Awake Festival: diversidade do metal nacional em Fortaleza

Resenha - Awake Festival (Siará Hall, Fortaleza, 15/08/2009)

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Por Débora Medeiros e Lucíola Limaverde
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Se há uma palavra para resumir o Awake Festival, que aconteceu no último sábado, 15 de agosto, no Siará Hall (Fortaleza/CE), realizado pela produtora curitibana Awake Media, é diversidade. Ela era percebida nas atrações principais, provenientes de estilos tão diferentes – heavy metal (Angra), thrash/death metal (Sepultura), countrycore (Matanza) e death metal (Krisiun) –, que atraíram um público igualmente diversificado, desde aqueles que iam a um show de metal pela primeira vez até headbangers de longa data.
A diversidade também se fez presente na escolha das três bandas de abertura, todas cearenses. A primeira a tocar, às 18h50, foi a Alma, com um som mais puxado para o thrash metal e letras em português, como a de "Profundo Ódio". Em seguida, veio a Roadsider, cujo EP, lançado em 2008, foi destaque na seção Garage Demos da Roadie Crew. Vendo a banda no palco, é fácil entender o porquê: em dois anos de existência, o competente stoner rock dos caras já conquistou fãs alucinados, que, naquela noite, se divertiam em uma roda punk, formada sob o comando do vocalista Flávio Rovere, enquanto o grupo destilava faixas que não integram o EP, mas já soam familiares, como "Lying To Me" e "Release Me". Encerrando aquele primeiro momento no palco Rebel, o heavy metal tradicional da Darkside, que, criada em 1991, já pode ser considerada uma das bandas veteranas da cena, tendo sido responsável pela abertura de vários grandes shows de metal dos últimos anos.

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Às 20h30, no palco Titatium, o Matanza abria a noite já com um grande clássico, "Santa Madre Cassino". Com um repertório calcado no álbum ao vivo "MTV Apresenta Matanza" (2008), os cariocas pinçaram os pontos altos daquele registro, mesclando sucessos do primeiro álbum a músicas mais recentes, como "Meio Psicopata", a segunda no setlist. Headbangers descamisados, fãs de chapéu de cowboy, garotas de meia-arrastão, todos pareciam saber as letras uma após a outra e, ao menos por aquele momento, levavam as mensagens ao pé da letra.

É difícil definir o ponto alto da apresentação, que contou ainda com hinos como "Bom é Quando Faz Mal", "As Melhores Putas do Alabama", "Maldito Hippie Sujo" e, é claro, a onipresente "Ela Roubou Meu Caminhão". Para o setlist ficar perfeito, só faltaram mesmo algumas versões das músicas do lendário Johnny Cash, gravadas pelo Matanza no álbum "To Hell with Johnny Cash" (2005).

O Krisiun foi recebido com aplausos dos fãs, às 21h30, e já começou intercalando canções mais antigas, como "Vengeance’s Revelation", do álbum "Apocalyptic Revelation" (1998), a músicas mais recentes, como "Vicious Wrath", do álbum "Assassination" (2006) e "Sentenced Morning", do "Southern Storm" (2008). A execução de todas as músicas foi primorosa, evidenciando o entrosamento entre os irmãos Moyses e Max Koslene, na guitarra e na bateria, respectivamente, e o baixista e vocalista Alex Camargo.

Aliás, Alex foi o músico que mais interagiu com o público durante as apresentações, desbancando até o simpático Edu Falaschi. Ele elogiou reiteradas vezes a cena cearense: “É um orgulho vir pro Ceará. A gente fez amigos aqui, já tomou muita cachaça na Praia de Iracema”, contou, provavelmente se referindo aos membros da banda Obskure, veteranos do death metal no estado, com quem os gaúchos trocaram cartas e demos no início da carreira. Alex também destacou a importância de um festival que mistura vários estilos, ressaltando que “é a união que nos fortalece”.

Outra grande banda a tocar naquela noite foi o Angra, pela segunda vez em Fortaleza este ano – a primeira foi em maio, quando iniciaram, na capital cearense, a turnê de retorno do grupo aos palcos após um hiato de dois anos. Abrindo o show com os clássicos "Carry On" e "Nova Era", a banda alternou músicas enérgicas como "Acid Rain" com a leveza de canções como "Millenium Sun", contemplando sucessos desde o primeiro álbum, como "Evil Warning", até o mais recente trabalho, com "The Voice Commanding You". O show foi finalizado com duas canções relevantes na trajetória do Angra: "Rebirth" – na qual o próprio público, comandado por Edu, entoou metade da canção – e "Spread Your Fire" – cuja vivacidade deu o tom apropriado para uma noite como aquela.

