Yesterday
- Up To Me
- Hare In The Wine Cup
- Songs From The Wood
- Prelude In C Major / Bouree
- Thick As A Brick
- The Poet And The Painter
- Toccata And Fugue
- A Change Of Horses
- My God
- Budapest
- Aqualung
Bis
- Locomotive Breath








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