Biohazard em Porto Alegre: "Paz e amor para vocês!"

Resenha - Biohazard (Bar Opinião, Porto Alegre, 12/07/2010)

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Por Paulo Finatto Jr.
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Em 2006, os americanos do BIOHAZARD anunciaram o encerramento de suas atividades. A banda, uma das primeiras a misturar heavy metal, hardcore e punk rock com melodias do hip hop, retornou aos palcos dois anos depois. A 20th Anniversary Reunion Tour percorreu o mundo – passou pela Europa, pela América do Norte e pela América Latina – antes de encerrar a longa sequência de shows no Brasil, mais precisamente em Porto Alegre.

Fotos: Denis Azevedo

O início da noite – uma segunda-feira chuvosa – ficou por conta dos gaúchos da GROSSERIA. Na ativa desde 1995, a banda é uma das percussoras do movimento crossover no Brasil, unindo influências do punk, do hardcore, do heavy metal e do hip hop na sua sonoridade. Leandro Padraxx (vocal), Guga Prado (guitarra), Gustavo Stuep (baixo), Lúcio Agacê (DJ/vocal) e Daniel Lobato (bateria) iniciaram a apresentação às 21h40 para um público que ainda tomava o espaço do Bar Opinião. O grupo abriu o seu set visceral com “Sem Controle”, música que irá batizar o primeiro disco do GROSSERIA, em fase de finalização.

Na sequência, a banda executou outras composições próprias, como “Demente” – dedicada para um amigo que morreu drogado – e “Velho”, que contou com a interessante participação de Lúcio Agacê dividindo os vocais com Leandro Padraxx. Curiosamente, para a próxima composição a banda anunciou uma modificação no seu line-up: Daniel Lobato e Guga Prado não fazem mais parte do GROSSERIA. Além de apresentar os seus dois novos integrantes, o grupo ainda executou (com a nova formação) outras seis faixas, entre elas “Degradação” e “Alvos Fáceis”. Certamente, o público que aguardava a atração principal da noite pode apreciar a agressividade de um ótimo aperitivo.

Depois de trinta minutos de intervalo, às 22h50 uma introdução com violões brotava dos PA’s do Opinião, enquanto que o telão da casa – utilizado como uma espécie de cortina para o palco – era erguido. O BIOHAZARD, que conta com Evan Seinfeld (vocal/baixo), Billy Gradiadei (vocal/guitarra), Bobby Hambel (guitarra) e Danny Schuller (bateria), iniciou o espetáculo com “Shades of Grey”, faixa do álbum “Urban Discipline” (1992). Como era de se imaginar, o quarteto americano concentrou sua apresentação em composições dos três primeiros discos, lançados entre 1990 e 1994 – os únicos registrados com a formação clássica da banda.

O público presente, extremamente envolvido com a agressividade do BIOHAZARD, ocupava praticamente todos os espaços disponíveis na frente do palco. Desde o início do show, os presentes agitaram de forma intensa – entre moshs e stage divings. A banda, por outro lado, não se mostrava surpresa com a fúria da plateia. Na música seguinte, “What Makes Us Tick”, Seinfeld pediu que todos sacudissem loucamente as cabeças. Em “Urban Discipline” – executada na sequência – o baixista ordenou que os fãs formassem o maior mosh pit possível em frente ao palco.

Embora fosse o primeiro show do grupo na capital gaúcha, o BIOHAZARD conhece, faz tempo, a insanidade dos brasileiros. A banda foi uma das principais atrações do extinto Philips Monster of Rock Festival, realizado em 1996, em São Paulo. Seinfeld, em um breve minuto de descanso, relembrou os gaúchos sobre os grandes encontros que a banda já teve com os brasileiros e alertou: aquele era o último show da turnê e, no dia seguinte, a banda embarcaria rumo aos Estados Unidos para começar a compor o próximo disco do BIOHAZARD. Entre moshs e stage divings ininterruptos, a banda executou músicas como “Love Denied”, “Wrong Side of the Tracks” e “Chamber Spins Three”.

O show, aparentemente curto – de aproximadamente 1h20 de duração –, contou com momentos memoráveis. Como, por exemplo, as tentativas do guitarrista Billy Gradiadei e do baixista Evan Seinfeld de se comunicarem em português com os fãs. Embora sem muito sucesso, a piada com o ‘the book is on the table’ fez a plateia vibrar, que entoava o nome BIOHAZARD em meio a muito barulho paralelo. Além de outras músicas antigas como “Down for Life” e “Survival of the Fittest”, o quarteto executou uma versão para “We're Only Gonna Die (From Our Own Arrogance)” do BAD RELIGION. Os fãs não se decepcionaram.

Em uma nova pausa, Seinfeld deixou o baixo para os cuidados de um roadie e assumiu somente os vocais em “Five Blocks to the Subway Play”. No maior estilo CHUCK BERRY, o líder do BIOHAZARD chamou as mulheres presentes no Opinião para subir ao palco para a música seguinte. Uma versão de “I Ain’t Goin’ Out Like That”, do CYPRESS HILL, foi dedicada para cerca de vinte garotas que invadiram o espaço da banda e que dançaram as melodias rap/hip hop da música. A produção até tentou retirá-las para o encerramento do espetáculo, mas sem sucesso. Seinfeld pediu que todas continuassem com a banda para as duas últimas músicas do show.

Os dois maiores clássicos do BIOHAZARD, “Punishment” (que fez muito sucesso na MTV) e “Hold My Own” encerraram não apenas o show, mas toda 20th Anniversary Tour. Certamente, a plateia vibrou da mesma forma intensa, como em todas as músicas anteriores da apresentação – mas com uma dose extra de moshs e, principalmente stage divings. Billy Gradiadei, inclusive, tocou um pedaço de “Hold My Own” de pé, sobre o público.

Com o desejo de “paz e amor para a vida de vocês”, o BIOHAZARD deixou o palco do Opinião, às 23h55. O público foi embora com a sensação de que se o show durasse mais uma ou duas horas, não seria um problema – mesmo em plena segunda-feira. De qualquer forma, todos deixaram o Opinião com a certeza de dever cumprido. Muitos, inclusive, comentaram que o show do BIOHAZARD foi o melhor show de suas vidas até então. No fim das contas, resta apenas a parabenizar a Abstratti Produtora por ter estendido a turnê brasileira, com shows realizados em São Paulo e Araraquara, à capital gaúcha. Aliás, Bobby Hambel ainda desceu para atender os fãs um por um.

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Sobre Paulo Finatto Jr.

Reside em Porto Alegre (RS). Nascido em 1985. Depois de três anos cursando Engenharia Química, seguiu a sua verdadeira vocação, e atualmente é aluno do curso de Jornalismo. Colorado de coração, curte heavy metal desde seus onze anos e colabora com o Whiplash! desde 2000, quando tinha apenas quinze anos. Fanático por bandas como Iron Maiden, Helloween e Nightwish, hoje tem uma visão mais eclética do mundo do rock. Foi o responsável pelo extinto site de metal brasileiro, o Brazil Metal Law, e já colaborou algumas vezes com a revista Rock Brigade.

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