Aerosmith: em São Paulo, memorável, para dizer o mínimo

Resenha - Aerosmith (Parque Antártica, São Paulo, 29/05/2010)

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Por Thiago Zanetti
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

O AEROSMITH é uma banda com quase 40 anos de estrada. Se você não sabia disso, perceberia naturalmente se olhasse a fila que se estendia por muitos e muitos metros ao redor do Parque Antarctica, em São Paulo, na tarde do dia 29 de maio. Muitas pessoas de muitos estilos e diversas idades esperavam ansiosamente a abertura dos portões.

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Até o momento em que este que vos escreve finalmente pôs os pés dentro do estádio do Palmeiras, por volta das 16h45, não houve um tumulto, uma briga ou qualquer outro problema na organização da fila. Pelo contrário: muita gente se conheceu ali. Tudo nos conformes, o que prova para tantos e tantos veículos que tentam provar ao contrário que quem curte rock and roll é civilizado.

Enquanto as pessoas iam chegando em em seus respectivos setores, uma pessoa responsável por fazer um "som ambiente" escolhia videoclips - aparentemente a esmo. Mas o repertório do VJ - que incluía Coldplay, Lily Allen, Simple Plan e Mika - não agradou ao público, que constantemente o insultavam e vibravam cada vez que a música parava.

O Parque Antarctica já estava muito cheio quando o CACHORRO GRANDE, a banda de abertura, entrou no palco pontualmente às 20 horas. Apesar de apresentarem um show animado, os gaúchos não conseguiram empolgar muito a platéia, que não conhecia as músicas do quinteto e já estavam lá há muito tempo, cansados e ansiosos pela banda principal. Ao fim do show, o próprio vocalista Beto Bruno gritava, junto com a platéia: "Aerosmith! Aerosmith!".

Com um curto atraso de cerca de 15 minutos, às 21h45 apoximadamente, desce um enorme pano com o logo da banda, cobrindo todo o palco ao som de "Rainy Day Women #12 & 35", de Bob Dylan. A música, que tem uma letra engraçada e cheia de referências à maconha, logo deu lugar à entrada avassaladora de "Eat The Rich", música que abre também o álbum "Get A Grip", de 1993, e o registro ao vivo "A Little South of Sanity", de 1998. Caem as cortinas e os fãs podem ver a banda que esperavam há tantas horas.

Se os veteranos do Aerosmith têm problemas internos fora do palco, certamente esquecem deles quando estão tocando. Tudo o que alguém pode esperar de um show da banda estava lá: Steven Tyler e sua voz aguda e rouca, cantando impecavelmente e performático como sempre, Joe Perry e sua pose de bad boy/guitar hero, Tom Hamilton curtindo o groove de seu baixo, Brad Whitford, discreto porém preciso na segunda guitarra, e Joey Kramer demonstrando suas múltiplas habilidades na bateria.

A banda seguiu na pegada rock and roll com "Back In The Saddle", do clássico álbum "Rocks", de 1976, e "Love In An Elevator", do "Pump", de 1989, empolgando todos os presentes, que cantavam em coro junto com Tyler.

Após um começo avassalador, o Aerosmith partiu para a fase mais pop, tocando duas músicas que fizeram sucesso nos anos 90. "Falling In Love" e "Pink", ambas do álbum "Nine Lives", de 1997, não deixaram a peteca cair, e quando soaram as primeiras notas da clássica "Dream On", do primeiro álbum da banda, lançado em 1973, o Palestra veio abaixo. Um dos momentos mais bonitos do show, com a platéia cantando tudo junto com Tyler.

Mais dois hits muito conhecidos do público ("Livin On The Edge" e "Jaded") e a grande surpresa da noite, pelo menos para mim. Tyler anunciou que a banda ia voltar a 1977 e que os fãs brasileiros haviam "pedido muito por essa música", e o Aerosmith tocou a inesperada e desconhecida por muitos "Kings And Queens". Performance impecável, com Tyler alcançando todos os muitos agudos da versão original, lançada há mais de 30 anos.

Então chegou o momento que muitos casaisinhos adolescentes - e outros não tão adolescentes assim - esperavam: o combo das baladas "Crazy" (que teve até calcinha atirada ao palco no melhor estilo Wando) e "Cryin'", ambas cantadas com empolgação por todos - mesmo os que criticam a fase mais comercial da banda.

Após um curto solo de bateria de Joey Kramer (com participação de Steven Tyler), a banda não tocou a esperada "Rag Doll", mas sim a desconhecida por vários (porém clássica) "Lord Of The Thighs", do segundo álbum da banda, "Get Your Wings", de 1974, em versão prolongada.

Foi a vez de Perry assumir os microfones e, com ajuda de uma intérprete, anunciar ao público que estava cansado de ouvir as pessoas dizerem a ele que o haviam batido no duelo de guitarra do jogo "Guitar Hero: Aerosmith". Por isso, ele mesmo duelou contra seu personagem virtual, fazendo um curto solo de guitarra e tocando e cantando na sequencia o cover "Stop Messin' Around", originalmente do Fleetwood Mac. Ótimos solos de guitarra (Brad Whitford) e gaita (Steven Tyler), e os vocais de Perry também não deixaram a desejar.

Steven Tyler apresentou o tecladista Russ Irwin, que se apresenta com a banda nos shows, e o Aerosmith tocou a balada "What It Takes", também cantada em uníssono pelo público. E após um curto solo de baixo de Tom Hamilton, as primeiras notas de "Sweet Emotion" foram tocadas e, mais uma vez, o Parque Antarctica veio abaixo.

Mais um cover, desta vez o blues "Baby Please Don't Go", de Big Joe Williams, e a banda caminhava para a última música do set, "Draw The Line", pesadíssima e muito bem executada, para variar.

O Aerosmith deixou o palco e pouco tempo depois voltou para o bis. Joey Kramer começou a tocar o começo de "Walk This Way" e a platéia foi ao delírio. E quanto todos esperavam que a música que fecharia o set seria a já tradicional "Train Kept A' Rollin'", o Aerosmith toca "Toys In The Attic", terminando com muito estilo e rock and roll as mais de duas horas de show.

Foi um belíssimo show, cheio de clássicos mesclados com momentos mais desconhecidos, porém muito importantes para muitos dos fãs que conhecem toda a carreira da banda. Que o Aerosmith supere os problemas internos e ainda consiga voltar ao Brasil!

Setlist:
Eat The Rich
Back in the Saddle
Love in an Elevator
Falling in Love (is Hard on the Knees)
Pink
Dream On
Livin' on the Edge
Jaded
Kings And Queens
Crazy
Cryin'
Solo de Bateria
Lord Of The Thighs
Joe Perry Guitar Battle
Stop Messin' Around (Fleetwood Mac cover)
What It Takes
Sweet Emotion
Baby, Please Don't Go (Big Joe Williams cover)
Draw the Line

BIS:
Walk This Way
Toys in the Attic

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Sobre Thiago Zanetti

Nascido em 1986 e apaixonado por música, Thiago é formado em Jornalismo pela Unesp de Bauru, mas é natural de Sorocaba/SP. Ouve de tudo, desde grindcore até música clássica, passando por diversos gêneros de música nacional e estrangeira. Toca em uma banda cover de Metallica, mas não tem preconceito musical: se é som, está ouvindo. Sempre aberto a novas bandas.

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