Mortuary Drape e Watain: inferno na terra em shows em SP

Resenha - Mortuary Drape e Watain (Inferno Club, São Paulo, 11/12/2010)

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Por Thiago Fuganti
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Mesmo num ano marcado por várias apresentações de bandas extremas no Brasil, o anúncio de uma turnê brasileira da lenda Italiana MORTUARY DRAPE, acompanhados pelos Suecos do WATAIN, causou surpresa entre os apreciadores do Black Metal que, assim como eu, nunca imaginaram que veriam essa verdadeira entidade da música extrema tocando em nossas terras.

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O show, que aconteceu no Inferno Club, no centro da capital Paulista, estava previsto para iniciar às 19h00 e, sem muita demora, o DELICTA CARNIS, banda do Espírto Santo, subiu ao
palco tocando para um diminuto público, porém mostrando garra e profisionalismo na execução do seu potente Death/Black Metal. Em aproximadamente 30 minutos, tocaram algumas músicas que constam no seu último registro, o MCD ao vivo "Live Massacre".

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Sem muita demora, foi a vez do ETERNAL DARKNESS DCLXVI, de Belém do Pará, mostrar seu Black Metal para os paulistanos. Tocaram também por volta de 30 minutos, demonstrando profissionalismo e qualidade.

Foi a vez, então, do MORTUARY DRAPE subir ao palco. Banda que dispensa apresentação mas, para quem não conhece, foi uma das precursoras do Black Metal mundial, iniciando sua carreira por
volta do ano de 1986. A entrada teatral, com os dois guitarristas, o baterista e o baixista trajando túnicas de bispo e segurando velas vermelhas, foi logo ofuscada pela falta de qualidade no som, também aparente nas apresentações anteriores. Obviamente, este fato não influenciou na energia da apresentação, iniciada com a música "Primordial", do CD "All the Witches Dance".

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O público presente demonstrou muita sinergia com a banda ao cantar os refrões de clássicos como "Zombie", "Tregenda", "Mother" e "Ectoplasm", do mais recente álbum "Buried in Time". Para finalizar, tocaram "Vengance From Beyond", do CD "Into the Drape" de 1992.

Por fim, chegamos ao inferno na terra. O desagradável odor vindo do palco, aliado a cruzes invertidas e tridentes, já dava a entender o que ocorreria nos minutos seguintes. Com um visual completamente carregado, os suecos do WATAIN mostraram que ainda é possível fazer um Black Metal visceral, nos moldes
do que era feito nos anos 90. Destaque para a presença de palco da banda, em especial, do vocalista Erik Danielsson.

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Como era de se esperar, o show foi um apanhado geral de toda a carreira. Sons como "Malfeitor", "Sworn to the Dark", "Total Funeral" e "On Horns Impaled" foram executados de forma perfeita, e tiveram forte recepção do público que, a
exemplo do show do MORTUARY DRAPE, também acompanhou o WATAIN na maioria dos refrões. Foi um show não muito longo, menos de uma hora, mas intenso o suficiente para não dar sensação de show curto.

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E assim chegamos ao final da temporada de 2010 de shows internacionais em São Paulo, e justamente com esses dois grandes nomes do Black Metal mundial, com destaque, mais uma vez, para o MORTUARY DRAPE, pelos muitos anos de devoção ao metal extremo, e ao WATAIN, por mostrar que é possível fazer Black Metal com a intensidade e originalidade dos anos 90.

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Sobre Thiago Fuganti

Catarinense, mas vive atualmente em São Paulo 'Chaos City'. Começou no metal com Iron Maiden, que até hoje acha a melhor banda do mundo, porém descobriu o lado extremo (black, death, doom) e não parou mais. Hoje em dia ouve muitos estilos, desde música clássica a death metal - passando pelas clássicas bandas de metal -, mas a ênfase mesmo fica com o Black Metal.

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