Entretanto, o show de há alguns meses da banda em Fortaleza não contou com a presença de Sepultura, apesar de a proposta da turnê de retorno do Angra ser o encontro entre os dois grupos. O festival, então, pôde trazer o peso da banda de thrash/death metal à cidade, com músicas como "Refuse/Resist" e "Inner Self". Com um extenso setlist, o Sepultura trouxe várias canções de seu mais recente CD, "A-Lex", lançado no início deste ano e baseado no livro Laranja Mecânica: "Filthy Rot", "We’ve Lost You" e "Conform" foram algumas delas.

O vocalista norte-americano Derrick Green, já há mais de uma década na banda, conversou bastante com o público em português, e a familiaridade com nossa cultura foi também apresentada através de um trecho instrumental de "Aquarela do Brasil", tocada entre fortes luzes verdes no palco. O “Sepultura do Brasil”, como enfatizou Derrick antes da música Roots, ainda contou com Angra de volta ao palco para o jam de covers de clássicos de Poison e Black Sabbath. A junção encerrou bem a noite de encontro entre as maiores bandas de Metal nacionais – uma festa de fôlego que, no total, somou mais de oito horas seguidas de puro Rock.

Setlist Matanza:
1. Santa Madre Cassino
2. Meio Psicopata
3. Interceptor V6
4. Mesa de Saloon
5. Ressaca Sem Fim
6. Maldito Hippie Sujo
7. Pandemonium
8. Tempo Ruim
9. Todo o Ódio da Vingança de Jack Buffalo Head
10. Eu Não Gosto de Ninguém
11. Pé na Porta, Soco na Cara
12. O Chamado do Bar
13. Clube dos Canalhas
14. Imbecil
15. Bom é Quando Faz Mal
16. A Arte do Insulto
17. As Melhores Putas do Alabama
18. Ela Roubou Meu Caminhão
19. Whisky Para um Condenado
20. Nós Estamos Todos Bêbados/Interceptor V6

Line-up Mantanza
Jimmy London (voz)
China (baixo)
Jonas (bateria)
Maurício Nogueira (guitarra)

Line-up Krisiun
Alex Camargo (baixo e voz)
Max Kolesne (bateria)
Moyses Kolesne (guitarra)

Setlist Angra:
1. Unfinished Allegro
2. Carry On/Nova Era
3. Acid Rain
4. Lisbon
5. Silence and Distance
6. The Voice Commanding You
7. Nothing to Say
8. Millenium Sun
9. Waiting Silence?
10. Evil Warning
11. Rebirth
****
12. Spread Your Fire

Line-up Angra:
Edu Falaschi (voz)
Rafael Bittencourt (guitarra)
Kiko Loureiro (guitarra)
Felipe Andreoli (baixo)
Ricardo Confessori (bateria)

Setlist Sepultura
1. Intro Alex IV/A-Lex I/Moloko
2. Filthy Rot
3. What I Do!
4. Refuse / Resist
5. Manifest
6. Convicted In Life
7. Atittude
8. We’ve Lost You
9. A-Lex II/ The Treatment
10. D.E.C.
11. Troops Of Doom
12. Septic Schizo / Escape
13. Innerself
14. Territory
15. Arise
****
16. Conform
17. Roots

Line-up Sepultura
Derrick Green (voz)
Andreas Kisser (guitarra)
Paulo Jr. (baixo)
Jean Dolabella (bateria)

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Sobre Débora Medeiros

Débora Medeiros faz Comunicação Social – Jornalismo na Universidade Federal do Ceará. Academicamente, desenvolve pesquisas sobre o rádio educativo e sobre a relação entre jornalismo cultural e heavy metal. Profissionalmente, tem procurado se especializar em crítica musical. Foi daí que nasceu o impulso para colaborar com o Whiplash e criar um blog dedicado a esse assunto, o Música Expressa.

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Sobre Lucíola Limaverde

Jornalista formada pela Universidade Federal do Ceará (UFC) com experiência em jornalismo impresso, produção em rádio e assessoria de imprensa. Ouve seus rocks todo santo dia. Aliás, não imagina sua vida sem música e livros (a Literatura é outra grande paixão). Queria ter uma história bonita e comovente sobre como começou a ouvir Metal, mas a verdade é que não lembra a primeira vez na qual ouviu uma guitarra distorcida - apenas sabe que sua alma tem um tom maior quando escuta as canções de que gosta. Aprendeu a tocar teclado aos 12 anos mas, como jamais sonhou em cometer seus dedilhados em uma banda, isso só lhe rendeu algum apuro na audição musical.

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